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Afinal, qual o impacto do lockdown?

Em meio à pandemia de coronavírus, os EUA vêm mantendo o estado de emergência na tentativa de limitar a propagação do vírus em solo americano. Porém, a medida vem perdendo força mediante o aumento das preocupações em torno da atividade econômica e à eminente escalada do desemprego.

 

Por Ernani Reis, para o Bem Mais Brasília 
Mundo | 29 de Março de 2020, 16h00

Foto: Reprodução/Internet 


Na última quinta-feira (26), o Departamento do Trabalho Americano divulgou a solicitação do seguro desemprego, apontando para um forte aumento de 3.283 milhões de pedidos iniciais ante a projeção de 1,5 milhão. O número marca um novo recorde para o mês de março, superando em quase cinco vezes a marca de 665 mil registrada em março de 2009, e o pico da chamada "Grande Recessão", na qual os pedidos de seguro desemprego chegaram a 695 mil.

Vale ressaltar que, na penúltima terça-feira (17), o secretário do Tesouro americano, Steven Mnuchin, declarou que, no pior cenário, a taxa de desemprego após a crise econômica provocada pelo coronavírus poderia chegar a 20% ainda este ano. Isso em um país que ostentava uma taxa de desocupação de 3,6% até o começo de março, o índice mais baixo nos últimos 50 anos.

Esse número, inclusive, era considerado um dos fatores que praticamente davam como certa a reeleição do presidente Donald Trump nas eleições de 2020. A previsão é tão ruim que, novamente, a título de comparação, superaria o auge da crise financeira de 2008, quando o desemprego alcançou 10% da população e se aproximaria do da "Grande Depressão" que se seguiu à quebra da bolsa de valores de 1929, quando a taxa mais alta registrada foi de 25%.

No entanto, havia quem projetasse um número ainda pior. O Citibank, por exemplo, previu um aumento de 4 milhões de reclamações de seguro-desemprego, o que não deixa de dar um sopro de esperança de que o pior talvez não se confirme.

De qualquer forma, os dados não deixam de validar as preocupações sobre o prolongamento do "toque de recolher", podendo resultar em uma crise pior que a de 2008 e custar milhões de postos de trabalho. Ainda assim, a discussão deve permanecer nos próximos dias e ganhar espaço conforme os números de infectados e mortos pela doença começarem a ceder.

O cálculo que envolve salvar vidas agora e prejudicar tantas outras com desemprego e falta de renda depois é cruel e realmente remete a um contexto de guerra, já citado por tantos governantes mundo afora. No entanto, não há outra coisa a se fazer a não ser tomar as medidas necessárias para conter a disseminação do vírus e pensar em minimizar os impactos econômicos agora e mais à frente, tendo em vista que a pandemia logo irá passar, já o seu efeito econômico deve permanecer por vários anos, visto que uma rápida retomada nos próximos meses é considerada cada vez mais improvável.

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