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Para o vocalista da Death Slam, Fellipe CDC, Brasília não tem espaço destinado ao rock

"Death Slam 'nada' contra a correnteza desde o primeiro dia que nasceu e continua pouco se lixando para o mercado fonográfico. Já lançou discos, CDs, demos, participou de coletâneas, fez shows de tudo que é tamanho e dividiu o palco com um monte de bandas", afirma o artista.

Por Luciana Balduíno, do Bem +Brasília

Coluna Musicaliza Brasília | 16 de novembro de 2017

 Foto: Divulgação 
 

Fellipe José Sallis de Santanna, conhecido como Fellipe CDC, é um grande ícone underground do cenário brasiliense. Começou a gostar de rock na década de 80. Teve papel importante com o fanzine e a organização de diversos eventos pela cidade. Criou sua primeira banda em 1990. Em uma entrevista para o Bem +Brasília, ele conta um pouco sobre sua trajetória musical e o tour pela Europa, além de comentar as diferentes fases do cenário roqueiro de Brasília ao longo desses 31 anos de atividade. A atual formação da banda Death Slam é Adelson (guitarra), Ademir (bateria), Junior (baixo) e  CDC (vocal).

 

BEM +BRASÍLIA: Quem é o Fellipe CDC? Há quanto tempo está no movimento underground? Desde quando começou a ouvir suas principais influências musicais?

 

FELLIPE CDC: Um peão da pior espécie: ser humano! Fora isso, um grande sonhador e uma pessoa que prefere agir a fazer reuniões. Por isso, muitas vezes, as decisões são tomadas mais pelo instinto, pelo coração do que pela razão. Talvez isso explique o tanto de prejuízo que já tomei e continue tomando  na organização de eventos! (risos) Estou há um bom tempo nessa estrada e sem um pingo de arrependimento. Comecei a ouvir rock com os discos da minha irmã Martha, em 1983. Bandas grandes. A primeira banda underground com que tive contato foi a brasiliense Sepultura. Morava no Cruzeiro, mesma quebrada que os caras. Envolvimento direto e emocional com a cena underground só em 1986, quando já morava em Taguatinga e comecei a ser correspondente do fanzine paulista United Forces, fato que ampliou minha visão sonora e musical. Devo muito ao universo dos fanzines. Total respeito a esse mundão sem fronteiras: fanzine! Meu gosto dentro do rock é bastante diverso, eclético mesmo. Tenho minhas bandas do coração, como todo mundo, mas respeito demais bandas que respeitam o seu público.

 

B+B: Vocês são uma banda da década de 90 com uma pegada diferenciada de bandas que iniciaram esse estilo na década de 80. Conte mais um pouco sobre a Death Slam e as principais influências musicais da banda.

 

FC: A Death Slam nasceu no dia 4 de outubro de 1990 com o propósito de tentar unir bangers, punks e hardcores. Não via e não vejo motivos para separar nosso povo. A intenção era juntar letras mais politizadas com vertentes dos sons hardcore e do metal da morte. Napalm Death, Hellhammer, Celtic Frost, Cryptic Slaughter, Extreme Noise Terror, Obituary, Sore Throat, Dorsal Atlântica, RDP, Olho Seco, enfim, coisas que a mídia chapa branca sempre odiou e desprezou eram e continuam sendo nossas influências. Death Slam nunca parou, continua nadando contra a correnteza desde o primeiro dia que nasceu e continua pouco se lixando para o mercado fonográfico. Já lançou discos, CDs, demos, participou de coletâneas, fez shows de tudo que é tamanho e dividiu o palco com um monte de bandas.

 

B+B: Recentemente vocês tocaram na Europa. Como foi a abertura para essa oportunidade, como foi a recepção do público e o que acharam de diferente referente à cena brasiliense?

