Marcos brasileiros animam Festival de Cinema do Rio

O Festival de Cinema do Rio de Janeiro começa tendo como pano de fundo três grandes marcos: as eleições gerais de 5 de outubro; um pacote de financiamento governamental de US$ 540 milhões para 2014 para cinema e televisão, revelado pela presidente Dilma Rousseff no início de julho; e o impacto das novas regulamentações de TV de 2012, que obrigaram os canais de TV paga a transmitir 3,5 horas de conteúdo brasileiro por semana. Todos os três fatores motivam o Festival do Rio e o RioMarket.

O festival, que termina com a estreia mundial do thriller adolescente de Stephen Daldry, “Trash”, atraiu 250 mil espectadores em 2013 e está exibindo 350 filmes este ano em 30 salas de todo o Rio. É um dos maiores eventos cinematográficos da América Latina – uma poderosa porta de entrada para os crescentes mercados de cinema e televisão do Brasil e para uma indústria que está mais robusta do que nunca.

Nenhum outro festival na América Latina transmite tal sentimento para um país em meio a mudanças deliberadas na indústria. Vejamos o filme mais importante do Rio, a competição Premiere Brasil com 41 filmes: é o maior panorama do cinema brasileiro no mundo.

“O Brasil está numa encruzilhada, debatendo que tipo de país queremos que seja”, diz Ilda Santiago, codiretora do festival do Rio. “Após os documentários, os filmes de ficção examinam cada vez mais como o Brasil foi construído, para o bem e para o mal, ao longo do último meio século.”

Por exemplo, no filme Ópera, de Gregorio Graziosi, um arquiteto descobre ossos humanos em um canteiro de obras, o que implica sua família na guerra suja do Brasil; “O Outro Lado do Paraíso”, dirigido por André Restôme, narra o destino de um sindicalista no período que antecedeu a ditadura militar no Brasil, de 1964 a 1985. O thriller de Daniel Aragão, “Juro que estou saindo desta cidade”, é sobre “políticos”, diz Santiago e o processo político”.

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Os possíveis destaques da não-ficção incluem “Sunday Ball”, do aclamado documentarista Eric Ruscha, sobre como o futebol une comunidades marginalizadas, e “Point Blank”, de Teresa Jessarón, que se concentra na notoriamente violenta polícia do Rio.

Com o influxo de brasileiros nas cidades, o cinema brasileiro está finalmente abordando a vida nas grandes cidades, diz Santiago, citando a história de maioridade do garoto rico, “Casa Grande”, e “Ausência”, de Chico Teixeira.

Da mesma forma, à medida que aumenta o financiamento do cinema brasileiro, uma nova geração de cineastas está surgindo: metade dos 10 filmes de fantasia produzidos pela Premiere Brasil são estreias, incluindo o drama romântico Love Film Festival, que a escritora e diretora co-dirigiu Manuela Dias. .

Além disso, o Brasil busca cada vez mais fortalecer alianças produtivas. Um destaque do festival carioca de 2014 é o Mexico Focus, com a estreia latino-americana de “Words With Gods” e a série de TV com temática futebolística “Short Plays”, que traz grandes produtores mexicanos ao Rio.

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