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Da Semente ao Fruto de Cada Pé

 

 

Em uma coluna que trata sobre uma boa prosa e café, nada mais natural que prestar homenagens ao grão que até tem um dia especial. Na realidade, são dois dias: hoje, 14 de abril, é celebrado o Dia Internacional do Café e, no dia 24 de maio, o Dia Nacional

Por Meyre Gonçalves, do Bem Mais Brasília 
Coluna Prosa & Café | 14 de Abril de 2019 - 17:00h

 [Foto: Reprodução/Internet]

 

O Café além de uma bebida energética, é o despertar das manhãs junto à família, está sempre presente nas mais importantes reuniões, é o combustível para embalar a tarde, e fundamental para a produtividade. Anima amigos reunidos no mundo todo, todos os dias!

 

Sobre a origem do café a história é vasta. Data-se que surgiu em 525 no interior da Etiópia, nos manuscritos do Iêmen que falam acerca de uma lenda de Kaldi. Reza a lenda que um pastor etíope Kaldi percebeu que suas cabras ficavam agitadas após mastigarem frutos amarelo-avermelhados. Ele os experimentou para comprovar o efeito que a frutinha proporcionava as suas cabras, o que era um verdadeiro energético.

 

Histórias a parte, a verdade é que o tal cafezinho do dia a dia está cada vez mais diferente, você já percebeu? Quando você toma café você já pensou nas pessoas que cultivam os cafezais?

 

 [Foto: Reprodução/Governo Federal]

 

O aumento do consumo de cafés de qualidade permitiu que produtores brasileiros passassem a olhar para suas lavouras com mais orgulho e atenção, gerando um movimento de resgate da produção de grãos que vai muito além do que está na xícara

A partir do momento que grandes cadeias de cafeterias se tornaram comuns em cada esquina e os equipamentos para ter em casa (de máquinas de cápsulas a coadores modernos) ficaram mais acessíveis, a forma como a gente consome o café tem mudado bastante: na xícara servida nos restaurantes, nos cafés dos shoppings e até nas prateleiras dos supermercados – uma diversidade de marcas e grãos à venda, e não mais só os de saco de plástico metalizado. Percebe-se que há uma nova geração de bebedores mais exigentes, de preparações rigorosas e de qualidade.  “Nos últimos anos surgiu uma necessidade dos apreciadores mais apaixonados, que quiseram acabar de uma vez com o hábito inconsciente, irreflexivo e automático de tomar café ruim e convertê-lo em um prazer hedonista”, quem diz isso é o jornalista argentino em seu livro: ‘Café – De Etiópia a Starbucks : Lá História Secreta de la Bebida más Amada y más Odiada del Mundo - (Café – Da Etiópia ao Starbucks: A História Secreta da Bebida mais Amada e Odiada do Mundo, ainda sem edição no Brasil).

 

Pega um café lá e senta aí que eu vou contar uma história: essa nova imagem do café começou a tomar forma há mais de seis décadas, por volta dos anos 50, quando a cultura do espresso (sim, é com ‘s’ mesmo, não com ‘x’) italiano transformou o ato de beber café em algo evocativo, aspiracional (associado a um estilo de vida sofisticado e atrativo que os consumidores desejam), até sexy. Algum tempo depois, nos Estados Unidos, o café coado ressurgiu, fazendo proliferar cafeterias voltadas a preparar bebida premium feita com grãos especiais e com grande apelo ao produtor. Uma delas foi a Thanksgiving Coffee Company, criada por Paul Katzeff e sua esposa, Joan. Como um dos fundadores da Specialty Coffee Association of America (talvez até hoje a mais importante associação relacionada ao café no mundo), ele se aproximou dos cafeicultores, organizou conferências e se apaixonou pela Nicarágua e seus cafés quando visitou o país pela primeira vez, ainda em 1985.  A possibilidade de poder negociar com as pessoas que plantavam e colhiam os grãos, onde buscava uma relação de direitos humanos e permita uma melhoria econômica daqueles fazendeiros, não apenas fez a cabeça de Katzeff (ele era um hippie na Califórnia, afinal de contas) mas criou uma nova ideologia em torno das xícaras de café da época.

 

Com o tempo, essa ideologia (ou maneira de trabalhar) foi sendo oprimida pelo mercado e surgiram as grandes redes, como a Starbucks, que trouxeram novo status ao ato de consumir a bebida e democratizaram seu acesso. O maior poder aquisitivo do consumidor e a profissionalização também favoreceram o comércio global de grãos especiais: cafeterias e distribuidoras passaram a comprar – e vender!!! – a colheita produzida nas principais regiões do mundo (Etiópia, Colômbia, Quênia, Nicarágua, outros), fazendo sua própria torra determinada por características sensoriais e doutrinando uma nova geração de apreciadores. Isso fez com que as cafeterias entrassem na moda, a imagem do barista como o especialista em preparar cafés fosse reforçada e diversos métodos de extração começassem a pipocar por toda parte. (Pode-se ler toda essa história no site da Thanksgiving Coffe Company. Dá uma olhada lá).

