Senadores brasileiros desistem do apelo de Bolsonaro para enfrentar acusações de assassinato e genocídio em resposta à pandemia

Os senadores brasileiros que investigam o surto de COVID-19 no país rejeitaram a recomendação de seu relatório preliminar de que o presidente Jair Bolsonaro é acusado de genocídio e assassinato, em vez de acusá-lo de “crimes contra a humanidade”.

Os senadores que lideram a investigação do Congresso se reuniram na terça-feira para discutir um relatório preparado pelo senador da oposição Renan Caleros, concordando em retirar as acusações de assassinato e genocídio sobre o que um senador descreveu como motivos técnicos.

O projeto de relatório ainda não foi votado por uma comissão do Senado e pode ser vetado e emendado.

“As decisões foram técnicas, não políticas”, disse o senador Humberto Costa à Reuters. “Não podemos arriscar que o relatório seja retirado pelo juiz porque as descrições dos crimes não eram precisas”.

Na prática, a decisão dos senadores não muda muito para Bolsonaro, que julgou a investigação por motivos políticos. É altamente improvável que o político de extrema direita seja julgado por qualquer uma dessas acusações, que devem ser apresentadas pelo procurador-geral do Brasil, que foi nomeado por Bolsonaro.

No entanto, os resultados de uma investigação do Congresso ressaltam o crescente isolamento político de Bolsonaro um ano antes da próxima eleição presidencial. Sua popularidade sofreu com uma economia fraca, inflação alta e como lidou com o surto.

Manifestantes protestam contra o governo Bolsonaro no Rio de Janeiro em 2 de outubro. (Ricardo Moraes / Reuters)

Mais de 600.000 pessoas morreram de coronavírus emergente no Brasil, que tem o segundo maior número de mortes depois dos Estados Unidos.

O relatório de 1.200 páginas, publicado na terça-feira, recomendou 13 acusações de Bolsonaro, incluindo genocídio contra comunidades indígenas por ações que supostamente as deixaram vulneráveis ​​ao coronavírus.

Costa disse que os senadores que deliberaram na noite de terça-feira determinaram que não havia provas suficientes para uma acusação de genocídio, conforme definido pelo Tribunal Penal Internacional. Ele acrescentou que a acusação de homicídio premeditado seria difícil de provar porque exigia uma vítima individual.

Independentemente do conteúdo exato da versão final do relatório ou se o procurador-geral vai em frente, suas alegações devem alimentar críticas ao líder de extrema direita, cuja popularidade despencou antes de sua campanha de reeleição em 2022.

“O principal impacto da investigação é político, pois gerou muitas notícias que certamente serão utilizadas pelos estrategistas de campanha no próximo ano”, disse Tiago de Aragão, diretor de estratégia da consultoria política Arko Advice.

Caleros, responsável pelo projeto original, disse à CNN Brasil que renunciou aos argumentos técnicos de seus colegas contra as acusações oficiais de assassinato e genocídio.

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