Diretor de ‘Retratos de Fantasmas’ diz que seu documentário híbrido brasileiro surgiu de ‘forma natural e progressiva’

“Imagens de Fantasmas”, de Kleber Mendonça Filho – seleção brasileira de Melhor Longa-Metragem Internacional e também qualificador de Melhor Documentário – aborda o popular tema da cinefilia em tenra idade com uma abordagem amplamente realista.

O diretor de Aquarius e Bacurau baseia-se em sua formação familiar e na visão íntima de sua amada Recife, Brasil, para nos levar através de uma vista panorâmica da paisagem cinematográfica do centro da cidade, usando anos de filmagens de câmeras portáteis para mostrar a paisagem cinematográfica do centro da cidade. O lento declínio do cinema tradicional como ponto de encontro central.

O diretor conversou com o TheWrap sobre seu amor pelo cinema, do passado e do presente, e por que vale a pena preservá-lo.

Por que você decidiu fazer disso um documentário ou um longa-metragem?
Não foi planeado nem foi um subproduto da pandemia, como sugeriram alguns críticos. Venho editando este filme há vários anos. Acontece que terminei o filme e gostei muito [how it came together.] É apenas um filme que se tornou o que é de uma forma muito natural e progressiva. Eu nem estava pensando em um “documentário”.

Kléber Mendonça Filho (Getty Images)

Estamos agora numa fase em que sentimos falta dos cinemas, que eram palácios de convívio. Uma das melhores coisas do filme é que ele mostra como os cinemas criam uma comunidade.
Não importa se é no Brasil, na Espanha ou no Texas. Faz parte de quem eu sou. Cada cultura tem suas próprias batalhas. Sempre me lembro dessa capa da Newsweek na década de 1980. É um videocassete gigante com uma fila ao redor do quarteirão. Foi mais um momento de crise na indústria cinematográfica. Eu realmente acredito que você pode descobrir um filme em qualquer lugar hoje em dia, mas também adoro a ideia de poder ir ao meu cinema favorito com meu projetor e sistema de som favoritos. Estou agora na cidade de Nova York, que tem uma longa história de palácios de cinema. Não pude acreditar quando o Teatro Ziegfeld fechou. Achei que você sempre faria algo para salvar aquele cinema. Significa algo para mim, e acho que parte desse sentimento transparece no filme.

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Adoro as anedotas que o filme revela sobre a atuação dos filmes da época, como a menção ao filme Hair, de Milos Forman, de 1979, que ficou seis meses em cartaz.
Naquela época, a ditadura militar no Brasil começava a perder poder e a censura começava a se tornar um pouco mais aberta. “Hair” é um filme sobre contracultura. Você acertou a nota certa. Lembro-me de quando O Império Contra-Ataca foi exibido em Recife e durou apenas duas semanas. Não fez nada, aquela enorme imagem de ficção científica. É ótimo ver o que a cultura e a sociedade podem fazer com o cinema e vice-versa.

Há sinais de que a experiência de ir ao cinema pode estar voltando aos Estados Unidos. O Brasil está em um caminho semelhante?
O cinema brasileiro é em grande parte financiado por recursos públicos, algo que apoio fortemente. O sistema tem sido muito cuidadoso nos últimos 15 anos para ser incrivelmente diversificado. Passamos por uma fase terrível que durou sete anos com os governos Temer e Bolsonaro. Trouxeram pessoas que realmente odiavam a cultura, mas não conseguiram destruí-la, porque fazia parte da constituição. Mas agora as coisas voltaram ao normal com um verdadeiro sentido de democracia. É um momento interessante.

Esta história apareceu pela primeira vez em Uma questão internacional Dos prêmios da revista TheWrap. Leia mais da edição internacional aqui.

Juliette Binoche (foto de Jeff Vespa)

Ferrari

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