Lula conseguirá resolver a bagunça financeira do Brasil?

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an reparar Os impostos sobre o consumo aprovados pelo Congresso brasileiro em dezembro foram descritos como “históricos”, “revolucionários” e “milagrosos”. “Ninguém acreditava que isso seria possível”, gabou-se o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, conhecido como Lula, sob aplausos entusiásticos no Congresso. Pela primeira vez, os superlativos não estavam fora de lugar. Esta reforma, que levou mais de 30 anos a ser elaborada, simplificará o sistema fiscal mais complexo do mundo. Mas poderá o governo Lula resistir à pressão de grupos de interesses especiais para implementar integralmente este plano?

A reforma tributária é a mais recente e significativa de uma série de reformas estruturais no Brasil. Em 2017, as leis laborais foram atualizadas sob Michel Temer, o presidente de centro-direita. Sob o sucessor populista de direita de Temer, Jair Bolsonaro, o Congresso aprovou uma reforma previdenciária que aumentou a idade de aposentadoria. A onda de reformas está acontecendo porque “francamente, o Estado ficou sem dinheiro”, diz Tatiana Ribeiro, do Movimento Brasil Competitivo, um grupo de pesquisa e defesa. A profunda recessão de 2014 foi exacerbada pelo desperdício fiscal e levou a protestos massivos nas maiores cidades do Brasil.

Para entender por que a reforma tributária é revolucionária, vejamos o sistema atual. A Constituição, aprovada em 1988, deu aos três níveis de governo – federal, estadual e municipal – o poder de cobrar impostos sobre o consumo. Isso faz do Brasil uma anomalia. Dos 174 países que têm impostos sobre valor agregado (Imposto sobre o Valor Acrescentado), que é o imposto sobre o consumo mais comum, sendo a grande maioria cobrada a nível nacional. O Brasil é o único que atribui a responsabilidade pela tributação de serviços aos municípios e lhes dá um alto grau de liberdade sobre como fazê-lo. Como o Brasil tem um total de 27 estados e 5.570 municípios, o país se tornou um “hospício fiscal”, diz Melson da Nóbrega, ex-ministro da Fazenda.

Este sistema caótico gerou muitos processos judiciais. Em 2019, o Banco Mundial estimou que as empresas precisavam de 1.501 horas anuais para cumprir a legislação tributária brasileira, em comparação com uma média global de 234 horas. Muitas empresas não têm certeza de quais impostos devem pagar e a qual entidade. O valor dos casos atuais nos tribunais brasileiros envolvendo incentivos fiscais chega a mais de 5 trilhões de reais (US$ 1 trilhão), o equivalente a 75% da renda do país. produto Interno Bruto.

Muitas empresas recorrem à Justiça para reclassificar seus produtos para evitar impostos. A Crocs, fabricante de tamancos de plástico, trava uma batalha judicial desde 2015 para que seu principal produto seja reconhecido como “chinelos”, isentos de alguns impostos, em vez de “sapatos com sola e parte superior de borracha ou plástico”. incorreta.

O sistema fiscal também introduz distorções. Acusações inusitadas contra o Brasil Imposto sobre o Valor Acrescentado Onde o bem é produzido, não onde é consumido. Isso levou estados e cidades a oferecer incentivos fiscais para atrair empresas. É impossível determinar o seu custo, porque a maioria dos governos locais não o contabiliza. Mas não Fundo Monetário Internacional Estima-se que tais interrupções representem uma perda de receitas superior a 5% do produto Interno Bruto todo ano.

Pare de nos sufocar

O sistema também aumenta o custo de produção e prejudica o investimento. Muitos impostos no Brasil são cumulativos. Isto significa que as empresas que produzem bens têm de pagar impostos sobre cada factor de produção adquirido sem garantir um reembolso, como acontece noutros lugares. Produtos que são mais complexos de produzir, exigindo mais tecnologia e insumos, são desproporcionalmente sobrecarregados.

Sob o novo sistema, os cinco principais impostos sobre o consumo passarão a ser dois Imposto sobre o Valor Acrescentado Alíquotas: Uma é arrecadada pelo governo federal, a outra é arrecadada por um comitê gestor que inclui representantes de estados e municípios. As empresas agora terão apenas que se registrar na comissão, em vez de registrar e apresentar declarações fiscais em todos os estados e municípios em que operam.

A comissão harmonizaria os impostos entre regiões, acabando com o poder discricionário dos estados e municípios. Os impostos não serão mais cumulativos, os créditos de entrada serão automáticos e os impostos serão cobrados no momento da compra dos produtos. Simplificar significa padrão Imposto sobre o Valor Acrescentado A taxa poderá atingir 27,5% até ao final de 2033. Nessa altura, a reforma deverá entrar em pleno vigor.

Esta taxa ainda seria a mais elevada de qualquer grande economia, mas inferior aos 34% que podem ser aplicados hoje. qualquerDe acordo com os seus cálculos, uma empresa de serviços profissionais, o número típico de horas necessárias apenas para cumprir os impostos sobre o consumo cairá de 885 horas anuais para 285 horas.

Mas a batalha ainda não acabou. Embora a reforma reduza drasticamente o número de “regimes fiscais especiais”, muitas isenções permanecerão em vigor. O Congresso estabelecerá limites para isso nos próximos meses. Os lobistas estavam trabalhando duro. Os benefícios fiscais de Manaus, pólo industrial, permanecerão inalterados. As agroindústrias alcançaram uma redução de 60% nos seus insumos globais. “Profissões intelectuais” terão desconto de 30%. Isto inclui contabilistas, advogados e jornalistas, cujos empregos dependem do caos fiscal.

Lula e Fernando Haddad, o ministro da Fazenda, estão travando uma batalha difícil. Em novembro, Lula vetou um projeto de lei que estendia benefícios fiscais sobre a folha de pagamento a 17 setores, incluindo construção e comércio varejista. Este alívio foi introduzido a título temporário em 2012. Em vez de pagar um imposto de 20% sobre os salários para efeitos de segurança social, as empresas abrangidas por este regime apenas têm de pagar entre 1% e 4,5% das suas receitas totais.

Estudos demonstraram que os custos financeiros resultantes da isenção superam largamente quaisquer benefícios resultantes da criação de emprego. No entanto, a isenção foi constantemente renovada. Haddad procurou cancelar a ideia, dizendo que era muito cara. Mas em dezembro o Congresso derrubou o veto de Lula. A isenção agora permanecerá por mais quatro anos.

Às vezes pode parecer que o ferreiro também tem que lutar contra o chefe. Haddad tem sido repetidamente criticado pelo seu partido por tentar manter o sistema financeiro. Em 22 de janeiro, Lula anunciou uma nova política industrial que inclui a alocação de R$ 300 bilhões em subvenções e empréstimos subsidiados a empresas nacionais até 2026. Como parte do anúncio, o governo disse que poderia oferecer incentivos fiscais. Tais medidas minam a ideia de um sistema tributário simplificado.

“As elites brasileiras apoiam a reforma, desde que preserve os seus privilégios”, diz Nobrega. Para que a reforma fiscal seja verdadeiramente revolucionária, o Congresso deve reagir contra os lobistas que ajudaram a perpetuar o actual atoleiro.

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