Clima desastroso no Brasil gera uma onda de teorias da conspiração

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Níveis históricos de chuvas e inundações no sul do Brasil, como podem ser vistos nesta imagem aérea sobre Porto Alegre em 6 de maio de 2024, alimentaram uma onda de teorias da conspiração.

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Níveis históricos de chuvas e inundações no sul do Brasil, como podem ser vistos nesta imagem aérea sobre Porto Alegre em 6 de maio de 2024, alimentaram uma onda de teorias da conspiração.

A catástrofe climática que atingiu o sul do Brasil, matando mais de cem pessoas e deslocando quase dois milhões, também deu origem a uma onda de teorias de conspiração bizarras, algumas das quais incluem rastos de fumos de jatos e antenas meteorológicas no remoto Alasca.

Como acontece frequentemente em tempos de desastre e de grande incerteza, muitas destas teorias espalharam-se nas redes sociais.

Uma mulher da plataforma conhecida como X disse: “O que está acontecendo no Rio Grande do Sul definitivamente não é normal. Vamos abrir os olhos!”

Ela culpou o chamado HAARP – Programa de Pesquisa Auroral Ativa de Alta Frequência – projeto americano que estuda a ionosfera usando enormes antenas no Alasca.

Outras pessoas postaram fotos de aviões sobrevoando o estado do Rio Grande do Sul, duramente atingido no Brasil, dizendo que os rastros de condensação deixados pelos aviões continham produtos químicos tóxicos como parte de um programa governamental secreto e nefasto.

Juntas, estas teorias pintam um quadro sinistro que, de uma forma ou de outra, nega as alterações climáticas, ao mesmo tempo que culpa governos e instituições científicas que supostamente orquestram “tragédias planeadas” por motivos misteriosos.

Estas teorias ignoram o esmagador consenso científico de que as alterações climáticas são quase certamente a causa do aumento global de fenómenos meteorológicos extremos.

O que dizem os cientistas?

Carlos Nobre, que dirige o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Mudanças Climáticas (INCT) do Brasil, listou o que os cientistas acreditam estar por trás das recentes chuvas catastróficas: um sistema de baixa pressão é bloqueado por um sistema de alta pressão no Centro-Oeste e Sudeste, causando persistente frentes. Clima frio na região, mesmo que o vapor d’água que flui da Amazônia contribua para níveis históricos de precipitação.

O aquecimento global exacerbou esta situação, disse Nobre, acrescentando que “uma atmosfera mais quente pode armazenar mais vapor de água, levando ao aumento da frequência e intensidade das chuvas que levam a desastres como este”.

O governo brasileiro concorda: o presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou esta tragédia um “alerta” para o planeta Terra.

Em contraste, o seu antecessor – o presidente de extrema direita Jair Bolsonaro – enfraqueceu a aplicação das leis ambientais e minimizou o impacto das alterações climáticas.

No entanto, um estudo recente do Quest Polling Institute descobriu que quase todos os brasileiros acreditam que as mudanças climáticas são, pelo menos parcialmente, responsáveis ​​pelo desastre no Rio Grande do Sul.

“Não há sentido físico”

No entanto, as teorias da conspiração que outrora poderiam ter sido rejeitadas ganharam nova vida no meio do enorme desastre ambiental que atingiu a região.

Os utilizadores das redes sociais têm partilhado teorias que foram desacreditadas durante anos nos EUA, ligando condições meteorológicas extremas a “rastros químicos” de aeronaves e a um alegado programa secreto do Projecto HAARP.

Uma alegação é que o governo está a utilizar aviões a jacto para espalhar produtos químicos tóxicos que são depois activados por poderosas antenas no Alasca, mudando o clima e provocando desastres climáticos.

No entanto, o processo por trás dos “rastros químicos” dos aviões a jato já é compreendido há muito tempo: os motores a jato deixam rastros visíveis de vapor de água condensado, bem como pequenas quantidades de fuligem e poluentes.

O projecto HAARP, originalmente parcialmente financiado pelo Exército dos EUA, é agora gerido pela Universidade do Alasca, em Fairbanks, onde os cientistas utilizam antenas de transmissão de rádio de alta potência para estudar a ionosfera, sem a capacidade de manipular o clima.

Nobre, como muitos outros cientistas, diz que as teorias sobre o HAARP “não fazem nenhum sentido físico”.

“Não há como um instrumento ionosférico tornar os eventos climáticos mais extremos”, disse ele.

‘O que é real’

As teorias da conspiração têm maior probabilidade de serem difundidas por grupos organizados “em busca de público, renda e influência”, disse Raquel Requero, especialista em comunicação social da Universidade Federal de Pelotas, no Rio Grande do Sul.

Tais teorias encontram terreno fértil quando as pessoas estão desesperadas por explicações – por mais improváveis ​​que sejam – para algum fenómeno profundamente perturbador.

Ela acrescentou que as ideias criam raízes quando se misturam com questões que dizem respeito às pessoas, como o “discurso político e religioso”.

Mas ela disse que embora tenda a promover crenças conservadoras e extremistas, não pode estar ligada a um único movimento político.

Requero disse que a confiança das pessoas nos pilares básicos da democracia está a ser corroída por estes ataques às autoridades governamentais, aos académicos e à imprensa, todos acusados ​​de manipular a verdade.

Ela disse que o desafio é aumentar a consciência pública sobre o que está acontecendo e ajudar as pessoas a entenderem “o que é certo e o que é errado”.

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