Um tribunal adverte que os americanos brasileiros podem enfrentar até US $ 8 bilhões em cobranças de dívidas antecipadas após um escândalo contábil

RIO DE JANEIRO/SÃO PAULO (Reuters) – Um tribunal brasileiro disse nesta sexta-feira que a Americana SA. (AMER3.SA) Ela pode pagar até 40 bilhões de riais (US$ 7,9 bilhões) em dívidas antes do planejado, se o varejista for considerado inadimplente após a denúncia de “discrepâncias contábeis”.

Um grupo que representa acionistas minoritários apresentou uma queixa ao regulador de valores mobiliários do Brasil na sexta-feira alegando “fraude de bilhões de dólares”, depois que a Americanas disse ter divulgado discrepâncias em um pedido de 20 bilhões de reais.

“Descrevê-los como ‘inconsistências’ nada mais é do que uma tentativa de usar um eufemismo para uma fraude multibilionária que não apenas destruiu o patrimônio dos acionistas, mas também minou a credibilidade do mercado de capitais brasileiro”, disse Abradine em documento visto pela Reuters. .

O grupo da Associação Abradin também pediu uma investigação sobre a PwC, auditora da empresa. A PricewaterhouseCoopers se recusou a comentar.

O tribunal emitiu uma liminar protegendo a Americana de credores que procuram exigir uma recuperação mais rápida de dívidas ou apreender os ativos da empresa, bem como os contratos necessários para as operações da empresa – desde que ela entre com pedido de concordata ou chegue a um acordo com os credores.

Se a Americana não entrar com o processo em 30 dias, dizia o documento do tribunal, a liminar perderia efeito.

O tribunal disse que as mudanças no balanço da empresa resultantes das supostas discrepâncias podem afetar sua dívida e os níveis mínimos de capital de giro, resultando em uma violação do acordo que exige o pagamento antecipado de dívidas de até US$ 8 bilhões.

A empresa disse que ela e seus credores estão buscando em conjunto uma “alternativa viável” à luz de sua dívida iminente.

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As ações da Americanas se recuperaram 15% na sexta-feira, após despencar mais de 75% no dia anterior, eliminando R$ 8,4 bilhões em valor de mercado quando o CEO Sergio Real renunciou, após nove dias no cargo, após a descoberta de irregularidades.

O regulador, CVM, anunciou três investigações sobre o varejista, enquanto a empresa criou um comitê independente para investigar.

Em uma divulgação na quarta-feira, a Americanas disse acreditar que o impacto monetário não foi significativo, embora mais investigações sejam necessárias.

“Não é fácil esconder.”

“Acho que este é o maior escândalo que já vi na bolsa de valores brasileira”, disse James Gulbrandsen, diretor de investimentos para a América Latina da NCH Capital, à Reuters.

Fabio Alberwich, diretor da FAMA Investimentos, disse que vendeu sua posição na Americanas em 2019 devido à “opacidade” de suas finanças. “Todas as evidências de má conduta estavam lá”, escreveu ele no Twitter.

Os diretores da Americana venderam cerca de R$ 215 milhões (US$ 42 milhões) em ações entre julho e setembro, de acordo com registros regulatórios. A empresa não informou as vendas por meio de acionistas controladores ou membros do conselho.

“O que chama a atenção é a dimensão do problema. Não é fácil esconder R$ 20 bilhões”, disse Eric Pareto, professor do Inspire em São Paulo. “Se as operações estavam no balanço, era uma questão de apresentação. Mas não sei se estavam totalmente no balanço.”

O riyal, em reunião com investidores na quinta-feira, atribuiu as discrepâncias a diferenças na contabilização do custo financeiro de empréstimos bancários e dívidas com fornecedores. No entanto, os contadores ainda estão tentando descobrir os detalhes.

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O Real foi nomeado em agosto para suceder o ex-CEO Miguel Gutierrez, após quase 30 anos na empresa.

Há muito controlada pelos três bilionários brasileiros que fundaram a 3G Capital, Americana tem uma rede de lojas onipresente nos shoppings do país. A unidade de comércio eletrônico da empresa é uma das principais varejistas online do país.

“O mercado (incluindo nós) ainda não entende totalmente quais são as implicações totais para a Americana”, disseram analistas do JPMorgan em nota de pesquisa, observando a falta de comunicação consistente da empresa.

A agência de classificação Fitch rebaixou o rating de crédito de emissor de longo prazo em moeda estrangeira e local da empresa para “CC” de “BB”. A S&P Global rebaixou a classificação de Americanas para “BB”, adicionando-a à sua lista CreditWatch com implicações negativas.

(US$ 1 = 5,1436 riais)

(Reportagem) Enviado por Rodrigo Vega Gayer, Tatiana Bautzer, Andre Romani e Gabriel Araujo; Edição por Mark Porter, Josie Kao, Aurora Ellis e William Mallard

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