Portugal quer o mecanismo de investimento de segurança e energia a longo prazo da UE

LISBOA (Reuters) – Portugal quer que a União Europeia crie um mecanismo semelhante ao programa de recuperação da pandemia para direcionar investimentos em defesa e segurança, energia verde e digital, disse o primeiro-ministro português, Antonio Costa, nesta segunda-feira.

Disse numa conferência em Lisboa que isso implicava a emissão de dívida pela Comissão Europeia, que seria reembolsada através de transferências dos estados membros, bem como com novos impostos sobre os lucros das empresas multinacionais e sobre as emissões de carbono.

“Os desafios do clima, da transformação digital, do fortalecimento da independência estratégica da Europa e do investimento em segurança e defesa exigem investimentos altamente coordenados a nível europeu”, disse ele.

Costa disse que esses projetos de investimento devem ser de longo prazo e não “sacrifícios em favor de restrições orçamentárias de curto prazo”. Ele disse que não deve ser restringido pelas diferentes capacidades de financiamento dos Estados membros individuais para evitar a consolidação da “assimetria entre os países”.

Ele também viu que não havia necessidade de a UE abrir uma discussão sobre a mudança dos limites quantitativos do Acordo de Estabilidade e Crescimento da UE, que estabelece um limite de déficit orçamentário de 3%, dizendo que as regras são flexíveis o suficiente para se adaptar a cenários adversos. Este limite está atualmente suspenso devido à pandemia de COVID-19.

Costa disse mais cedo que Portugal manterá sua estratégia fiscal conservadora para cortar déficits e dívidas à luz das fortes pressões inflacionárias e do novo ciclo de aumento das taxas do BCE.

(Reportagem de Sergio Gonçalves; Edição de Andre Khalil e Jane Merriman)

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