Mario Zagallo, vencedor da Copa do Mundo com o Brasil como jogador e técnico, morreu aos 92 anos

Mario Zagallo, que conquistou duas Copas do Mundo como jogador, uma como técnico e outra como auxiliar técnico da Seleção Brasileira, morreu no dia 5 de janeiro em um hospital do Rio de Janeiro. Ele tinha 92 anos.

Um comunicado médico disse que Zagallo morreu de falência múltipla de órgãos.

Ele foi a primeira pessoa a vencer uma Copa do Mundo como jogador e treinador, bem como a única pessoa a conquistar quatro títulos de Copa do Mundo em diferentes funções. Ele foi o último membro sobrevivente da equipe titular do Brasil em sua primeira vitória no torneio em 1958.

Uma das figuras mais carismáticas e supersticiosas do futebol brasileiro, ele era conhecido por seu carinho pelo número 13 e pelo uso constante da frase “Você tem que ter paciência comigo” – um refrão alto para os especialistas.

Zagallo disse que o número 13 era o seu número da sorte porque tinha os dois últimos dígitos do seu ano de nascimento: 1931. Ele sempre destacou qualquer ligação, por mais coincidente que fosse, entre o número 13 e seus sucessos no futebol.

Zagallo desempenhou um papel importante em quase todos os capítulos importantes da história do futebol brasileiro, desde o título da Copa do Mundo de 1958 até o torneio que sediou em 2014. O ex-técnico brasileiro Tite o visitou para ouvir seus conselhos antes de liderar o time em 2018 e 2022. Copas do Mundo. (A França foi campeã em 2018, a Argentina em 2022.)

Ele foi o atacante do Brasil na conquista da Copa do Mundo de 1958 na Suécia e de 1962 no Chile, e foi um dos primeiros jogadores a desempenhar a função de falso ala, atuando entre meio-campistas e atacantes.

Zagallo parou de jogar profissionalmente em 1965 e iniciou sua carreira de treinador no FC Botafogo, no Rio de Janeiro, no ano seguinte. Foi nomeado técnico da seleção em 1970, antes da Copa do Mundo do México, e herdou uma equipe que incluía Pelé, Jairzinho, Gerson, Roberto Rivelino e Tostão. O Brasil derrotou a Itália por 4 a 1 na final, tornando-se o primeiro tricampeão do torneio.

Ele também treinou o Brasil em 1974, mas sem Pelé o time terminou em quarto lugar.

Zagallo era assistente técnico de Carlos Alberto Parreira quando o Brasil venceu a Copa do Mundo de 1994 nos Estados Unidos, derrotando novamente a Itália na final. Parreira disse diversas vezes que sentia como se o time tivesse dois treinadores, e tal foi a influência que Zagallo teve em seu time.

Ele voltou ao cargo quatro anos depois, na final da Copa do Mundo na França, quando o Brasil perdeu por 3 a 0 para o país anfitrião, em uma final marcada pelas convulsões inexplicáveis ​​do atacante Ronaldo antes da partida. Zagallo foi criticado por permitir que Ronaldo jogasse.

“Os médicos o liberaram para jogar”, disse Zagallo. “Qualquer pessoa na minha posição teria feito a mesma coisa. Não seria eu quem o impediria de jogar a final da Copa do Mundo.”

Sua última função como técnico da seleção nacional foi como auxiliar de Parreira em 2006. O Brasil era o favorito antes do torneio para conquistar o sexto título da Copa do Mundo na Alemanha. Mas o time comandado por Ronaldinho, Kaká, Ronaldo e Adriano caiu para a França nas quartas de final.

O feito de Zagallo de vencer a Copa do Mundo como jogador e técnico foi posteriormente igualado por Franz Beckenbauer com a Alemanha Ocidental (1974, 1990) e Didier Deschamps com a França (1998, 2018).

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O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, disse em seus canais de mídia social que o Sr. Zagallo era “um dos maiores jogadores e treinadores de futebol de todos os tempos” e “um símbolo de amor pela seleção nacional e pelo Brasil… corajoso, dedicado, apaixonado e dedicado.” “Fada.”

Zagallo foi um dos poucos treinadores que teve passagens de sucesso nos quatro clubes tradicionais do Rio – Flamengo, Fluminense, Botafogo e Vasco da Gama.

Começou a carreira como atacante no Club América do Rio de Janeiro e depois também jogou no Flamengo e no Botafogo, um dos poucos clubes brasileiros a rivalizar com o Santos de Pelé na década de 1960.

O Sr. Zagallo ficou hospitalizado por mais de um mês em 2005, após passar por uma cirurgia no estômago. Ele passou 12 dias no hospital pouco antes da Copa do Mundo de 2014 devido a uma infecção nas costas e recebeu alta a tempo de assistir ao jogo de abertura. Ele serviu como embaixador naquele torneio.

Zagallo ficou hospitalizado durante 22 dias em agosto do ano passado com uma infecção urinária. Ao voltar para casa no Rio, foi fotografado sentado em uma cadeira de rodas.

Ele escreveu em seus canais de mídia social, que encerrou com o slogan de sua carreira: “Estamos mais fortes do que nunca!” “Você terá que ter paciência comigo!”

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