O retorno do Brasil à Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos e ao cenário latino-americano

São Paulo, Brasil – Em sua primeira viagem internacional desde que assumiu o cargo em 1º de janeiro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva Arame Nesta terça-feira na 7ª Cúpula da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC) em Buenos Aires, Argentina.

A Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos é formada por 33 países da América Latina e Caribe, criada em 2010, com o objetivo de integrar a região, além de coordenar ações políticas, econômicas e sociais. O Brasil foi um dos responsáveis ​​pela criação do grupo – muitas vezes referido como um contrapeso da Organização dos Estados Americanos (OEA) -, mas o país deixou a Celac em 2020, durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro.

A participação de Lula na cúpula da CELAC marca o retorno do Brasil ao bloco. Segundo o presidente, a missão da viagem é restabelecer as relações abandonadas pelo governo anterior.

“O Brasil está de volta ao mundo, nada mais natural do que iniciar esse caminho de volta pela Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos.

Lula também defendeu a contribuição dos membros da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos para a construção de uma ordem mundial pacífica “baseada no diálogo, na promoção do pluralismo e na construção coletiva da multipolaridade”.

Ele disse: “As muitas crises pelas quais estamos passando no mundo mostram o valor da integração e da união”.

Em seu discurso de posse, o presidente da Argentina, Alberto Fernandez, comemorou o retorno do Brasil ao bloco.

“Ter uma comunidade de Estados latino-americanos e caribenhos sem o Brasil é uma goma-laca ainda mais vazia”, ​​disse.

Autoridades dos 33 membros da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos. Foto cedida por Ricardo Stockert

Na cúpula, Lula se reuniu com o diretor-geral da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, QU Dongyu, o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, a primeira-ministra de Barbados, Mia Mottley, e o líder de Cuba, