Inundações no Brasil atingem forte setor agrícola

Vista aérea das enchentes em El Dorado do Sul, Rio Grande do Sul, Brasil, tirada em 9 de maio de 2024. Fotografia: Carlos Fabal/AFP
Fonte: Agência France-Presse

As enchentes no Brasil engoliram campos de soja e equipamentos agrícolas, cortando estradas, fazendas de gado e armazéns, no mais recente evento climático extremo que atingiu o gigante agrícola.

O estado inundado do Rio Grande do Sul é uma das maiores regiões produtoras de soja do Brasil, bem como uma importante região produtora de arroz, e ambas as culturas deverão sofrer inundações históricas.

“Num ano, sofremos uma seca e três inundações, incluindo esta, que atingiram níveis nunca antes vistos”, disse Nelvo Bossa, presidente da cooperativa local de pequenos agricultores.

“Não temos como chegar aos nossos campos, que ficam abaixo de quatro ou cinco metros (13 a 16 pés) de água”, disse ele da sua casa no topo da colina, observando os graves danos causados ​​pelas inundações que transformaram as ruas em rios. Deixou mais de 100 mortos.

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A região contava com uma colheita recorde de mais de 22 milhões de toneladas de soja este ano, mas condições climáticas extremas podem afetar até cinco milhões de toneladas da safra, disse Luiz Fernando Gutierrez, analista da consultoria agrícola Savras & Mercado.

Antes das chuvas, “um quarto dos campos de soja ainda precisava ser colhido”, acrescentou.

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“Uma parte das colheitas apodrecerá e será perdida, enquanto outras produzirão menos do que o esperado. As áreas de armazenamento também serão provavelmente afectadas.”

Embora o Brasil mantenha a sua posição como o maior produtor mundial de soja, que é utilizada na alimentação do gado, espera-se que as cheias tenham os seus efeitos nesta época.

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Já era esperado um declínio antes das cheias, devido às fortes chuvas anteriores e à seca no enorme centro-oeste do país.

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O Brasil é o maior exportador mundial de soja
O Brasil é o maior exportador mundial de soja. Fotografia: Sergio Lima/AFP/Arquivo
Fonte: Agência France-Presse

O Rio Grande do Sul também é o maior produtor brasileiro de arroz, produto básico do país, com 6,9 milhões de toneladas produzidas no ano passado.

Cerca de 15 por cento das culturas de arroz ainda não tinham sido colhidas antes das cheias, de acordo com o Instituto Regional de Assistência Técnica e Extensão Rural (IMATR).

Para resolver qualquer défice potencial e combater a especulação de preços, o governo do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou planos para importar arroz.

A cidade do Rio Grande do Sul tem visto grandes interrupções em sua rede de frigoríficos, com duas de suas 10 fábricas ainda paralisadas, segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal.

A região é responsável por 11% da produção de carne de frango do Brasil, o maior exportador mundial, e cerca de 20% da produção de carne suína, o quarto maior exportador mundial.

“Para restaurar o sector (agrícola), precisamos de um fundo de garantia apoiado pelo governo”, disse Gideo Pereira, presidente da Federação Regional da Agricultura.

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Especialistas associam as enchentes históricas e outras condições climáticas extremas que o Brasil testemunhou recentemente ao aquecimento global, que foi agravado pelo fenômeno climático El Niño.

O agrônomo Eduardo Asaad, que estuda os efeitos das mudanças climáticas na agricultura, disse que o Brasil “começará a sofrer perdas massivas de colheitas” se o setor não tomar medidas para proteger o solo e a biodiversidade.

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De acordo com um relatório publicado no ano passado pelo MapBiomas, um consórcio de ONGs e universidades brasileiras, as atividades agrícolas contribuíram para o desmatamento no Brasil em 95,7%.

Embora o governo Lula se vangloriasse de taxas mais baixas de desflorestação na vital floresta tropical amazónica no ano passado, os especialistas dizem que o país precisa de desenvolver um modelo agrícola mais sustentável que possa adaptar-se ao aquecimento global.

Fonte: Agência France-Presse

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