Saída da Ford lança sombra sobre a indústria automobilística brasileira

Rui Costa não escondeu a indignação quando a Ford anunciou que estava fechando a fabricação no Brasil, inclusive em seu país natal, a Bahia, onde milhares de pessoas dependem da montadora norte-americana para operar.

“O Brasil está decidido a se tornar uma grande fazenda”, disse o governador do vasto estado do litoral nordestino. O que planejamos nos últimos cinco anos para aumentar o investimento em tecnologia e fabricação? nada.”

Os comentários de Costa refletem preocupações profundas que permeiam a indústria automobilística do Brasil, que está se recuperando de uma saída de choque para a Ford em janeiro, depois de mais de um século de fabricação no país.

A indústria automobilística no Brasil, que carece de investimento adequado e sofre com vendas fracas e custos burocráticos pesados, parece cada vez mais inacessível.

Gerentes de automóveis estão tentando pintar um quadro otimista, citando o enorme potencial do mercado brasileiro, a gama de novos produtos em oferta e até mesmo as linhas de prata da pandemia do coronavírus, que empurrou mais pessoas para o transporte privado.

Mas, para muitos observadores independentes, fatores estruturais significam – exceto por uma rápida transformação econômica na maior economia da América Latina – que a escrita está em espera, especialmente porque o governo Jair Bolsonaro começou a cancelar bilhões de dólares em subsídios de longo prazo.

“Chega um ponto em que você cria todas as restrições, todos os regulamentos e ventos contrários, e acaba em uma situação que não pode mais ser controlada.” Disse Carlos Tavares, CEO da Stellantis e da recém-fundida Fiat Chrysler e PSA: “Ou países e regiões querem fazer carros. Ou vocês não querem.” Ele acrescentou que a retirada da Ford foi um “sinal de alerta” para o governo brasileiro.

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João Henrique Oliveira, CEO da Volvo no Brasil e presidente da Associação dos Importadores de Automóveis, disse de forma mais clara:[The exit of Ford] Isso realmente mostra que o ambiente de negócios no Brasil é muito desafiador, até hostil. Podemos ver outras marcas tomando a mesma decisão. “

Sem fabricantes locais, as empresas ocidentais e japonesas dominaram a indústria automobilística do Brasil por décadas. Nos últimos anos, os fabricantes chineses tiveram sucesso e vários grupos obscuros como a Chery fizeram propostas para as instalações da Ford.

No entanto, o setor não se recuperou totalmente da recessão oscilante de 2015 e 2016, devido ao alto desemprego e uma taxa de câmbio fraca que encareceu as peças de reposição importadas.

As marcas no Brasil estão sob forte pressão financeira. “As fábricas no Brasil estão operando com 50% de sua capacidade instalada, o que é muito fraco”, disse Oliveira.

A saída da Ford segue outros cortes. A Mercedes anunciou em dezembro que fecharia uma unidade de produção, enquanto a Volkswagen demitiu no ano passado 1.300 funcionários em São Paulo.

O fraco desempenho do maior mercado da América Latina ocorre em um momento de reestruturação global mais ampla. Com as montadoras se concentrando na Ásia e na mudança para carros elétricos e autônomos, alguns analistas acreditam que o Brasil ficará para trás.

A reestruturação global está desempenhando um fator muito maior [in threatening Brazil’s car industry]André Roncaglia, professor de economia e especialista automotivo da Universidade Federal de São Paulo. “Com a mudança para carros elétricos e autônomos, todas as atenções estão voltadas para a Ásia e isso coloca o Brasil em uma posição vulnerável.

“Não temos a capacidade de acompanhar esse movimento e, como sistema, não acho que estejamos sequer preparados para seguir nessa direção sem mudanças profundas nos atuais esquemas de apoio fornecidos à indústria.”

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Mas o país também tem que lidar com problemas internos de longa data, em particular Custo brasil O custo adicional de fazer negócios em uma economia historicamente isolada atormentada por burocracia, logística e regras fiscais complicadas.

“O Custo Brasil sempre faz dos negócios uma equação exata”, disse Oliveira, observando que a Volvo emprega quatro vezes mais pessoas para lidar com as bases tributárias do labirinto do país do que na Europa.

“é um [tax] O sistema que gera disputas e insegurança jurídica. Não importa o quão consciente você esteja de que está tentando fazer as coisas da maneira certa, ainda está aberto a questionamentos e perigos. “

Desde sua eleição, Bolsonaro prometeu reformar o sistema tributário, mas tem pouco a mostrar. No entanto, o governo decidiu cortar os subsídios aos automóveis, que os críticos dizem estar subsidiando empresas não competitivas sem nenhum benefício em preços mais baixos para os consumidores.

Quando a Ford anunciou sua saída, o presidente brasileiro acusou a empresa americana de apenas “querer benefícios”.

A indústria automobilística é uma indústria que tem “potencial para ganhos econômicos e de inovação significativos para o Brasil. Mas tem recebido benefícios que foram mal balanceados em design”, disse Letizia Costa, consultora automotiva da Prada-Acesoria.

No entanto, as perspectivas para a indústria automobilística do país não são totalmente sombrias.

Os executivos dizem que estão “cautelosamente otimistas” em relação ao ano que vem. Eles veem o mercado sendo impulsionado por “produtos disfarçados”, bem como pelas taxas de juros historicamente baixas do Brasil, que as empresas dizem que incentivam os consumidores a comprar carros em vez de economizar.

“A recuperação do ano passado foi mais rápida do que esperávamos e no último trimestre o resultado das vendas foi semelhante a 2019. Nos últimos seis anos”, disse um executivo da GM, cujo carro compacto Onix foi o mais vendido no Brasil.

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A empresa está lançando um investimento de US $ 2 bilhões em São Paulo, com foco em novos produtos e tecnologias para segurança e conectividade.

A Volkswagen também fez uma observação otimista, com seu presidente da América Latina dizendo à mídia local que a empresa espera um crescimento de 10 a 12 por cento no Brasil este ano.

Tavares disse que a Fiat Chrysler estava “fazendo um excelente trabalho na América Latina”, com bons lucros. Mas ele alertou que o Brasil continua frágil. Não podemos continuar a adicionar restrições. Chegará um momento em que não poderei mais controlá-lo. “

Participou da cobertura da Carolina Police

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