Lea Garcia, que ficou famosa como atriz negra no Brasil, morreu aos 90 anos

Lea Garcia, a atriz pioneira que trouxe nova visibilidade e respeito aos atores negros no Brasil após sua atuação no filme vencedor do Oscar de 1959 “Orfeu Negro”, morreu em 15 de agosto em Gramado, um resort nas montanhas no sul do Brasil. Ela tinha 90 anos.

Sua família confirmou que ela morreu de complicações cardíacas Conta do Instagram. Quando faleceu, no hospital, estava em Gramado para receber o prêmio pelo conjunto da obra no festival de cinema daquela cidade. Antes dela, seu filho Marcelo Garcia, que também foi seu empresário Orgulho em seu lugar.

Ao longo de uma carreira prolífica que começou na década de 1950, Garcia acumulou mais de 100 créditos em teatro, cinema e televisão, desde seus primeiros anos com um grupo experimental de teatro negro até suas aparições posteriores em produções televisivas, como o popular Série de TV “Escrava” de 1976. Isora “(“Isaura: Escrava”), baseado no romance de 1875 do abolicionista Bernardo Guimarães; Foi visto em mais de 80 países.

Relatando sua carreira em entrevista de 2022 à revista brasileira Ela, Garcia disse que se sentiu feliz com seu sucesso. “Costumo dizer que fui abraçada pelos deuses”, disse ela. “As coisas sempre chegam até mim sem que eu corra atrás delas.”

No entanto, trabalhar para mudar as percepções racistas no mundo do cinema e da televisão exige enorme perseverança e disciplina. “Já nos pediram muito mais”, disse ela a Ella. “Tínhamos que colocar o texto na ponta da língua, sempre cheirando bem e elegante. Outros poderiam estar errados.

Lea Lucas Garcia de Aguiar nasceu em 11 de março de 1933 no Rio de Janeiro. À medida que crescia, ela se sentiu atraída pela literatura e aspirava a se tornar uma escritora. Isso mudou um dia em 1950.

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Ela lembra: “Eu estava indo buscar minha avó para levá-la ao cinema, quando alguém se aproximou de mim e me perguntou: você gostaria de trabalhar em teatro?”

O som pertenceu a Obedías do Nascimento, escritor, artista e ativista africano que criou Teatro Negro Experimental (TEN), um grupo carioca que visa promover a valorização da cultura afro-brasileira. (Os dois formaram um casal e tiveram dois filhos.) Dona Garcia estreou nos palcos em 1952, na peça “Rapsódia Negra” de Nascimento.

À medida que a década chegava ao fim, ela levou sua carreira a um novo nível de reconhecimento internacional ao ser escalada para o elenco de “Orfeu Negro”, do diretor francês Marcel Camus, uma releitura do mito grego de Orfeu e Eurídice adaptada para a loucura do Rio. Carnaval com música de Antonio Carlos Jobim e Luiz Bonfá. Ele ganhou um Oscar por Melhor filme em língua estrangeira Em 1960.

Por mais exuberante que fosse, não era um clássico na aparência. “Os amantes não são realmente o foco deste filme; “É música, ação e uma tempestade de cores”, escreveu Bosley Crowther em uma crítica no The New York Times.

Mesmo em um papel coadjuvante, Garcia mostrou habilidade para enganar. “Lea Garcia é particularmente emocionante como prima de fala mansa de Eurídice”, escreveu Crowther.

Entre seus outros filmes notáveis ​​​​está Ganga Zumba, primeiro longa-metragem de Carlos Dejes, pioneiro do movimento reformista Cinema Novo no Brasil, realizado em 1963, mas lançado apenas em 1972. Ela trouxe força e complexidade à personagem Cipriana, A amante do personagem-título, que foge de um engenho de açúcar do século XVII para liderar o quilombo dos Palmares, refúgio de outros fugitivos da escravidão.

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“Não há vergonha em ser escravo”, dizia frequentemente a Sra. Garcia, segundo familiares. “É uma pena ser colonizado.”

O ritmo de sua carreira raramente diminuiu ao longo dos anos. Ela passou décadas como protagonista de novelas brasileiras como “O Clone” (“O Clone”), “Anjo Mau” (“Anjo Maligno”), “Xica da Silva” e “Marina”, e já foi vista em outros Série de TV. também.

Mesmo aos oitenta anos, a Sra. Garcia permaneceu produtiva. Estrelou a série dramática “Baile de Máscaras” em 2019 e voltou aos palcos em 2022 na peça “A Vida Não é Justa” na qual interpretou três personagens e explorou temas de diversidade. Igualdade, justiça e relacionamentos.

Informações completas sobre os sobreviventes não estavam disponíveis imediatamente.

Em entrevista a Ela, a Sra. Garcia falou sobre suas esperanças para sua bisneta, que na época tinha 7 meses. “Espero que haja um país justo e igual que respeite a diversidade”, disse ela. “Isso é o que eu quero e muito mais.”

Julia Vargas Jones contribuiu com reportagem de São Paulo, Brasil

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