Demissão do presidente da estatal brasileira de petróleo

Brasília, Brasil: O governo brasileiro anunciou na terça-feira a demissão do CEO da petrolífera estatal Petrobras. A medida segue uma recente disputa entre a Petrobras e os acionistas sobre dividendos, levantando preocupações sobre a influência do governo na tomada de decisões na empresa de capital aberto. Um porta-voz da presidência brasileira anunciou na noite de terça-feira que Jean-Paul Prats, ex-senador e aliado do presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, havia sido “removido de seu cargo”.

Prats, advogado e economista, foi nomeado em janeiro passado pelo conselho da Petrobras, logo após a posse do esquerdista Lula para um terceiro mandato. Anteriormente, ocupou o cargo de 2003 a 2011. Prats atuou anteriormente como senador pelo estado do Rio Grande do Norte e foi membro do Partido dos Trabalhadores de Lula.

Um porta-voz presidencial disse mais tarde à AFP que Lula pretende nomear a ex-chefe reguladora Magda Chamberillard para ser o próximo CEO, enquanto se aguarda a aprovação do conselho de administração da empresa. Champyard chefiou a Agência Brasileira de Petróleo e Gás Natural (ANP) de 2008 a 2016, sendo a única mulher a ocupar esse cargo.

Ela serviu no governo de Lula e de sua sucessora, Dilma Rousseff, e também é membro do Partido dos Trabalhadores.

Ao nomear Lula Prats para CEO, descreveu-o como um profissional do setor energético com 30 anos de experiência nos setores de petróleo, gás natural, biocombustíveis e energias renováveis. Mas o homem de 55 anos tem enfrentado fortes críticas nos últimos meses, depois que a Petrobras anunciou que não pagaria mais dividendos extraordinários aos investidores, após o segundo maior lucro líquido já registrado no ano passado.

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O anúncio de março fez com que o preço das ações da empresa caísse e alguns analistas e opositores consideraram-no uma intervenção direta do governo. Lula acusou repetidamente os executivos da Petrobras de pensarem apenas em satisfazer os acionistas do grupo, às custas dos consumidores.

Prats disse na época no Canal X que era “legítimo” que o conselho se posicionasse “sob a direção do presidente” e de seus ministros. Ele acrescentou: “Isso foi exatamente o que aconteceu” em relação à decisão sobre dividendos. O conselho de administração da Petrobras finalmente aprovou o dividendo no final de abril.

A empresa confirmou em comunicado esta terça-feira que recebeu um pedido de reunião do Conselho de Administração relativamente à cessação antecipada do mandato de Prats. O estado brasileiro possui pouco mais da metade do capital da Petrobras, sendo o restante propriedade de acionistas privados. A empresa passou anteriormente por um período turbulento durante o mandato de quatro anos do antecessor de Lula, o presidente de extrema direita Jair Bolsonaro, que expressou forte oposição às políticas de preços da empresa. Durante esse período, a empresa viu quatro CEOs mudarem em rápida sucessão. – Agência de imprensa francesa

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