Nelson Pereira dos Santos, 89, morre; Upload de filme brasileiro

Nelson Pereira dos Santos, o diretor brasileiro que foi fundamental para elevar o padrão do cinema em seu país, apesar da repressão governamental e da falta de apoio financeiro, morreu no dia 21 de abril no Rio de Janeiro. Ele tinha 89 anos.

Sua morte Foi anunciado Pela Academia Brasileira de Letras, para a qual foi eleito em 2006, sendo o primeiro diretor a ser homenageado. A academia disse que a causa foi pneumonia.

Sr. dos Santos, que começou a produzir longas-metragens na década de 1950, foi um dos fundadores da empresa. Cinema Novo O movimento que buscou transformar o cinema no Brasil de uma comédia baixa e imitação de Hollywood em algo que refletisse a realidade da vida brasileira.

Seu primeiro grande filme foi “Rio 40 Graus” (Rio 40 Graus, às vezes traduzido como “Rio 100 Graus”), lançado em 1955, que contava a história de três meninos que vendem amendoim para sobreviver e enfatizava o problema da pobreza. .

“Foi um grande sucesso moral e político”, disse o Sr. dos Santos ao Los Angeles Times em 1985. A polícia proibiu-o durante quatro meses, alegando que era subversivo e poderia causar uma revolução.”

Na década de 1960, dos Santos e outros diretores brasileiros exibiam seus trabalhos em festivais internacionais, incluindo Cannes. Em 1984 ele ganhou o Prêmio da Crítica Internacional lá “Memórias do Cárcere” (“Memórias do Cárcere”), sobre a prisão do escritor brasileiro Graciliano Ramos.

“Nelson Pereira dos Santos trouxe para a tela filmes poderosos e socialmente comprometidos sobre os pobres e marginalizados do Brasil.” Darlene J. SadleirEle é professor emérito da Universidade de Indiana-Bloomington e escreveu uma biografia dele em 2003. “Ao longo de sua carreira, ele trabalhou para criar uma indústria cinematográfica nacional diante de um mercado há muito dominado pelos filmes de Hollywood”, disse ele por e-mail.

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O Sr. Dos Santos nasceu em 22 de outubro de 1928 em São Paulo, Brasil. Seus pais, especialmente seu pai, eram fãs de cinema e costumavam levar ele e seus irmãos ao cinema. Seu irmão Saturnino descreveu certa vez os rituais dominicais em um cinema em São Paulo.

“Quatro horas de filmes, das 1 às 5, e isso durou anos”, disse ele. Assistimos a todos os filmes que hoje são considerados grandes clássicos da época.

Eram principalmente filmes de Hollywood – Laurel e Hardy, Charlie Chaplin – e infectaram o jovem Nelson com o vírus do cinema. No ensino médio também se tornou sensível aos problemas econômicos do Brasil e, em 1945, ingressou no Partido Comunista Brasileiro. Ele também começou a ler escritores brasileiros como Jorge Amado e Ramos, que transformaram seu romance “Vidas Secas” (“Uma Vida Estéril”), sobre uma família no nordeste pobre do Brasil, em filme em 1963.

Dos Santos pretendia seguir a carreira de advogado, mas em vez disso foi para Paris estudar cinema. Ele disse que seus pais nunca superaram a mudança.

“Mesmo quando decidi me tornar diretor, meu pai me perguntava quando eu conseguiria um emprego de verdade”, lembrou ele em uma entrevista de 1996 ao The Globe and Mail no Canadá.

Ele trabalhou como assistente de direção em vários filmes antes de dirigir “Rio 40 Graus” com um orçamento apertado.

Ele e outros diretores do Cinema Novo foram influenciados pelo Neorrealismo italiano e pela Nouvelle Vague francesa. Seus filmes focavam no folclore e em histórias naturais corajosas – “Rio 40 Graus” foi filmado em estilo documentário – e eles evitavam fotografias elaboradas em favor de câmeras portáteis, iluminação natural e paisagens reais. Outro diretor do Cinema Novo, Glauber Rocha, descreveu-o como “cinema da fome” por seu foco na pobreza e nas adversidades.

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O golpe militar no Brasil em 1964 provou paralisar o Cinema Novo, com suas tendências populistas e marxistas.

“O exército proibiu meus filmes porque mostravam a realidade do Brasil”, disse dos Santos. Mas ele continuou fazendo filmes mudando seu estilo.

“Meus filmes eram constantemente censurados, então tive que focar mais em metáforas para mostrar a realidade da vida sob o regime militar”, disse ele.

Ele certamente usou uma metáfora em um de seus filmes mais famosos, “Como era gustoso ou mio francis” Ou “Quão gostoso era meu francês”, lançado em 1971. É uma comédia de humor negro em que um francês é jogado ao mar por marinheiros portugueses e acaba em uma ilha ao largo do Brasil habitada por canibais. Comentando o que os europeus fizeram aos povos indígenas da América do Sul, ele não gostou de determinado festival de cinema na França.

“Quando o filme estreou, os jurados do Festival de Cinema de Cannes retiraram-no da competição devido à sua nudez e canibalismo, segundo o programa”, escreveu o New York Times em 1992, quando o filme estreou num festival chamado Meals on Reels. Notas. Não ajudou o fato de o item principal do menu ser francês.

Durante a maior parte de sua carreira, dos Santos lamentou a falta de recursos financeiros disponíveis para os cineastas brasileiros, bem como a contínua preferência dos proprietários de cinemas pelos filmes de Hollywood em detrimento dos filmes locais.

“Os cinemas no Brasil são completamente dominados pelo cinema norte-americano”, disse ele numa entrevista de 2000 citada no livro do Dr. Sadleir. “É impossível que o cinema brasileiro se torne autossuficiente neste contexto.”

A queixa também reflectia a sua preocupação de longa data com os segmentos pobres da população do país.

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“Quando a grande quantidade de brasileiros descalços, que não têm recursos para entrar nos cinemas, passar a fazer parte do mercado consumidor, o nosso cinema vai explodir e as pessoas vão preferir”, disse na mesma entrevista. Porque é nosso, porque fala a nossa língua e reflete o nosso ser e a nossa realidade mais profunda.

O Sr. dos Santos deixa sua esposa, Evelys; quatro filhos, Nelson, Nye, Márcia e Diogo; E cinco netos.

Sadleir lembrou que dos Santos foi um defensor da cultura brasileira até o final de sua carreira: seus dois últimos filmes foram “A Música Segundo Antonio Karls Jobim” (“Música Segundo Antonio Carlos Jobim”, 2012) e “A Música Segundo Antonio Karls Jobim”, 2012) e “A Música Segundo Antonio Karls Jobim”. Luz do Tom” (“Na Luz do Tom”, 2013. Ambos eram documentários sobre Jobim, famoso compositor brasileiro.

“Seus filmes recentes homenageiam o compositor da bossa nova cuja música, assim como muitos filmes de Pereira dos Santos, é parte integrante da história e da cultura brasileira”, disse o Dr.

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