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Escritor brasiliense lança romance Macaco Velho

A história se passa na cidade do Rio de Janeiro, onde "uma greve de garis viraliza e um executivo se envolve em um acidente de trânsito com consequências devastadoras. Episódios aparentemente desconexos que deflagram a Primavera Verde, uma revolução política, social e ecológica comprometida com a limpeza literal e metafórica da cidade."


Por Guilherme Vicente, do Bem +Brasília
Entrevista | 15 de Setembro de 2017

André Cunha. Foto: Arquivo Pessoal 


Finalista do Prêmio Sesc de literatura em 2015 com o livro Brasília, GRAVIDADE ZERO, o escritor André Cunha acaba de lançar, pela plataforma KDP (Kindle Direct Publishing), da Amazon, o romance Macaco Velho. Na entrevista a seguir, concedida ao portal Bem +Brasília,  ele fala sobre a obra (que concorre ao Prêmio Kindle de Literatura 2017) e sobre outros assuntos, como inspiração, teimosia, referências culturais e mercado literário.
 

Bem +Brasília - Sua obra mais recente é o romance Macaco Velho, lançada em formato ebook. A crise chegou pro mercado editorial. Pode-se dizer que é hoje mais difícil publicar um livro? 

 

André Cunha - É bem mais fácil publicar, basta ver as plataformas de auto publicação online, mas acredito que é mais difícil encontrar leitores. Hoje há excesso de ofertas (muitos livros pra ser lidos) e excesso de concorrência (redes sociais, games e vídeos), sem contar o fato de que o hábito da leitura nunca foi muito disseminado por aqui. 
 

Bem +BrasíliaOs personagens das suas obras (tanto a recém lançada quanto as anteriores) são inspirados em alguém do seu convívio? Como você faz essas escolhas? 


André Cunha - Sim, não só do meu convívio, como pessoas públicas aleatórias. Essas escolhas ocorrem quando as ideias colidem no inconsciente, é meio irracional e meio mágico.

 

Bem +BrasíliaDo que fala o romance Macaco Velho

 

André Cunha - Macaco Velho é um romance que satiriza algumas transformações pelas quais estamos passando, como a expansão da consciência ecológica em larga escala e o surgimento de novos tipos de fascismo. Me inspirei no episódio real da greve dos garis no Rio de Janeiro em 2014 e investiguei um assunto que costumamos varrer pra debaixo do tapete: o lixo. Na história uma espécie de milícia ecoextremista chamada BGSF (Bonde do Gari Sem Freio), liderada por um anti-herói sinistro chamado Juca Piroto, usa o lixo como arma de chantagem política e como instrumento de intimidação contra o prefeito. E, como um demiurgo desse submundo repleto de lixões, rios de esgoto e bichos escrotos, esse cara utiliza os métodos mais sujos pra alcançar os mais puros objetivos. Pra isso vai contar com a ajuda de um outro personagem importante, Ari Jamal, executivo que, no comando da SMAC (Secretaria de Meio Ambiente e Conservação), em conluio com a Leonardo DiCaprio Foudation e outros preservacionistas endinheirados, deflagra a Primavera Verde, movimento neofascista que injeta mais de um bilhão de dólares no desenvolvimento sustentável do município. A plataforma política de Juca Piroto consiste em questionar não só o Antropocentrismo (a noção de que o ser humano é o centro do universo) mas o próprio Humanismo (a solidariedade entre os humanos). Talvez ele fale essas barbaridades porque não seja propriamente humano. Gosto de histórias em que o “lugar de fala”, esse conceito tão na moda, se desloca do próprio paradigma antropocêntrico: é aí que damos voz aos animais (as fábulas estão repletas deles falando), aos ETs, aos mutantes, às máquinas, e tantos outros.


Bem +BrasíliaQual a narrativa utilizada?

 

André Cunha - O romance é uma compilação de diferentes gêneros textuais: grampos e depoimentos policiais, relatórios, entrevistas, reportagens e otras cositas más.  Ao final da leitura o quebra cabeça é montado e você tem uma visão geral da coisa toda, ou pelo menos foi essa a minha intenção. Quis escrever um livro diferentão, meio caótico, mas não difícil. É uma leitura leve, cortada por muitas notas de rodapé e diálogos aleatórios. Uma das fontes grampeadas é um grupo de amigos que se auto intitula A Gangue do Seriado, e eles tecem certos fios da história enquanto assistem Game of Thrones, Walking Dead, Breaking Bad e Narcos e comentam o que está rolando. Como o meu livro anterior, o Brasília, GRAVIDADE ZERO, esse é cheio de referências culturais implícitas e explícitas. Eles também assistem e comentam episódios marcantes da história recente, como o Impeachment e o 7 a 1.

