A economia brasileira estagnou no ano passado. Lula culpa o aumento dos custos dos empréstimos

A economia do Brasil contraiu no quarto trimestre, mostraram dados oficiais na quinta-feira, somando-se à desaceleração do ano passado, quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a criticar o banco central pelo aumento das taxas de juros que impediram uma recuperação mais rápida.

A economia contraiu 0,2% no período de outubro a dezembro, em relação ao trimestre anterior, segundo o IBGE.

A queda no produto interno bruto, que lança uma sombra sobre as perspectivas de 2023 para o maior país da América Latina, correspondeu em grande parte às previsões de queda em uma pesquisa da Reuters com economistas.

Lula, que reiterou suas críticas ao banco central independente do país em entrevista à emissora local Band News FM na quinta-feira, alertou que o Brasil poderá “em breve” sofrer uma crise de crédito se as taxas de juros continuarem altas.

“Esse cidadão que não foi eleito para nada acredita que tem poder para decidir as coisas”, disse Lula, referindo-se ao presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto. “Este país não pode ser refém de um homem.”

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O diretor financeiro de Lula, Fernando Haddad, disse na quinta-feira que não esperava que a economia se contraísse novamente no atual trimestre, o que poderia representar uma recessão técnica, mas disse que a taxa básica de juros do Brasil de 13,75% estava prejudicando o crescimento econômico.

Ele disse que o governo está fazendo sua parte para abrir caminho para a flexibilização monetária após uma retomada parcial dos impostos federais sobre combustíveis para aumentar as receitas.

perda de impulso

A produção industrial do Brasil, maior economia da região, contraiu 0,3% nos últimos três meses do ano passado, enquanto os setores agrícola e de serviços cresceram 0,3% e 0,2%, respectivamente, segundo o IBGE.

Em relação ao mesmo período do ano passado, a economia brasileira cresceu 1,9% no quarto trimestre, ficando aquém da expectativa de alta de 2,2%.

No geral, o PIB cresceu 2,9% no ano passado, perdendo força com a expansão pós-pandemia em 5% em 2021.

A maior contribuição para o crescimento em 2022 veio do setor de serviços, que saltou 4,2%, seguido da indústria, que expandiu 1,6%. A economia foi afetada pela retração de 1,7% no setor agropecuário devido à menor produção de soja, principal cultura brasileira.

Pelo lado da demanda, o consumo das famílias aumentou 4,3%, enquanto os gastos do governo aumentaram 1,5%.

A economia ainda está perdendo força, disse João Savignon, chefe de pesquisa macroeconômica da Kinitro. Mas ele previu que a desaceleração poderia ser parcialmente compensada este ano pelos gastos do consumidor, bem como por um melhor desempenho do setor agrícola, levando a um crescimento projetado de 1,2% para 2023.

Economistas privados consultados pelo banco central esperam alta de 0,84% do PIB neste ano.

O crescimento econômico em 2022 foi impulsionado por um mercado de trabalho mais forte, bem como pelo estímulo fiscal promovido pelo ex-presidente Jair Bolsonaro antes de sua tentativa fracassada de reeleição.

Lula tem consistentemente argumentado que a economia está sofrendo com custos de empréstimos exorbitantes, que o banco central elevou ao máximo em seis anos para combater a inflação.

Economistas do Ministério da Fazenda alertaram em comunicado na quinta-feira que a atual taxa básica de juros é ruim tanto para o crédito bancário quanto não bancário, representando um risco para a atividade econômica este ano ao dificultar a rolagem de dívidas pelas empresas.

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Os economistas da SPE acrescentaram que o crescimento provavelmente será impulsionado por uma safra recorde de grãos prevista para este ano e um aumento do salário mínimo, bem como uma isenção de imposto de renda para trabalhadores de baixa renda.

(US$ 1 = 812,0500 pesos chilenos)

(Reportagem de Marcella Ayres). Edição por Chizu Nomiyama, Sharon Singleton, Andrea Ricci, Aurora Ellis e Leslie Adler

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