Postagem de convidado: Como mudar a dieta da carne bovina poderia reduzir as emissões do Brasil

Os sistemas alimentares são responsáveis ​​por cerca de um terço das emissões mundiais de gases com efeito de estufa – e a carne bovina é responsável Maior pegada de carbono De qualquer comida.

Ficar longe de carne bovina e outras carnes vermelhas tornou-se popular cada vez mais visto Como uma parte importante da mitigação das emissões relacionadas com os alimentos.

Mas tais mudanças podem ser Consequências não-intencionaisEspecialmente para países que dependem fortemente da produção e exportação de carne bovina.

Em nosso novo estudo publicado em Economia ambientalexaminamos os efeitos da redução gradual do consumo de carne bovina no Brasil nas emissões e na economia do país.

Usando um modelo econômico, descobrimos que a redução do consumo médio de carne bovina, de acordo com as recomendações de saúde, poderia ser responsável por até um terço da mitigação potencial mundial de mudanças na dieta (de acordo com a ONU) – com pouco impacto na economia geral do Brasil.

Potencial de mitigação

Pesquisas mostraram Uma mudança para dietas baseadas em vegetais poderia contribuir para mitigar as alterações climáticas e melhorar a saúde humana.

Produção de carne e alimentos de origem animal emitir mais gases de efeito estufa e consome mais recursos hídricos e terrestres do que a produção de alimentos vegetais.

A produção de alimentos de origem animal também leva… Perda de calorias Parte inferior da cadeia alimentar. A quantidade de calorias contidas em um animal que um ser humano consome é muito menor do que o total de calorias na alimentação desse animal.

Por exemploPara cada 100 calorias utilizadas para sustento e crescimento em animais, os humanos obtêm entre 17 e 30 calorias a partir do consumo de carne. Essa perda durante o processo de criação, processamento e consumo dos animais se deve a diversos fatores, incluindo processos digestivos ineficientes e a atividade física dos próprios animais.

De acordo com o Relatório Especial de 2019 sobre Alterações Climáticas e Solos de Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (Painel Intergovernamental sobre Alterações Climáticas), as mudanças nutricionais têm o potencial de mitigar até 8 mil milhões de toneladas de equivalentes de dióxido de carbono (GtCO2e) em todo o mundo, todos os anos, até 2050.

Vista aérea de drone de vários bovinos pastando em uma fazenda de gado na Amazônia, Pará, Brasil.  Crédito: Paralaxis / Alamy Stock Photo
Vista aérea de drone de vários bovinos pastando em uma fazenda de gado na Amazônia, Pará, Brasil. Crédito: paralisia/ Álbum de fotos científicas.

No Brasil, aproximadamente 60% dos As emissões anuais do país Decorre da mudança no uso da terra e da agricultura. Ele é um dos Os maiores produtores de carne bovina No mundo.

Além disso, a procura mundial de carne bovina é Diretamente vinculado Ao desmatamento na região amazônica, onde as florestas são derrubadas para dar lugar à pecuária. É também uma preocupação global, dada a importância da Amazônia como reservatório de carbono.

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Reduzir o consumo de carne bovina

A redução do consumo de carne vermelha é fundamental não só para mitigar as emissões de gases com efeito de estufa, mas também para melhorar a saúde pública.

Estudos demonstraram que o consumo excessivo de carne pode levar a taxas mais elevadas de doenças cardiovasculares. Diabetes tipo 2 E Câncer colorretal. de acordo com pesquisar Segundo o World Cancer Research Fund e o American Institute for Cancer Research, o limite ideal para o consumo de carne vermelha – bovina, suína, cordeiro e cabra – é de 300 gramas por semana por pessoa.

O Brasil – juntamente com os Estados Unidos, Austrália e Argentina – excede a média recomendada de consumo per capita de carne. O consumo anual de carne bovina no Brasil chega a mais de 460 gramas por semana. De acordo com os dados de Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura E a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico.

Assim, no nosso estudo, pretendemos atingir o consumo per capita recomendado de carne bovina até 2050 – uma redução de 40% no consumo.

Testamos dois cenários para reduzir o consumo.

Primeiro, analisamos as mudanças relativas nos preços. Examinamos um caso em que os impostos sobre a carne bovina são aumentados ao longo do tempo, de uma taxa média de cerca de 8% em 2015 para cerca de 40% em 2050. (Os impostos atuais sobre a carne bovina variam no Brasil, com taxas específicas definidas em nível estadual). Neste cenário, consideramos o que aconteceria se o dinheiro deste imposto fosse alocado para subsidiar alimentos com baixo teor de carbono.