 

FC: Era um plano antigo da banda. Já tentamos outras vezes, mas nunca conciliava as férias dos “terroristas”. Várias bandas de amigos foram e ficavam incentivando a ida da Terror, falando mil maravilhas, dizendo que iam gostar da gente, etc. Dessa vez, enfim, deu certo. Nosso guitarista, o Barbosa, fez um belíssimo trabalho agendando datas e teve o grande auxílio de nosso comparsa Lauro Paracatu, que embarcou com a gente nessa bela aventura pelo velho continente. Várias bandas nos passaram contatos e nos indicavam para os seus contatos estrangeiros. Esses intercâmbios e indicações foram essenciais para o sucesso da tour. Sim, foi um sucesso, fora o fato de ter sido uma realização e tanto. Quando já estava tudo certo, o Lauro ficou perturbando nosso juízo para tentarmos um apoio do Fundo de Apoio à Cultura (FAC) (do Governo do Distrito Federal). Sou descrente com isso. Mas, como estávamos completamente fodidos, decidimos tentar. E, por sorte, nossa proposta foi aprovada. Viajamos com passagens e aluguel do carro praticamente pagos, custeados pelo FAC. Para pagar isso, fizemos 2 shows com workshops e levamos mais de 100 cds de bandas brasilienses para distribuir pela Europa. Recomendo a todas as bandas que tentar essas viagens pelo FAC. Tem uns toques da Terror Revolucionário no site www.bannedflag.com.br. Foi demais. Superou nossas expectativas. Ficamos lisonjeados e surpresos com a recepção dos europeus. Queremos muito voltar, mas sabemos da grande dificuldade. Fizemos 14 shows em 16 dias. Rodamos nove países – cerca de 6000 km. Correria, cansaço, estresse. Mas faríamos tudo de novo. Com toda a certeza desse mundo! Os europeus possuem mais estrutura, suporte, acessibilidade a equipamentos melhores e um grande profissionalismo. Nós fazemos tudo com muita garra e muito amor. Talvez isso impressione positivamente os europeus. Somos verdadeiros guerreiros!!!

 

B+B: Brasília é considerada a capital do rock. Você percebe que a cena e o público mudaram bastante? Gostaria que me falasse um pouco sobre o cenário atual, os prós e os contras.

 

FC: Grande capital do rock que não tem um espaço destinado à nossa cultura! Se não fossem espaços como Ragnarock, na Ceilândia, Saloon Red Rock na Samambaia, Fim da Linha e alguns poucos espaços particulares que abrem as suas portas para agraciarem o rock com um abraço aconchegante… Sim, percebo que o público mudou bastante. É outro comportamento. Outras ideias e ideais bem diferentes. Um povo perigosamente migrando para pensamentos e atitudes mais conservadoras. Estranho mesmo. Meu rock é outro! Hoje temos, com exceções, shows vazios frutos de um universo cada vez mais virtual e cada vez menos humano. A tecnologia trouxe benefícios, é inegável, porém, afastou as pessoas da vida em sociedade, do debate aberto e franco, do toque, do abraço.

 

B+B: Fazendo uma viagem no tempo, o que mudou desde o surgimento da banda até o momento atual?

 

FC: O público mudou bastante. O acesso a bons equipamentos ficou mais barato. Apesar de continuar caro! Temos mais opções de estúdios para ensaios e gravações, ficou mais barato divulgar uma banda, ficou mais barato prensar CD. Entretanto, a facilidade trouxe uma certa fragilidade no sentido de estar no front. Os “soldados” parecem ter ficado mais acomodados e desanimados.

 

B+B: A cena underground se enfraqueceu um pouco com o passar dos anos. Por que você acha que isso ocorreu e o que acha que poderia atrair a galera dessa geração?

 

FC: Há um contrassenso nessa história toda! Veja bem, temos um número muito maior de bandas, muito mais pessoas ouvindo rock, youtubers, sites especializados. Porém, esse número não se traduz em público presente em um show real. As lojas de CDs físicos estão fechando. As bandas não conseguem vender CDs. As revistas estão acabando. Sinceramente, não sei qual a solução. E quando alguém descobrir a solução deve ganhar uma estátua de bronze! E, por favor, que faça urgente. Sei lá, retroceder para as coisas simples para não entrar no processo de entropia e morte. Usar as redes eletrônicas de maneira mais moderada e saudável. Desculpe, definitivamente não tenho a solução para atrair essa nova geração para os shows, para tirar esse povo de casa e fazê-lo caminhar pelas ruas!

 

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