O presidente brasileiro Lula apresentará uma política de recuperação de pastagens na COP28

BRASÍLIA (Reuters) – Um plano para restaurar pastagens degradadas na potência agrícola do Brasil será formalmente anunciado como política governamental e apresentado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na cúpula climática COP-28 em Dubai, disse uma autoridade.

Carlos Agustin, assessor especial do ministro da Agricultura, Carlos Favaro, disse à Reuters que o plano que está sendo elaborado pelo Ministério da Agricultura foi submetido a Lula para aprovação.

Caso contrário, espera-se que seja anunciado oficialmente em 22 de novembro, antes da realização da cimeira na semana seguinte.

O momento coincide com os esforços do Brasil, que também é o maior produtor e exportador mundial de açúcar, café e suco de laranja, e o maior fornecedor de frango, para melhorar seu histórico ambiental enquanto o país se prepara para novas regulamentações da União Europeia que proíbem produtos ligados a desmatamento.

Augustin disse que a nova política visa dar aos agricultores incentivos financeiros para comprar ou arrendar terras degradadas, a maior parte das quais são actualmente utilizadas para a pecuária de baixa tecnologia.

Como parte desta iniciativa, o Banco BNDES de Desenvolvimento poderia estabelecer um fundo para atrair capital estrangeiro, que por sua vez poderia ser direcionado para esforços de restauração de terras.

“Temos milhões de hectares de terras degradadas e improdutivas, que podemos restaurar”, disse Lula durante uma reunião com o lobby esmagador de soja Abiouf esta semana.

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A produção de soja e carne bovina no Brasil, o maior fornecedor mundial de ambas, está frequentemente ligada ao desmatamento em biomas ameaçados, como a Amazônia e o Cerrado.

Segundo Augustin, o Brasil tem 200 milhões de hectares de terras destinadas à pecuária e 200 milhões de cabeças de gado, o que é uma média baixa.

Embora alguma pecuária seja mais produtiva, grande parte desta terra está praticamente não utilizada.

“Se duplicarmos esta média, teremos 100 milhões de hectares para agricultura com a mesma produção pecuária”, disse.

A proposta do governo deverá aumentar a produtividade geral da terra no país, evitando a necessidade de expandir o uso da terra e permitindo que o Brasil produza mais alimentos em áreas já disponíveis.

De acordo com Augustin, a administração pretende que os agricultores invistam na restauração do solo, utilizem factores de produção biológicos e promovam a agricultura directa e outras técnicas sustentáveis ​​para serem elegíveis para empréstimos subsidiados ao abrigo da política.

Japão, Coreia do Sul, China e Arábia Saudita, como importadores de alimentos brasileiros, têm demonstrado interesse em apoiar investimentos deste tipo.

“É também uma questão de segurança alimentar. O mundo está interessado em aumentar a produção de alimentos.”

(Reportagem de Lisandra Paraguaso) e redação de Ana Mano; Editado por David Gregório

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