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Peça “As Malditas” mostra um outro talento do humorista Carlos Anchieta: a dramatização

Habituado a espetáculos de humor, Carlos se desafiou a fazer um trabalho totalmente diferente de tudo que já apresentou nos palcos até hoje

Por Guilherme Vicente e Bárbara Mattar, do Bem Mais Brasília

Cultura e Entretenimento | 11 de Novembro de 2018 às 17:00h

Do humor ao drama: Carlos Anchieta se desafiou a sair da zona de conforto. [Foto: Divulgação]

 

O ator e humorista piauiense Carlos Anchieta trouxe para Brasília a tragicomédia As Malditas. Duas irmãs com nomes de flores e almas de espinhos. A história retrata o dia-a-dia de Rosa e Margarida, que se veem obrigadas a dividirem o mesmo teto na “melhor” idade, devido ao desfecho de suas vidas.

 

Margarida, interpretada pelo ator Carlos Anchieta, é analfabeta, viúva, pobre e uma fanática religiosa daquelas. Durante os afazeres domésticos gosta de escutar o som de Pe. Zezinho para purificar o ambiente, ou o de Nelson Ned para lembrar o falecido marido, estampado em um porta-retratos colocado em destaque na parede da casa.  Já Rosa, interpretada por Franklin Pires, é deficiente física, professora universitária aposentada e apreciadora de música clássica. Não existe acordes melhores que os de Bach, as músicas ouvidas pela irmã chega a dar otite na aposentada.

 

Rosa e Margarida se detestam e [sobre]vivem uma conturbada relação. A primeira, inválida e presa a uma cadeira de rodas,  depende dos cuidados da segunda, que por sua vez precisa da aposentadoria da outra para viver. Na história escrita em 1997, pelo paraibano Saulo Queiroz, o ódio é o único sentimento compartilhado pelas duas.

 

“O espetáculo vem com um texto muito rico, que passeia pelo drama, mas vem com umas pitadas de comédia", comenta Anchieta.
[Fotos: Divulgação]

 

O espetáculo correu todo o Piauí antes de chegar a Brasília. A adaptação do texto conta a estória da última noite que passaram juntas, se amaldiçoando por tudo que fizeram ou deixaram de fazer desde crianças. O trágico fim das irmãs se dá por vingança e por vontade de se livrarem uma da outra. Para isso, Margarida que é a única herdeira da irmã aposentada, tenta envenena-la com uma “papa”– refeição a base de farinha de maisena ou fubá – temperada com inseticida, enquanto Rosa a oferece uma taça de vinho mortal.

 

A tarefa é quase impossível. Desconfiada, Rosa se recusa a ingerir a comida ao mesmo tempo que Margarida rejeita a bebida. Uma fica insistindo com a outra até que perdem a paciência e engolem o veneno trocado. Percebendo a confusão, as irmãs morrem na mesa de jantar chamando uma a outra de maldita.

 

A nossa equipe acompanhou a pré-estreia e teve uma conversa descontraída com os atores ao término da apresentação. Confira:

 

Bem Mais Brasília – Carlos, você sempre trabalhou mais com humor, onde o personagem interage com o público. Como foi fazer a Margarida, personagem que interage apenas com o colega de palco?

 

Carlos AnchietaEu venho da escola do humor sem compromisso, do humor rasgado que é estilo o humor cearense. Eu encontrei o Franklin e resolvi montar esta peça com ele. Convidei o Arimatan Martins que é o mago do teatro piauiense para dirigir o espetáculo. O Franklin é o cara que veio para engrandecer este projeto, ele tem vários trabalhos premiados, um monstro como a gente diz. Então eu tive que me desafiar, tive que ser ele, com a garra e a postura que ele tem em cena. Talvez se fosse alguém mais abaixo eu não conseguisse colocar essa Margarida para fora. É graças ao talento e o companheirismo dele que foi possível fazer a Margarida e a Rosa.

 

Franklin Pires É um trabalho de cumplicidade. Um puxa o outro, NÍNGUEM SOLTA A MÃO DE NINGUÉM jamais [risos].

 

Bem Mais Brasília – Então foi um grande desafio?

 

Carlos Anchieta Sim, um grande desafio que tem dado muito certo. Estou acostumado com o público rindo o tempo inteiro. Nesta peça não, ela tem os seus momentos de tensão que a pessoa só assiste e você não sabe se está gostando ou não, e você fica se perguntando ‘meu Deus e agora? É isso aí será?’; mais sucinta imagens. A peça tem um cenário belíssimo e um figurino que contribui muito.

 

Eu precisava deste desafio. A Nany People me falou uma coisa engraçada uma certa vez, ela disse que precisava gastar para mostrar para as pessoas que era atriz. E eu acho que eu preciso passar por este processo. A pessoas acham que o humor é uma arte inferior. O humorista não ganha prêmio, ele nem participa [das premiações], nem chega a ser citado. Então eu precisava montar um trabalho com direção, onde tudo têm uma comunicação: o figurino, o ator que está comigo em cena e o próprio cenário onde eu tenha que me comunicar com tudo que não seja apenas o público.

 

Bem Mais Brasília – Este espetáculo já passou por outras capitais. Aqui vimos vocês regionalizando os personagens citando regiões administrativas como a Candangolândia e a Ceilândia. Como é que é feito esse estudo?

 

Franklin Pires Tem uma parte da peça que dá para fazer isso, por exemplo falar da catedral, do local onde ele compra roupa. Então quando chegamos em uma cidade, nós procuramos mais ou menos o que tem e trazemos para dentro da peça.

 

Bem Mais Brasília – Franklin sua personagem é meio caricata, ela é toda lady. Você teve alguma inspiração especial para poder cria-la?

 

Carlos Anchieta Não é não, ela me tomba o tempo todinho mesmo! Eu vou até conversar com ele depois quando a gente sair daqui porquê eu estou achando que isso não está dando certo [risos].

 

Franklin PiresEu quero dizer, inclusive, que tem hora que o que ele faz ali no palco é de verdade [risos].

 

Bem, quando recebi o texto, eu comecei a estudar e achei muito parecido com O Que Terá Acontecido com Baby Jane, que é um filme da Bette Davis e da Joan Crawford. Então eu comecei a pesquisar sobre a Bette e a Joan para construir essa relação com a minha irmã, porque no filme elas também são irmãs e uma cuida da outra. Mais essas são as únicas coincidências, no filme existe um certo amor entre as duas e até hoje eu ainda não sei se elas [Rosa e Margarida] se amam mais ou se odeiam, porque a gente acha que elas se amam muito, mas elas se odeiam muito também a ponto de querer envenenar uma a outra.

 

Carlos Anchieta Apesar dessa relação de dependência que elas têm.

 

Franklin Pires Então o ódio que elas têm não é uma da outra, é justamente dessa dependência e elas não querem isso, querem matar essa dependência, e acabam fazendo isso na figura da pessoa.

 

Bem Mais BrasíliaPara encerrar nós gostaríamos de agradecer o convite e parabeniza-los. Está tudo muito bonito, o cenário, o figurino...

 

Franklin PiresObrigado!

 

Carlos AnchietaObrigado! Eu queria ressaltar que o figurino é premiado, e é feito de rede. Não sei se dá para perceber mais são duas redes. Se colocar a gente numa casa sem cama nós já estamos com o lugar para dormir, é só armar na parede [risos].

 

 

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