 

Bem +BrasíliaA história se passa também em Brasília? 

 

André Cunha - Não, no Rio de Janeiro. Com a exceção de uma passagem na qual um personagem viaja à Brasília pra fazer lobby político.

 

Bem +BrasíliaToda obra, ainda mais se tratando de romance, é inspirada em alguma história. Você poderia contar um pouquinho sobre o que te inspirou na criação deste livro?

 

André Cunha - Me inspirei no episódio da greve dos garis no Rio, em figuras como Ali Kamel, Eduardo Paes e Silas Malafaia, em Vladmir Putin, no livro Graça Infinita de David Foster Wallace, em movimentos como Primavera Árabe, Primavera Feminista e outras Primaveras do tipo, na Operação Lava-Jato, no filme Planeta dos Macacos, nas séries todas que assisto, nos mistérios da arqueologia, nos desvios da evolução, nas lacunas do darwinismo e nas questões colocadas  pelo antropoceno (o tempo dos humanos no planeta).

 

Bem +BrasíliaO que os leitores podem esperar deste romance? 

 

André Cunha - Hoje em dia se fala muito sobre o ressurgimento do fascismo, mas como se o fascismo fosse um fenômeno exclusivo do outro. Tem até um livro com esse nome: Como Conversar Com um Fascista? Quis mostrar com o Macaco Velho que o fascismo pode estar em qualquer lugar, inclusive no movimento gay e no movimento ecológico (e no movimento feminista e no movimento negro, embora o livro não meta a mão especificamente nesses vespeiros). Então eles podem esperar um livro que provoca e incomoda, pero sin perder la ternura jamás. Quis escrever sobretudo uma sátira, um livro engraçado.

 

Bem +BrasíliaVocê usa uma linguagem bem jovial nas suas obras. Em Brasília, GRAVIDADE ZERO, por exemplo, há o emprego de muitas gírias. Isso é um estilo mesmo de escrever? Você busca com isso se aproximar de um público específico?

 

André Cunha - Sim, e Macaco Velho tem ainda mais gírias, palavrões e todo tipo de expressão comum na língua falada. Há uma diferença gigantesca entre a forma como as pessoas falam e como as pessoas escrevem. É como se, ao escrever, elas virassem todas ladys and gentlemans. Meu estilo vai no sentido oposto, o de aproximar a língua falada da língua escrita. Não busco com isso me aproximar de um público específico. É um processo natural.

 

Bem +BrasíliaO protagonista da trama de Brasília, GRAVIDADE ZERO chama-se Luiz, e por um acaso este é um dos seus nomes. Existe alguma ligação entre você e o personagem?

 

André Cunha - Não muita, a não pelo fato que eu o criei! (risos)

 

Bem +Brasília Ainda falando em Brasília, GRAVIDADE ZERO: na obra você narra alguns episódios marcantes da Capital Federal, como os protestos de junho de 2013, em que a sociedade, já exausta de tanto roubo, tanta corrupção, foi às ruas dizer que não aguentava mais. Uma das bandeiras levantadas naquelas manifestações era justamente a da carga tributária do nosso país - um dos pesadelos de Luiz. O livro já estava sendo escrito naquela época, ou as manifestações serviram de inspiração pra história?

 

André Cunha - Comecei a escrever exatamente naquela época. O livro deixa no ar uma pergunta: será que proporcionalmente caem mais governos ou aviões? E faz a analogia entre pilotar um avião, um governo e uma empresa, porque o protagonista é empresário. E esse cara, que rala pra pagar os impostos, fica revoltado com as mamatas e os altos salários no serviço público – pra não falar na Saúde, Educação, Segurança e Saneamento precários ou inexistentes. E o livro fala sobre essa sensação de revolta que hoje me parece generalizada. Quis captar essa revolta. Quis tentar entendê-la.
 

Bem +BrasíliaQual a sensação de concluir um livro? Escrever 200, 300 páginas não deve ser fácil.

