Ministro brasileiro pede liberalização ambiental enquanto distrai público do COVID

BRASÍLIA (Reuters) – Em um vídeo ordenado pelo Supremo Tribunal Federal nesta sexta-feira, o ministro do Meio Ambiente do Brasil, Ricardo Salles, pediu mais desregulamentação da política ambiental enquanto a pandemia de coronavírus distrai as pessoas.

FOTO DE ARQUIVO: O ministro do Meio Ambiente do Brasil, Ricardo Salles, assiste a uma cerimônia para assinar um memorando de entendimento sobre cooperação em sustentabilidade urbana com o administrador da Agência de Proteção Ambiental dos EUA, Andrew Wheeler (sem foto) em Brasília, Brasil, 30 de janeiro de 2020. REUTERS/ADRINO Machado/ Imagem do ARQUIVO

O vídeo da reunião de ministros veio à tona em uma investigação sobre se o presidente Jair Bolsonaro interferiu na nomeação de chefes de polícia federal para ganho pessoal.

Durante a reunião, outros ministros, incluindo Salles, conversaram com grupos ambientalistas dizendo que suas declarações provam que o governo de Bolsonaro busca sistematicamente desmantelar medidas de proteção ambiental.

“Precisamos fazer um esforço enquanto estamos neste momento de silêncio em termos de cobertura da imprensa, porque eles estão apenas falando sobre COVID, empurrando e mudando todas as regras e simplificando os padrões”, disse Salles no vídeo.

O desmatamento atingiu uma alta de 11 anos no ano passado e aumentou 55% nos primeiros quatro meses do ano, em comparação com um ano atrás, quando os ambientalistas culparam as políticas de Bolsonaro.

Bolsonaro pediu o desenvolvimento da Amazônia, dizendo que era necessário tirar as pessoas da pobreza e que a mídia injustamente demonizava.

Solicitado a responder ao vídeo, o Ministério do Meio Ambiente emitiu um comentário de Salles: “Sempre defendi a abolição da burocracia e a simplificação das normas, em todas as áreas, com bom senso e tudo dentro da lei. O emaranhado de leis irracionais dificulta os investimentos, a geração de empregos e, portanto, o desenvolvimento sustentável no Brasil”.

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No vídeo, Salles reclamou das objeções legais às propostas de mudanças nas regras ambientais, que o governo precisava de “artilharia” legal para defender as mudanças e deveria contornar o Congresso.

“Nós não precisamos do Congresso. Porque as coisas que precisam do Congresso, com o caos lá fora, não serão aprovadas.”

“Sales acredita que pessoas morrendo na fila dos hospitais são uma boa oportunidade para avançar com seu projeto antiambiental”, disse a porta-voz do Greenpeace Brasil, Luisa Lima, em comunicado.

Reportagem de Jake Spring. Reportagem adicional de Tatiana Bautzer e Gabriella Melo. Edição por Grant McCall

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