 

 Starbucks Coffe. [Foto: Diário Crítico/Reprodução]


 

A Qualidade vem do pé

 

E assim, finalmente chegamos aos dias de hoje, com o café sendo muito mais valorizado. Acontece que essa democratização da bebida de qualidade se voltou mais para o mercado do que para as pessoas que cultivam os cafezais. Na hora de encher tantas xícaras, começou-se a perceber que não havia tantos grãos especiais disponíveis – ou, ainda, que nem sempre eles eram tão especiais quanto os clientes passaram a buscar. Uma vez que o consumidor ‘vira uma chave’ para apreciar o café pelo sabor e pelas questões sensoriais, dificilmente ele volta a tomar a versão comercial, a que estava habituado. Isso gerou um trabalho, para a indústria, para possibilitar o acesso aos cafés melhores para os consumidores

 

Hoje, para os produtores, há um grande desafio pela frente: mudar a imagem do nosso café no mercado internacional. O Brasil se firmou como o maior produtor do mundo, porém nossas safras não são lembradas pela qualidade, mas sim pelo volume. Depois de muito trabalho intenso nessa área os produtores conseguiram colocar o nosso café em restaurantes renomados, como Noma, em Copenhagen; Alinea, em Chicago; e Maemo, em Oslo. Locais que têm formadores de opinião fundamentais para ajudar a reverter nossa fama de produtor de commodity.

 

O mercado de café especial traz um foco maior na qualidade dos grãos e na valorização do produto. E isso tudo está ligado, claro, ao início dessa cadeia, ou seja, no produtor, que planta e colhe os grãos. Pessoas com mais qualificação que provam o café, por exemplo, conseguem dar um feedback mais completo para o produtor, e esse contato é fundamental para que ele faça as devidas alterações na produção. As cafeterias que estão surgindo conseguem ensinar o público a tomar café melhor e pagar mais por isso, o que cria a oportunidade de pagar mais também a quem cultiva os grãos. Tudo isso é um ciclo que se presta a mostrar o cafeicultor como um artesão. Isso ajuda imensamente na autoestima dele e valoriza a vida no campo.

 

 [Foto: Reprodução/Google Imagens]

 

Porém, a natureza tem seus tempos próprios, que são muito diferentes dos nossos. Uma melhoria no solo hoje só vai ser percebida na próxima colheita.

 

Para conseguir fazer um café de melhor qualidade existe programas de produtores, que auxiliam bastante com informações sobre solo, lavoura, adubação e outras questões que, até bem pouco tempo, eram totalmente desconhecidas. Isso serve para valorizar, sobretudo, o ofício que foi passando pelas gerações da família.

 

O café melhor que você bebe por aí ajuda a alavancar essa cadeia e a fomentar a produção brasileira. O consumidor mais informado indica que está mais atento ao que é oferecido e à qualidade da bebida em geral, buscando, de forma mais consciente, uma boa relação entre custo, benefício e o produtor.  Observo como os consumidores têm se interessado, cada vez mais, pelos aspectos técnicos, como, por exemplo, as origens produtoras e quais são os aromas e sabores que podem ser encontrados na bebida de cada região. Isso significa que, o que colocamos na xícara aqui pode influenciar o trabalho do produtor lá no pé – e vice-versa.

 

A realidade de grande parte dos produtores, é que, os mesmos levam a produção da fazenda à cooperativa, muitas vezes o cara da cooperativa dá o preço que eles querem pagar, que muitas vezes não condiz com a realidade do mercado.

 

A dedicação dos produtores ao campo faz perceber o quanto muitos dos procedimentos adotados na qualidade do café são seguidos sem se questionar o porquê deles. Ao integrar campo e cidade, produção e consumo, ganha-se força para impelir o desenvolvimento de novos padrões sensoriais para o café, desafiando o senso comum. E, dessa maneira, começa-se a ver o café como um livro em branco, no qual as partes mais legais da história ainda estão para ser escritas. Uma história que depende de quem está com a xícara na mão, mas principalmente de quem está disposto, a enxergar o fruto de cada pé.

 

Narrar todo esse processo, essa cadeia do campo à cidade, que nem pensamos, ou imaginamos ao tomar nosso cafezinho matinal, foi apenas uma forma introspectiva de prestar homenagem no Dia Internacional do Café.

 

Um agradecimento para todas as pessoas que se dedicam à cafeicultura, aos produtores, peça fundamental de nossa história, aos profissionais que colaboram para o desenvolvimento do setor e, especialmente, para todos os ‘coffee geeks’ e ‘coffee lovers’ que não resistem ao cheirinho do café.

 

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