A economia brasileira deverá acelerar no primeiro trimestre

Escrito por Gabriel Borin

BUENOS AIRES (Reuters) – A economia do Brasil deverá acelerar no primeiro trimestre do ano, impulsionada por um aumento nos gastos federais que contribuiu para o aumento dos gastos das famílias e do investimento privado, mostrou uma pesquisa da Reuters.

A aceleração representaria uma melhoria acentuada durante o segundo semestre de 2023, quando a economia estagnou, com o consumo e as despesas de capital a ficarem sob a influência de taxas de juro muito elevadas, que desde então foram reduzidas.

O PIB deverá aumentar 0,8% no período janeiro-março em comparação com os últimos três meses do ano passado, de acordo com a estimativa média de 25 economistas consultados entre 29 de maio e 3 de junho.

Em comparação com o primeiro trimestre de 2023, a maior economia da América Latina deverá crescer 2,2%, com estimativas variando entre 1,1% e 2,8%. Os dados serão publicados na terça-feira.

Os gastos neste período foram apoiados por um mercado de trabalho relativamente saudável, bem como pelo impacto positivo dos pagamentos de indenizações por ordem judicial e de benefícios sociais mais elevados do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Os analistas da Morgan Stanley escreveram num relatório que esperam uma expansão “impulsionada pelo consumo privado, um produto do forte impulso fiscal implementado no final do ano passado, devido aos pagamentos de créditos de dívida”.

Entretanto, espera-se que o investimento reflita alguma melhoria após a redução dos fluxos diretos estrangeiros em 2023. Mas as transações internacionais líquidas deverão ser subtraídas do PIB, com o crescimento dos défices nos serviços e nas contas de fatores.

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Do lado da oferta, a actividade económica pode ter sido impulsionada por um salto sazonal na produção agrícola, especialmente no Rio Grande do Sul, pouco antes do início das chuvas e inundações catastróficas que atingiram o sul do estado em Abril.

“Para todo o ano de 2024, esperamos um crescimento do PIB de 2,2%, ajustado pelos impactos negativos na atividade gaúcha que devem começar a aparecer nos dados a partir de maio”, escreveram analistas do Quinetro em relatório.

“A desaceleração gradual em comparação com o ano passado refletirá principalmente o declínio na agricultura, a política monetária restritiva e a menor motivação fiscal”, acrescenta o relatório. O Brasil encerrou 2023 com um crescimento econômico de 2,9%, desafiando as previsões sombrias.

Prevê-se agora que exceda novamente as baixas expectativas iniciais este ano, apesar da aparente contracção. No mês passado, o Ministério das Finanças elevou a sua estimativa de crescimento económico de 2,2% para 2,5%, ao mesmo tempo que aumentou as previsões de inflação para 2024 e 2025.

Em contraste, o crescimento este ano atingiu apenas 1,6% em Janeiro, no meio de um cabo de guerra entre o governo e alguns legisladores sobre qual o sector que deveria suportar os custos dos ajustamentos necessários para alcançar objectivos orçamentais ambiciosos.

(Reportagem e pesquisa de Gabriel Borin; edição de Chizuo Nomiyama)

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