Em segundo lugar, analisamos as mudanças nas preferências dos consumidores. Isto pode exigir intervenções formais, tais como campanhas nos meios de comunicação e consideração da cultura, emoções e ética. No entanto, também pode ocorrer naturalmente. O nosso modelo não tem em conta os impulsionadores da mudança, mas reconhece que essa mudança ocorrerá lentamente.

apesar da existência Algum movimento Rumo a um declínio no consumo de carne devido à mudança nos gostos dos consumidores, este ainda é relativamente limitado e mais concentrado nos países desenvolvidos. As razões para esta mudança nas preferências podem incluir o aumento dos níveis de educação e de rendimento.

No entanto, no Brasil, a carne é vista como um alimento básico cultural. Além disso, as preferências regionais variam – por exemplo, há normalmente um elevado consumo de carne bovina nos Estados Unidos Região Norte do BrasilOnde está localizada a região amazônica.

Apesar da atenção internacional associar o consumo excessivo de carne bovina às mudanças climáticas e ao desmatamento da Amazônia no Brasil, essa atenção tem recebido pouca atenção. Impacto mínimo Sobre as preferências alimentares brasileiras.

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Efeitos de modelagem

Nosso estudo analisa os efeitos do declínio do consumo de carne bovina no mercado interno no Brasil.

Focamos nos impactos na economia do país como um todo, nos impactos em setores individuais como agricultura e indústria, nos impactos regionais e na redução do desmatamento nas regiões da Amazônia e Matubíba. Matopipa é uma região localizada no Cerrado, bioma cerrado onde a agricultura se desenvolveu nas últimas três décadas.

O mapa abaixo mostra como o Brasil está dividido entre a região Amazônica (verde), a região do Matopipa (laranja) e o restante do país (azul).

um mapa

O Brasil está dividido em três regiões: Amazônia Legal (verde), região do Matopipa (laranja) e restante do Brasil (azul).  As bordas pretas indicam a demarcação das fronteiras entre diferentes países.  Note-se que os estados do Maranhão (MA) e Tocantins (TO) pertencem tanto à região da Amazônia legal quanto à região do Matopipa.  Crédito: Dr. Terciani Sabbadini Carvalho
O Brasil está dividido em três regiões: Amazônia Legal (verde), região do Matopipa (laranja) e restante do Brasil (azul). As bordas pretas indicam a demarcação das fronteiras entre diferentes países. Note-se que os estados do Maranhão (MA) e Tocantins (TO) pertencem tanto à região da Amazônia legal quanto à região do Matopipa. Crédito: Dr. Terciani Sabbadini Carvalho

Realizamos um conjunto de simulações utilizando um modelo econômico para as duas regiões. No nosso modelo, presume-se que diferentes grupos – como consumidores e empresas, incluindo investidores, empresas agrícolas, indústrias e serviços alimentares – tomam as melhores decisões com base no que preferem e no que podem pagar. Para as empresas, as “melhores decisões” são aquelas que minimizam os seus custos, enquanto os consumidores procuram maximizar a sua “utilidade” ou satisfação.

Este modelo representa como funciona a economia, observando como as pessoas e as empresas se comportam, como interagem nos mercados e quando o mercado atingirá o equilíbrio – isto é, quando a oferta e a procura se equilibrarem.

Utilizamos o modelo para analisar os impactos das políticas e dos choques em diferentes setores, regiões e grupos. Apresentamos nossos resultados como desvios da trajetória de referência que pressupõe um consumo de carne bovina per capita constante até 2050, com o consumo total crescendo na mesma taxa que a população do Brasil.

É importante notar que a diminuição do desmatamento mostrada no modelo está relacionada à atividade agrícola, e não ao desmatamento associado à extração ilegal de madeira ou à grilagem de terras. No entanto, a carne bovina e outros produtos agrícolas Isso leva a cerca de 90% do desmatamento Atualmente no Brasil, é improvável que isso altere significativamente nossos resultados.

Estas últimas têm diferentes factores e podem ser prevenidas de forma mais eficaz através de uma maior monitorização ambiental, demarcação de terras e outros mecanismos que foram desenvolvidos e aplicados ao longo das últimas duas décadas.

