Como o plano de vacinas Covid-19 do Brasil fracassou

Máquinas rangem e zumbem, enfermeiras e médicos correm enquanto entram no quarto de um homem velho com falta de ar. A decisão de intubar é feita rapidamente. É sua única chance de ficar longe de sua garantia.

Da meia dúzia ou mais na sala, a enfermeira Monica Aparecida Calazans diz que já presenciou muitas mortes. “Já perdi oito dos meus colegas para a Covid”, disse ela. “É uma doença grave.”

Até domingo, apenas 0,5% do país havia recebido a primeira dose da vacina AstraZeneca ou Sinovac. Ninguém no Brasil foi totalmente vacinado, exceto alguns que participaram de ensaios clínicos de vacinas.

Além disso, o fornecimento de vacinas é muito limitado e ainda há uma falta de detalhes nos planos do governo para garantir mais.

“Eu teria dito que o Brasil seria o primeiro.”

Em junho de 2020, poucos pensavam que o Brasil lutaria muito para trazê-lo à tona.

O enorme sistema nacional de saúde do país, com profissionais de saúde em quase todos os municípios brasileiros por meio de uma rede de hospitais e clínicas, tem uma longa história de vacinação bem-sucedida de sua população.

Mas muitos especialistas dizem que a incompetência do governo federal, liderado pelo cético presidente Jair Bolsonaro, sabotou sua resposta ao coronavírus. Eles apontam para uma clara falta de urgência por parte do governo federal em garantir o abastecimento e uma falta de diversificação no abastecimento de vacinas.

“No início da pandemia, eu ia dizer que o Brasil seria o primeiro país da América Latina a vacinar sua população porque sabemos como fazê-lo”, disse Natalia Pasternak, microbiologista e defensora da saúde brasileira. “Temos toda a infraestrutura de que precisamos. Agora só precisamos de um presidente melhor.”

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As autoridades de saúde federais brasileiras anunciaram inicialmente um plano de implantação semelhante aos de muitos outros países importantes. Ela vai fabricar a vacina AstraZeneca no país, produzindo cerca de 30 milhões de doses até o final de janeiro de 2021.

Cerca de 200 milhões serão produzidos até o final do ano, primeiro para profissionais de saúde e idosos e, em seguida, on-line para fraqueza.

É claro que o governo brasileiro depositou suas esperanças iniciais na vacina AstraZeneca. Mas os testes de sua vacina demoraram mais do que alguns outros, o que é uma possibilidade inteiramente natural e esperada, dada a natureza sem precedentes do desenvolvimento da vacina Covid-19.

A Agência Reguladora de Vacinas do Brasil finalmente concedeu autorização de uso emergencial para uma vacina para a AstraZeneca em 17 de janeiro, mas a falta do ingrediente ativo necessário para fazer a vacina significa que os laboratórios brasileiros ainda não começaram a produzir as centenas de milhões de doses de que precisam.

Enfermeira em unidade de terapia intensiva atende paciente com COVID-19 sob intubação em São Paulo, Brasil.

Os suprimentos devem começar a chegar nesta semana, mas atrasos dizimaram a agenda do governo. Não há uma data específica para o início do envio das doses finais.

Enquanto grandes países com poder de compra semelhante negociaram no ano passado acordos para comprar outras vacinas de empresas como Moderna e Sinovac, o Brasil se manteve firme.

Até o ministro da saúde do Brasil rejeitou uma oferta em agosto da Pfizer de comprar até 70 milhões de doses de sua vacina. O departamento defendeu a decisão, dizendo que estava preocupado em parte em garantir o pagamento e concordar em processar questões contratuais em um tribunal dos Estados Unidos.

“É por isso que você não coloca todos os ovos na mesma cesta”, disse Pasternak. “Não há nenhuma explicação razoável para não planejar com antecedência como sua população será vacinada.”

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No entanto, Bolsonaro disse recentemente que nenhum governo “fará melhor do que o meu”.

China derruba Bolsonaro

A maior esperança do Brasil para uma vacina no curto prazo é a CoronaVac, desenvolvida pela empresa chinesa Sinovac. Os reguladores aprovaram seu uso de emergência em 17 de janeiro e o governo Bolsonaro aprovou a compra de 100 milhões de doses.

É uma descoberta ridícula depois que Bolsonaro passou meses atacando a vacina, às vezes sugerindo que o produto desenvolvido na China poderia matar ou incapacitar aqueles que o tomavam, afirmações sem evidências.
Enquanto brasileiros esperam vacina, Bolsonaro faz política

Ele se curvou para desacreditar a vacina quando ela foi adotada pelo governador de São Paulo, João Doria, um grande candidato político e potencial candidato na corrida presidencial de 2022.

Ela circulou periodicamente no governo Bolsonaro e negociou diretamente com a China para obter a vacina de Sinovac, eventualmente obtendo milhões de doses. Doria diz que o fracasso do presidente em garantir o abastecimento impôs sua mão. “No Brasil, temos que combater dois vírus, o coronavírus e o vírus Bolsonaro”, disse Doria em entrevista.

Doria foi forçado a entregar os suprimentos de seu estado de uma vacina fabricada na China para o governo federal. “nós temos que [vaccinate] “Mais rápido do que estamos indo agora. Precisamos de mais vacinas, mas essa responsabilidade é do governo federal.”

Mulher recebe a primeira dose da vacina AstraZeneca em São Paulo, Brasil.

Ambos os homens podem agora estar presos a uma vacina que parece ser menos eficaz do que a outra. Dados recentes mostram que a vacina CoronaVac tem uma eficácia de 50,4 por cento, removendo as diretrizes da OMS de 50 por cento nas margens mais baixas.

Bolsonaro disse que além dos acordos de compra já em vigor, seu governo vai comprar as vacinas quando estiverem disponíveis. É uma afirmação ambígua, visto que as vacinas estão entre os produtos mais desejados do mundo.

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Zangado, frustrado e desamparado

A confusão e a frustração com o lançamento da vacina no Brasil chegam em um momento em que o surto no Brasil nunca foi pior.

Além dos aumentos gerais nos casos diários e mortes que estão entre as taxas mais altas da epidemia até o momento, uma nova variante do Covid -19 surgiu que os epidemiologistas dizem que provavelmente se transmitirá com facilidade e pode ser mais mortal.

As vacinas são mais necessárias do que nunca, mas agora essa oferta simplesmente não existe. Julio Cesar Barbosa, enfermeiro que trabalha em um hospital público de São Paulo, se ofereceu para vacinar pessoas, mas diz que se sente desamparado em meio à escassez. “Estou preocupado e zangado com nosso governo porque desde o início ele minimizou esse vírus.”

Natalie Gallon, da CNN, contribuiu para este relatório.

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