Acionistas minoritários condenam brasileiros-americanos por ‘fraude de bilhões’

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RIO DE JANEIRO/SÃO PAULO – Um grupo que representa acionistas minoritários apresentou na sexta-feira uma queixa ao regulador de valores mobiliários do Brasil contra a Americanas depois que a varejista divulgou “discrepâncias contábeis” totalizando 20 bilhões de reais (US$ 3,89 bilhões).

A Associação Abradin disse que denunciou a Americana pelo que chamou de “fraude bilionária”, ao mesmo tempo em que pediu à CVM que investigasse a auditoria da varejista, a PwC.

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As ações da Americana caíram mais de 75% na quinta-feira, eliminando R$ 8,4 bilhões em valor de mercado depois que o presidente-executivo da empresa, Sergio Real, renunciou, citando a descoberta de inconsistências.

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“Descrevê-los como ‘incoerências’ nada mais é do que uma tentativa de usar um eufemismo para uma fraude multibilionária que não apenas destruiu o patrimônio dos acionistas, mas também minou a credibilidade do mercado de capitais brasileiro”, disse Abradine em documento visto pela Reuters.

As ações da empresa subiram 19% na sexta-feira.

Americana não respondeu imediatamente aos pedidos de comentários. A PricewaterhouseCoopers se recusou a comentar.

A CVM já anunciou três investigações sobre a varejista. Enquanto isso, a empresa criou uma comissão independente para investigar.

Os gerentes da loja de varejo venderam cerca de R$ 215 milhões (US$ 42,15 milhões) em ações da Americanas entre julho e setembro, segundo registros regulatórios. Os acionistas controladores e membros do Conselho de Administração não alienaram os respectivos volumes de ações.

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A Americanas anunciou que Sergio Real substituirá o ex-CEO Miguel Gutierrez após quase 30 anos na Americana em um registro de ações em 19 de agosto.

O riyal, em reunião com investidores na quinta-feira, atribuiu as discrepâncias a diferenças na contabilização do custo financeiro de empréstimos bancários e dívidas com fornecedores. No entanto, os contadores ainda estão tentando descobrir os detalhes.

O que chama a atenção é a escala do problema. Não é fácil esconder 20 bilhões de reais, disse Eric Pareto, professor do Instituto Inspire, em São Paulo. Se as operações estão no balanço, é uma questão de abastecimento. Mas não sei se estão por todo o lençol.”

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Três bilionários brasileiros que fundaram a 3G Capital há muito dominam os americanos. Suas lojas são onipresentes nos shoppings brasileiros, e a unidade de e-commerce da empresa é uma das principais varejistas online do país.

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Analistas e gestores de fundos também discutem vigorosamente as chamadas “inconsistências”.

“O mercado (incluindo nós) ainda não está totalmente ciente de quais são as implicações totais para a Americana”, disseram analistas do JPMorgan em uma nota de pesquisa, observando a falta de comunicações consistentes da empresa.

Na quarta-feira, quando divulgou o assunto, Americana disse acreditar que o impacto monetário das discrepâncias não era material, embora investigações internas e trabalhos de auditores independentes ainda sejam necessários.

Fabio Alberwich, diretor da FAMA Investimentos, disse que vendeu sua posição na Americanas em 2019 devido à “ambiguidade” de suas finanças. “Todas as evidências de má conduta estavam lá”, escreveu ele no Twitter.

“Acho que este é o maior escândalo que já vi na bolsa de valores brasileira”, disse James Gulbrandsen, diretor de investimentos para a América Latina da NCH Capital, em entrevista. ($ 1 = 5,1436 reais) (Reportagem de Rodrigo Vega Jaer, Tatiana Bautzer, Andre Romani e Gabriel Araujo; Edição de Mark Porter e Josie Cao)

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