Efeitos do desmatamento

Descobrimos que a redução do consumo de carne bovina em 40% entre 2022 e 2050 ajudaria a prevenir o desmatamento de cerca de 65 mil quilómetros quadrados – uma área maior que o Sri Lanka.

Também tem potencial para mitigar até 2,8 gigatoneladas de equivalente CO2 por ano, representando um terço do potencial total de mitigação para mudanças nos sistemas alimentares apresentado no Relatório Especial do IPCC sobre a Terra.

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Os gráficos abaixo mostram a quantidade de desmatamento evitado nas regiões Amazônia e Matupipa em comparação com o cenário de referência.

Cinza e verde claro indicam menores quantidades de desmatamento evitado e verde escuro indica maiores quantidades. Os mapas superior, médio e inferior mostram a redução do consumo de carne bovina através da mudança nas preferências dos consumidores, imposto sobre a carne bovina e imposto sobre a carne bovina com outros subsídios alimentares, respectivamente.

Evitar o desmatamento devido à transição nutricional no Brasil para o período 2022-2050.  O verde mais escuro (mais claro) indica maiores (menores) quantidades de desmatamento evitado, e o marrom indica áreas do Brasil que não fazem parte da Amazônia legal ou da região de Matibuba.  Os números dão o valor total em quilômetros quadrados.  No cenário A (superior), as dietas mudaram devido a mudanças nas preferências dos consumidores.  O cenário B.1 (meio) mostra uma mudança na dieta devido a um imposto sobre a carne bovina.  O Cenário B.2 (parte inferior) é semelhante ao Cenário B.1, mas a receita do imposto sobre a carne bovina é aplicada para subsidiar outros alimentos.  Fonte: Barzianello e Carvalho (2024)
Evitar o desmatamento devido à transição nutricional no Brasil para o período 2022-2050. O verde mais escuro (mais claro) indica maiores (menores) quantidades de desmatamento evitado, e o marrom indica áreas do Brasil que não fazem parte da Amazônia legal ou da região de Matibuba. Os números dão o valor total em quilômetros quadrados. No cenário A (superior), as dietas mudaram devido a mudanças nas preferências dos consumidores. O cenário B.1 (meio) mostra uma mudança na dieta devido a um imposto sobre a carne bovina. O Cenário B.2 (parte inferior) é semelhante ao Cenário B.1, mas a receita do imposto sobre a carne bovina é aplicada para subsidiar outros alimentos. Fonte: Barzianello e Carvalho (2024)

Além do desmatamento, estudamos os impactos que essas mudanças poderiam ter na economia brasileira.

As nossas conclusões sugerem que as mudanças alimentares resultantes de mudanças nas preferências quase não terão impacto no PIB brasileiro em 2050, fazendo com que este diminua 0,03% – em grande parte devido a um pequeno declínio no investimento.

Ajustar as dietas através do aumento dos impostos sobre a carne bovina levaria a aumentos globais nos custos, levando a menores exportações e PIB. Concluímos que o PIB cairia 0,64% neste cenário, com as exportações caindo 1,5%.

Contudo, no cenário em que as receitas fiscais da carne bovina são aplicadas a outros alimentos como subsídios, o PIB nacional cai apenas 0,18%, apesar de quedas semelhantes nas exportações.

Em todos os cenários, constatamos que os impactos económicos serão diferentes de uma região para outra do país. Em particular, afectará as regiões mais dependentes do sector pecuário e da carne de bovino, que são também as mais directamente afectadas pelas políticas fiscais propostas. No cenário de imposto sobre a carne bovina sem subsídios, dois estados do norte vêem um declínio do PIB de 3% ou mais.

Embora a redução do consumo de carne bovina pelos brasileiros traga benefícios ambientais e de saúde ao país, a redução das emissões não pode ser responsabilidade exclusiva do Brasil. Observamos que uma diminuição no consumo de carne bovina através de mudanças de preferência leva a um efeito negativo no preço interno da carne bovina.

Este declínio nos preços internos, por sua vez, favorecerá as exportações brasileiras de carne bovina, levando a menos diluição e menos desmatamento. Portanto, é crucial que esta mudança de hábito seja seguida por outras economias ao redor do mundo – especialmente aquelas que… A carne bovina brasileira é fortemente importadaIncluindo a China, os Estados Unidos e a União Europeia.

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