Atividade econômica brasileira caiu mais que o esperado em agosto

O índice de atividade econômica do banco central (IBC-Br), um termômetro do ritmo de crescimento do Brasil, caiu 0,77% em agosto, um declínio um pouco pior do que o esperado pelos mercados. As expectativas médias variaram entre quedas entre 0,6 e 0,65 por cento.

O resultado de Julho também foi revisto de 0,44 para 0,42 por cento, elevando a taxa de crescimento de 12 meses para 2,82 por cento – uma queda de mais de um ponto percentual em relação aos 12 meses até Junho. O resultado confirma desaceleração da economia brasileira no terceiro trimestre de 2023.

Este ano, o IBC-Br subiu 3,06% até agosto – e é a visão de longo prazo do índice que interessa à maioria dos economistas, porque tende a refletir com mais fidelidade o verdadeiro desempenho económico de um país. O crescimento real da economia brasileira, medido pelo IBGE, foi de 1,8% no primeiro trimestre, impulsionado pelo agronegócio do país e pela abundante colheita de soja, e 0,9% no segundo trimestre, graças a uma recuperação nos gastos das famílias e na produção de serviços.

O IBC-Br inclui agentes ligados ao monitoramento do volume de produção nas áreas de agricultura, indústria e serviços, além de um indicador que monitora o volume de impostos arrecadados.

Para alguns economistas, este abrandamento está a pressionar o Comité de Política Monetária do banco central para continuar os cortes na taxa de juro de referência, apesar do recente aumento inflacionista e das novas incertezas internacionais em torno da guerra israelo-palestiniana e dos preços do petróleo.

Há um mês, o comité reduziu a taxa de juro Selik para 12,75 por cento anualmente e indicou que cortes da mesma dimensão poderiam ser esperados em reuniões subsequentes, indicando que a política monetária permanecerá contraccionista.

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Atualmente, o banco central espera um crescimento de 2,9% na atividade doméstica em 2023, enquanto o governo federal espera uma expansão de 3,2% no PIB do país – uma visão um pouco mais otimista do que a das instituições consultadas no relatório Focus semanal da autoridade monetária. A última previsão mediana para o PIB do Brasil em 2023 é de 2,92%.

Entretanto, as expectativas de inflação baseadas no mercado para 2023 e 2024 ainda pairam acima das metas governamentais, em 4,75% e 3,88%, respetivamente.

Depois de um bom começo, o PIB do Brasil deverá desacelerar ao longo do segundo semestre do ano, com o setor manufatureiro continuando a oscilar e a agricultura e os serviços perdendo terreno.

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