Demissão do presidente da estatal brasileira de petróleo

O CEO da Petrobras, Jean-Paul Prats (à esquerda), fala durante a cúpula do petróleo CERAWeek em Houston, Texas, em março de 2024. Fotografia: Marc Felix/AFP
Fonte: Agência France-Presse

O governo brasileiro anunciou na terça-feira a demissão do CEO da petrolífera estatal Petrobras.

A medida segue uma recente disputa entre a Petrobras e os acionistas sobre dividendos, levantando preocupações sobre a influência do governo na tomada de decisões na empresa de capital aberto.

Jean-Paul Prats, ex-senador e aliado do presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, foi “removido de seu cargo”, anunciou um porta-voz presidencial na noite de terça-feira.

Prats, advogado e economista, foi nomeado em janeiro passado pelo conselho da Petrobras, logo após a posse do esquerdista Lula para um terceiro mandato. Anteriormente, ele ocupou o cargo de 2003 a 2011.

Prats já atuou como senador pelo Rio Grande do Norte e foi membro do Partido dos Trabalhadores de Lula.

Um porta-voz presidencial disse mais tarde à AFP que Lula pretende nomear a ex-chefe reguladora Magda Chamberillard para ser o próximo CEO, enquanto se aguarda a aprovação do conselho de administração da empresa.

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Champyard chefiou a Agência Brasileira de Petróleo e Gás Natural (ANP) de 2008 a 2016, sendo a única mulher a ocupar esse cargo.

Ela serviu no governo de Lula e de sua sucessora, Dilma Rousseff, e também é membro do Partido dos Trabalhadores.

– Críticas duras –

Ao nomear Lula Prats para CEO, descreveu-o como um profissional do setor energético com 30 anos de experiência nos setores de petróleo, gás natural, biocombustíveis e energias renováveis.

Mas o homem de 55 anos tem enfrentado fortes críticas nos últimos meses, depois que a Petrobras anunciou que não pagaria mais dividendos extraordinários aos investidores, após o segundo maior lucro líquido já registrado no ano passado.

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O anúncio de março fez com que o preço das ações da empresa caísse e alguns analistas e opositores consideraram-no uma intervenção direta do governo.

Lula acusou repetidamente os executivos da Petrobras de pensarem apenas em satisfazer os acionistas do grupo, às custas dos consumidores.

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Prats disse na época no Canal X que era “legítimo” que o conselho se posicionasse “sob a direção do presidente” e de seus ministros.

Ele acrescentou: “Isso foi exatamente o que aconteceu” em relação à decisão sobre dividendos.

O conselho de administração da Petrobras finalmente aprovou o dividendo no final de abril.

A empresa confirmou em comunicado esta terça-feira que recebeu um pedido de reunião do Conselho de Administração relativamente à cessação antecipada do mandato de Prats.

O estado brasileiro possui pouco mais da metade do capital da Petrobras, sendo o restante propriedade de acionistas privados.

A empresa passou anteriormente por um período turbulento durante o mandato de quatro anos do antecessor de Lula, o presidente de extrema direita Jair Bolsonaro, que expressou forte oposição às políticas de preços da empresa.

Durante esse período, a empresa viu quatro CEOs mudarem em rápida sucessão.

Fonte: Agência France-Presse

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