Cinema Novo, um close do movimento que revolucionou o cinema brasileiro

Por que parece importante para você olhar para esse movimento?

A bagagem cultural do Novo Cinema é extremamente rica e fértil. Muitas vezes isso me vem à mente quando penso na situação atual do Brasil. Vejo esse movimento como um marco – uma combinação de poesia e política – em uma realidade em constante mudança, assim como o próprio Brasil. Cinema Novo Isto surgiu devido à minha necessidade de explorar a história cultural e política do meu país.

Por que representou uma virada na história do cinema brasileiro?

Os filmes que produziu ajudaram a criar uma certa imagem do Brasil no mundo. Tinha algo em comum com a maioria dos movimentos de vanguarda. Foi muito poderoso – intelectual e visualmente – e espalhou uma abordagem revolucionária da realidade para a época. Uma nova geração de cineastas nasceu neste contexto de euforia política e cultural que atingiu o seu auge na década de 1960. Inventaram uma nova forma de fazer filmes – uma nova abordagem, em que o cinema saía às ruas e confrontava a população cara a cara, o que levantava a questão de um novo fervor político que combinasse revolução e arte.

“O Cinema Novo encapsulou um país em plena mudança e deu-lhe uma nova linguagem.”

Qual é o legado do Cine Novo no Brasil hoje?

Acho que o movimento deixou uma impressão muito profunda e contribuiu para a essência do país hoje. Ele deixou um legado para as novas gerações – um estado de espírito dominado pela coragem e criatividade. Os filmes feitos durante os anos do movimento foram movidos por um senso de urgência muito atual. A necessidade de refletir ao máximo a realidade criou uma nova forma de fazer filmes, com uma ideia na cabeça e uma câmera na mão. Esses filmes ignoraram as fronteiras entre ficção e documentário. O Cinema Novo testemunhou a transformação de um mundo rural para uma sociedade urbana, de terras atingidas pela seca para favelas. Ele resumiu um país em plena mudança e deu-lhe uma nova linguagem.

Quais foram seus passos para trabalhar no documentário?

O Cinema Novo foi produzido em grande parte na sala de edição. A edição em si, que durou nove meses, está no centro do filme. Usamos mais de 130 arquivos diferentes para criar a narrativa. Essa coleção de pequenos trechos do filme se reuniu em uma melodia que formou a espinha dorsal da nossa história.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *