Perspectiva positiva de preços beneficiará projetos de minério de ferro no Brasil

Parece que a recuperação da economia chinesa manterá os preços do minério de ferro em trajetória ascendente, impulsionando o superávit comercial do Brasil e ajudando a impulsionar o andamento dos projetos no setor de mineração.

A Fitch Ratings elevou sua previsão de preço do minério de ferro para US$ 125 por tonelada até o final deste ano, acima dos US$ 110 por tonelada previstos anteriormente.

“As expectativas de preço são impulsionadas pelo otimismo contínuo sobre a recuperação econômica da China. A recuperação da China continental de dois ventos contrários estruturais (política de não proliferação de coronavírus e reforma do setor imobiliário) apoiará os preços do minério de ferro no curto prazo”, disse a agência de classificação em seu relatório. . Relatório trimestral sobre minério de ferro.

Ecoando a Fitch Ratings, outros observadores atribuíram o aumento à China.

“A recuperação da economia chinesa vai sustentar o preço do minério de ferro para um patamar entre US$ 110 e US$ 120 a tonelada neste ano. O problema é que não há muita dinâmica para um preço acima desse patamar, porque a atividade econômica em países fora da China ainda está fraca, devido às pressões inflacionárias e ao aumento das taxas de juros”, disse José Carlos Martins, CEO da produtora brasileira de minério de ferro Cedro Mineraço, à BNamericas.

No início deste ano, analistas de mineração do banco local Itaú BBA elevaram sua previsão de preço do minério de ferro para US$ 1.157/t até o final de 2023, de US$ 105/t anteriormente, citando também a recuperação na China como um dos principais motivos.

Depois de crescer 3% em 2022, a economia da China deve crescer 5,2% este ano, de acordo com o último relatório de perspectivas globais do Fundo Monetário Internacional.

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A tendência de alta dos preços do minério de ferro ajudará a aumentar o superávit comercial do Brasil neste ano, que é o segundo maior produtor de exportação do país, atrás apenas da soja.

A perspectiva mais positiva também forneceria impulso suficiente para vários projetos importantes de minério de ferro avançarem, embora analistas alertem que ainda há alguns riscos.

“Grandes projetos de minério de ferro no Brasil estão sendo executados por grandes empresas. Esses projetos não sofrem muito com os efeitos das altas taxas de juros porque as empresas responsáveis ​​são grandes geradoras de caixa e usam seu próprio dinheiro para financiá-los. Atualmente, o principal problema com o andamento dos projetos de minério de ferro não está nas finanças – as empresas têm caixa -, o grande problema hoje é o processo de licenciamento ambiental”, afirmou, destacando que as licenças no país são muito lentas e rígidas.

As despesas de capital combinadas das mineradoras brasileiras devem chegar a US$ 50 bilhões em 2023-27, de acordo com o consórcio nacional de mineração Ibram. Também é esperado que investimentos da ordem de US$ 16,9 bilhões sejam destinados a projetos de minério de ferro nesse período.

Grandes projectos

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A Vale, maior produtora de minério de ferro do Brasil, planeja investir US$ 6 bilhões em suas operações este ano, ante US$ 5,4 bilhões no ano passado.

Parte desse valor será destinado ao avanço das iniciativas Serra Sul 120 e Capanema.

A Serra Sul 120 está localizada em Canaã dos Carajás, no estado do Pará. O projeto consiste em aumentar a capacidade da planta de mineração S11D em 20 milhões de toneladas por ano para 120 milhões de toneladas por ano e envolve um capital total de US$ 1,5 bilhão, segundo o banco de dados BNamericas. A produção está prevista para começar no segundo semestre de 2025.

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O projeto Cabanima está localizado nos municípios de Santa Bárbara, Ouro Preto e Itapirito no estado de Minas Gerais. A iniciativa, que faz parte do Complexo Mineiro de Mariana, envolve a revitalização da mina, que parou de funcionar em 2003. O minério será extraído pelo site Timbopeba.

O desenvolvimento representa um investimento total de US$ 913 milhões, de acordo com o banco de dados BNamericas, com início de operação previsto para o primeiro semestre de 2025.

CSN

A siderúrgica brasileira CSN e sua subsidiária de mineração de minério de ferro CSN Mineração levantaram recentemente US$ 1,4 bilhão para avançar na construção de uma nova usina de pellet feed na mina de minério de ferro Casa de Pedra, em Minas Gerais.

“Esta operação visa apoiar as empresas em seus projetos de construção de uma nova planta de pellet feed (P15) na mina de Casa de Piedra, com o objetivo de garantir o fornecimento de minério de ferro de alta qualidade a seus clientes e auxiliar em sua estratégias de descarbonização”, disseram as duas empresas em comunicado conjunto.

O P15 é um dos principais projetos de minério de ferro no Brasil, com previsão de início no 4T25 e capacidade de produção de 15 Mtpa.

Em dezembro, a CSN Mineração anunciou investimentos de R$ 13,8 bilhões (US$ 2,8 bilhões) para 2023-27. Com os investimentos, a empresa busca aumentar a produção e as compras de minério de ferro de terceiros de 34 milhões de toneladas no ano passado para 68 milhões de toneladas em 2027.

bamen

A Bahia Mineração (Bamin), subsidiária do Eurasian Resources Group no Cazaquistão, está investindo RO 20 bilhões em um projeto plurianual para atingir a produção de 26 milhões de toneladas por ano de minério de ferro até 2026.

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Os investimentos da Bamin incluem o desenvolvimento da mina de Pedra de Ferro em Caetité, estado da Bahia, juntamente com a construção de uma ferrovia e um terminal portuário.

A mina de Pedra de Ferro iniciou a produção em 2021 com uma produção inicial de 1,07 mtpa e a Bamin espera atingir uma produção de 26 mtpa em 2026, quando a ferrovia FIOL e Porto Sul entrar em operação.

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