Brasil capta US$ 2,25 bilhões em seu primeiro título soberano em dólar desde 2021

(paráfrase com detalhes de preços do Tesouro)

Escrito por Marcela Ayres

BRASÍLIA (Reuters) – O Tesouro do Brasil disse nesta quarta-feira que captou 2,25 bilhões de dólares em uma oferta de títulos soberanos em dólares dos Estados Unidos de 10 anos, depois que o governo acalmou as preocupações dos investidores na semana passada com sua proposta de nova política fiscal.

O Tesouro disse que a emissão, que marcou o retorno do Brasil ao mercado offshore depois de mais de um ano e meio, foi cotada a um rendimento de 6,15%, confirmando detalhes relatados anteriormente pela Reuters.

Duas fontes disseram à Reuters que a demanda dos investidores excedeu a subscrição em cerca de três vezes e meia, para US$ 7,7 bilhões, depois de inicialmente ter atingido US$ 8,5 bilhões.

O Tesouro afirmou que está acompanhando o mercado e que o “bom momento” permitiu a concretização da operação na quarta-feira, com o objetivo de aumentar a liquidez na curva de juros soberanos e servir de referência para as emissões de dólares corporativos.

O Ministério das Finanças do Brasil divulgou na semana passada sua proposta de novas regras fiscais para equilibrar as restrições ao crescimento dos gastos com promessas de impulsionar programas sociais, há muito tempo preocupando os mercados financeiros locais sobre um potencial aumento da dívida pública.

As taxas de juros de longo prazo caíram ao longo da curva de juros no Brasil desde que o ministério fez a proposta.

“O mercado gostou da discussão inicial da estrutura financeira… então o mercado reagiu bem (à nova emissão de títulos)”, disse Luciano Ferris, economista e diretor financeiro da Somus Capital.

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A operação foi liderada pelo Bank of America, BNP Paribas e Morgan Stanley. A última vez que o Brasil emitiu dívida externa foi em junho de 2021, quando levantou US$ 2,25 bilhões.

O governo de Lula prometeu emitir títulos em moeda estrangeira atrelados ao meio ambiente, mas a emissão de quarta-feira não foi o tão esperado “título verde”, embora o Tesouro tenha confirmado que ainda pretende finalizar a estrutura ESG para uma emissão sustentável de títulos. A conclusão do processo está prevista para o segundo semestre de 2023.

Funcionários do Tesouro disseram à Reuters que o primeiro título verde provavelmente levantará cerca de US$ 2 bilhões, possivelmente divididos em duas parcelas. (Reportagem de Marcela Ayres; Reportagem adicional de Luana Maria Benedetto em São Paulo; Edição de Brad Haynes e Richard Chang)

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