 

André Cunha - É um alívio, como ir ao banheiro depois de uma nababesca feijoada! Agora, sério, realmente não é fácil: exige disciplina, comprometimento e uma boa dose de teimosia. Acho que todo escritor no Brasil tem um lado teimoso. O retorno financeiro é quase sempre mínimo e você ainda fica com fama de vagabundo por gastar tantas horas brigando com a folha em branco.

 

Bem +BrasíliaE a sensação de entrar em uma loja, ou em uma estante virtual, e ver uma obra escrita por você a venda?

 

André Cunha - Senti uma pontinha de vaidade quando vi o Brasília, GRAVIDADE ZERO impresso, encapado e publicado, mas é um sentimento que passa rápido. O Macaco Velho resolvi publicar em ebook porque assim supostamente fica mais fácil chegar ao leitor. Ainda tenho uma novela chamada A Dízima Periódica publicada pela Artifício Edições, mas infelizmente está fora de catálogo, pois a editora foi comprar cigarros e nunca voltou (risos). Tenho também uns textos malucos no blog O Selvagem da Catuaba. O endereço é: http://oselvagemdacatuaba.blogspot.com.br .

 

Bem +BrasíliaVocê costuma trocar uma ideia com os leitores? O feedback dado por eles tem sido positivo? 

 

André Cunha - Adoro falar sobre os meus livros e os livros alheios, aceito críticas numa boa, até as mais pesadas, todo escritor tem que estar preparado pra isso. É do jogo.
 

Bem +BrasíliaJá te fizeram alguma vez uma crítica que tenha feito você repensar a sua maneira de escrever?

 

André Cunha - Já me fizeram críticas pela questão da linguagem despojada, dos palavrões, das cenas que envolvem drogas ou sexo. Mas elas não me fizeram repensar a minha maneira de escrever, pois acredito ter um estilo já relativamente amadurecido. E, em função do meu jeito, da minha personalidade, decidi que não vou escrever “bonito” e aderir ao beletrismo pra agradar quem quer que seja.

 

Bem +BrasíliaA literatura Brasiliense tem crescido nos últimos anos, mas ainda ocupa um espaço no mercado muito pequeno, quase que imperceptível. O que você acha que pode ser feito para mudar esse cenário?

 

André Cunha - Primeiro os leitores de Brasília tem que prestigiar os escritores de Brasília, ler e criticar seus livros, formar uma cena literária. Do ponto de vista do mercado e da visibilidade, honestamente não sei responder, pois não faço parte das panelinhas, então faço a única coisa que sei fazer: escrevo. Se o livro acontecer, ou seja, se houver uma fagulha que provoque um debate, se ele aparecer na imprensa, for comprado, criticado, avaliado, resenhado, ótimo. Senão, paciência. Por força das circunstâncias sou meu próprio agente, editor, revisor e publicitário.

 

Bem +BrasíliaFalta políticas de incentivo a escritores como você, que estão começando agora e ainda não são muito conhecidos pelo público que consome este tipo de material? 

 

André Cunha - Falta! Alguém aí a fim de me dar uma bolsa literária? (risos)

 

Bem +BrasíliaVocê tem alguma estratégia pra enfrentar essas adversidades e levar o seu trabalho ao conhecimento das pessoas? 

 

André Cunha - Persistência, teimosia e a sensação de que, putz, acho que sou bom nisso, então vou meter as caras!

 

Bem +BrasíliaJá pensou em desistir de escrever em algum momento?

 

André Cunha - Já, em vários!
 

Bem +BrasíliaAgora que conclui o Macaco Velho, você já tem em mente alguma outra história pra escrever? Pode adiantar pra gente, ou teremos que esperar até que seja feito o próximo lançamento? (risos)

 

André CunhaSim, terão que esperar o lançamento! Acho que falar sobre o livro enquanto ele está sendo escrito dá azar. É como comentar seu próprio desempenho sexual com uma pessoa antes de transar com ela.

 

Bem +Brasília Pra finalizar, onde as pessoas podem encontrar os seus títulos?

 

André Cunha - O livro Macaco Velho pode ser baixado em ebook na plataforma da Amazon e o Brasília, GRAVIDADE ZERO pode ser comprado no site da editora Selo Jovem ou em outros gigantes do e-comerce, como Americanas, Shoptime e Wallmart.

 

 

 

 

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