Legisladores brasileiros estão desenvolvendo um mercado regulamentado de carbono no país

O Brasil está no caminho certo para criar um mercado regulamentado de carbono antes da Cúpula de Ação Climática da ONU, no próximo mês, aumentando as esperanças de impulsionar as exportações, apesar de uma decisão controversa de excluir o setor agrícola do país.

O sistema de comércio de emissões recebeu aprovação no Senado brasileiro no início deste mês e espera-se que seja aprovado na Câmara dos Deputados e assinado pelo presidente. Luiz Inácio Lula da SilvaÉ um passo concreto que ele poderá apresentar na Conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (COP28) em Novembro. O mercado brasileiro de carbono será um acréscimo importante a uma rede em expansão de sistemas de limitação e comércio de emissões em todo o mundo.

Pelo sistema no Brasil, empresas que emitem gases de efeito estufa Os limites especificados acima devem adquirir remuneração aprovada de terceiros. Espera-se que esteja totalmente operacional dentro de dois anos, promovendo o reflorestamento e financiando a proteção das florestas e savanas do Brasil, que são importantes sumidouros de carbono, segundo os cientistas. O Brasil é o sexto maior emissor global de gases de efeito estufa e abriga cerca de 60% da floresta amazônica e cerca de 30 milhões de acres adequados para reflorestamento, uma área tão grande quanto a Pensilvânia.

Os produtores agrícolas e mineradores brasileiros esperam que um mercado de carbono ajude a enfrentar os ventos contrários nos mercados desenvolvidos, onde os consumidores muitas vezes associam o desmatamento. Os exportadores de bens manufaturados que utilizam grãos, carne, minério de ferro e outras matérias-primas brasileiras poderiam receber um impulso se a regulamentação do carbono melhorar as credenciais ambientais do país, segundo autoridades empresariais brasileiras.

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“Quanto mais regulação do carbono tivermos aqui, mais fácil será” exportar para mercados estrangeiros cada vez mais preocupados com as emissões, disse ele Flávio Roscogerente da fábrica têxtil Colortextil e presidente da Associação dos Fabricantes de Minas Gerais.

Isentar o setor agrícola do Brasil das exigências de emissões eliminou um grande obstáculo ao comércio de emissões. No entanto, as emissões brasileiras são em grande parte produzidas pelas plantações, uma indústria ligada ao desmatamento. O país é um grande exportador de soja, milho e carne bovina, e muitas de suas culturas e pecuária são produzidas em terras que há apenas algumas décadas eram densas florestas tropicais. O desmatamento na extensa floresta amazônica do Brasil, que está diminuindo este ano de acordo com dados preliminares, é amplamente atribuído à expansão das terras agrícolas nas bordas da floresta.

Quase metade das emissões de gases de efeito estufa do Brasil vêm do desmatamento e um quarto das culturas e da pecuária, com apenas 18% da geração de energia, de acordo com um relatório divulgado pela Câmara dos Deputados do país no início deste ano.

O grupo agrícola do Brasil argumentou que as emissões das culturas e da pecuária são difíceis de medir e que a nova regulamentação poderia tornar-se um obstáculo pesado para um setor que produz a maior parte das exportações do país. Especialistas em clima dizem que os fertilizantes agrícolas liberam óxido nitroso, o gado expele metano e o desmatamento libera carbono armazenado nas árvores.

“É lamentável que o setor agrícola queira desregulamentar”, disse Marcio Astrini, secretário executivo do Observatório Brasileiro do Clima. “Isso mostra o quão atrasados ​​eles são e como querem evitar a realidade e ser transparentes sobre as suas emissões.”

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Contudo, o Brasil não está sozinho. A Europa também exclui os agricultores do sistema de comércio de emissões, o maior mercado mundial para a limitação e comércio de emissões.

Pecado. Tereza CristinaO ex-ministro da Agricultura e Pecuária defendeu a decisão de excluir o setor da regulação do carbono.

“O setor agrícola não está pronto para um mercado regulamentado de carbono”, disse ela. Apesar da isenção, os agricultores brasileiros ainda esperam se beneficiar do mercado regulamentado.

“A agricultura será o principal fornecedor de compensações de carbono”, disse ele. Fábio Passoschefe do negócio de carbono da América Latina na gigante química alemã Bayer.

A empresa brasileira Bayer trabalha há anos com agricultores locais e startups de tecnologia para desenvolver formas de medir a quantidade de dióxido de carbono capturado e armazenado pelas culturas utilizando métodos agrícolas sustentáveis. As empresas de todo o mundo que tentam reduzir as emissões ao longo da cadeia de abastecimento estarão dispostas a pagar um prémio por matérias-primas certificadas como de baixo carbono, afirma Passos.

“A agricultura tem que ser parte da solução para uma empresa que quer se tornar neutra em carbono”, disse ele.

Escreva para Paolo Trevisani em [email protected] e Luciana Magalhães em [email protected]

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