Brasil deve permanecer líder mundial na produção de soja • Farmdoc por dia

Brasil deve manter a sua posição como o maior produtor de soja ao longo da próxima década. Na temporada 2020/21, o Brasil produziu um recorde de 4.994 milhões de bushels de soja, 8,9% mais do que safra recorde da última temporada de 4.587 milhões de bushels, segundo dados da Conap Companhia Nacional de Abastecimento. A área colhida nesta temporada também atingiu um recorde de 95,16 milhões de hectares, um aumento de 4,2% em relação à temporada passada. Espera-se que o crescimento do acre brasileiro continue maior do que o dos Estados Unidos e da Argentina, dois outros grandes produtores de soja. Além disso, desenvolvimentos recentes na área de logística, como as ferrovias denominadas Norte-Sul, devem criar oportunidades para melhorar a competitividade no setor de transporte.

Previsão de crescimento da produção

Nos últimos anos, o Brasil ultrapassou os Estados Unidos como o maior produtor mundial de soja. No futuro, a produção de cereais no Brasil deverá ultrapassar a dos Estados Unidos. O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) espera que o Brasil produzir 5.751 milhões de bushels de soja em 2030, um aumento de 15,2% em relação à safra 2020/21 (ver Figura 1). Nos Estados Unidos, a produção deve chegar a 4.905 milhões de bushels em 10 anos, aumento de 18,6% no mesmo período, segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).

A área de soja brasileira deve crescer 27% nos próximos 10 anos, para 116 milhões de hectares, de acordo com o MAP. Enquanto isso, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos espera que a área plantada dos EUA para chegar a 90 milhões de acres em 2030, um aumento de 8,3% em 10 anos. A taxa de crescimento do cultivo de soja no Brasil nos próximos anos será menor do que em décadas passadas, quando houve um aumento significativo da produção (Farmdoc diário30 de março de 2021).

Moedas têm desempenhado um papel importante na competitividade da soja nos últimos anos, como a força do dólar americano levou a maiores margens de lucro na América do Sul. Por exemplo, a cultura da soja 2020/21 brasileira produziu os maiores lucros da história do país devido à redução da oferta interna e uma depreciação do real em relação brasileira ao dólar.

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No mundo todo, os custos, as margens de lucro, logística e disponibilidade de terras serão fatores-chave na determinação futura produção de soja (Ikeda e Nazetta, 2020). O Brasil conseguiu manter bons lucros e tem terras disponíveis; Um dos desafios é o alto custo associado à logística, como será discutido neste artigo.

Novas fronteiras para a produção de soja

A expansão da área plantada com soja no Brasil está prevista para ocorrer na próxima década da seguinte forma:

  • Pastagens não utilizadas são convertidas em soja,
  • A soja é cultivada em novas fronteiras agrícolas,
  • A soja substituirá outras culturas nas áreas agrícolas atuais, e
  • O aumento do uso da irrigação abrirá áreas para a produção de soja.

Os agricultores se expandirão principalmente no Norte e Nordeste, especialmente em Matobiba, área formada pelo estado brasileiro do Tocantins e partes dos estados do Maranhão, Piauí e Bahia. A demarcação do Matobiba foi realizada pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), que utilizou as regiões de cerrado (savana) dos estados como critério-chave. De acordo com a delimitação territorial, existem cerca de 73 milhões de hectares distribuídos em 337 municípios. ‘centros Agronegócio’ são marcados no mapa (ver Figura 2).

A soja é atualmente a principal cultura nas áreas de cultivo de Matobiba. Em 2020/2021, a produção de soja nessa região deve chegar a 12% da safra total do país. No entanto, outras culturas, como milho e algodão, também desempenham papéis importantes. Na safra 2019/2020, por exemplo, a região produziu 24,7 milhões de toneladas de grãos. Nos próximos 10 anos, a expectativa do governo brasileiro é que o Matobiba produza 32,7 milhões de toneladas, um aumento de 32,2% em relação ao. A área cultivada deve aumentar para 22,1 milhões de hectares, um aumento de 14,8% na década.

A expansão da soja para o Matobiba ocorreu principalmente devido ao menor custo da terra, se comparado ao Centro-Oeste e Sul do Brasil. O cultivo da soja no Brasil tem origem no Rio Grande do Sul e no Paraná (regiões pioneiras), estados do sul com clima semelhante ao dos Estados Unidos, de onde surgiram as primeiras sementes até 1975. A partir daí, a Embrapa passou a desenvolver sementes próprias para o clima mais quente do savana. Como resultado, nas décadas de 1970 e 1980, a produção de soja migrou pela primeira vez para o Centro-Oeste: Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Goiás (regiões maiores). Nos anos 1990 e 2000, a produção migrou para o norte e nordeste: Maranhão, Tocantins, Piauí, Bahia (Matopipa) e mais recentemente para o Pará (Nova Fronteira).

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Hoje, o estado de Matobiba e Pará é a principal fronteira agrícola do Brasil. A região possui muitas qualidades favoráveis ​​para a agricultura moderna. O terreno é plano, solo produtivo, clima favorável (com dias longos e muita luz solar) e abundância de água disponível para irrigação. Porém, o maior desafio é logístico, mas pode ser mitigado pelas obras que estão sendo realizadas em rodovias, ferrovias e portos.

Avanços na logística

Historicamente, a indústria de exportação de soja do Brasil conta com rotas de longa distância entre as principais áreas de produção e portos. No entanto, na última década, houve investimentos significativos em infraestrutura de transporte, não apenas para rodovias, mas também para ferrovias e hidrovias. De 2000 a 2019, a participação de mercado de caminhões na soja embarcada diminuiu de 75% para 67%; Ao mesmo tempo, as ferrovias aumentaram de 20% para 24%; E frete barcaça aumentou em cerca da mesma quantidade, de 5% a cerca de 9% (Pêra, Caixeta-Filho e Salin, 2021).

Em 2021, o governo brasileiro inaugurou 107 milhas de ferrovia norte-sul, ligando o estado de Goiás (Centro-Oeste), ao porto de Santos, em São Paulo (sudeste). Este projecto, que começou na década de 1980, é esperado para eventualmente incluir cerca de 955 milhas de ferrovia entre Porto Nacional, no estado de Tocantins (Norte), a Estrella de Oeste, no Estado de São Paulo (sudeste). Além disso, o projeto prevê a construção de três estações ferroviárias em Goiás, Mato Grosso e Minas Gerais na região central.

Os portos do norte se igualaram aos do sul em termos de embarque de grãos pela primeira vez em 2020, de acordo com informações da Agência Nacional de Transportes Aquaviários. Soja e milho exportações através de portos do Norte ao longo dos últimos 10 anos aumentou quase cinco vezes, para alcançar 42,3 milhões de toneladas em 2020, segundo dados da Agricultura e Pecuária do Brasil Federação (equivalente dos EUA Farm Bureau nos EUA).

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Apesar dos desenvolvimentos recentes, os desafios logísticos no Brasil devem continuar na próxima década. No curto e médio prazo, o país continuará a depender fortemente de caminhões para transportar a soja aos portos para exportação. O Brasil precisará continuar investindo para reduzir os altos custos tradicionais de transporte e melhorar a logística – uma falha histórica brasileira no que diz respeito à agricultura dos Estados Unidos.

Resumo

As taxas de crescimento da soja brasileira na próxima década devem continuar mais altas do que as dos principais concorrentes do país, como Estados Unidos e Argentina. A expansão da área cultivada ocorrerá em função da ocupação de pastagens subutilizadas e da abertura de novas fronteiras agrícolas. Os agricultores se expandirão principalmente no Norte e Nordeste, especialmente em Matobiba, área formada pelo estado brasileiro do Tocantins e algumas partes dos estados do Maranhão, Piauí e Bahia. Margens de lucro positivas, disponibilidade de terras e desenvolvimentos em logística serão os principais impulsionadores dessa expansão nos próximos 10 anos.

Referências e fontes de dados

Colossi, c. e C. Schnittky. “O Novo Recorde da Soja: Crescimento Histórico da Produção no Brasil.” Farmdoc diário (11): 49, Departamento de Economia Agrícola e do Consumidor, Universidade de Illinois em Urbana-Champaign, 30 de março de 2021.

Ikeda, F. e E. Nazita. “O crescimento do Brasil com a força da soja continua.” Rabobank, agosto de 2020. https://research.rabobank.com/far/en/sectors/grains-oilseeds/soybeans-poised-for-growth.html

Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) 2020. Perspectivas do Agronegócio – Brasil 2019/2020 a 2029/2030 – Perspectivas de Longo Prazo. Brasília, 2020. Disponível em: https://www.gov.br/agricultura/pt-br/assuntos/noticias/ao-completar-160-anos-ministerio-da-agricultura-preve-crescimento-de-27-na -producao-de-graos-do-pais-na-proxima-decada / ProjecoesdoAgronegocio2019_20202029_2030.pdf

Péra, Thiago G., Jose V. Caixeta-Filho e Delmy L. Salin, 2021. Brazil Modal Share Analysis for Corn and Soybeans: 2010–19. Universidade de São Paulo, Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz,” Brasil (ESALQ / USP). https://esalqlog.esalq.usp.br/Brazil_modalshare_USDA-ESALQ2020.pdf

Departamento de Agricultura dos EUA, Serviço de Pesquisa Econômica. Fevereiro de 2021. USDA Agricultural Outlook to 2030. Relatório de projeções de longo prazo OCE-2021-1, 103 páginas https://www.usda.gov/sites/default/files/documents/USDA-Agricultural-Projections-to- 2030. PDF

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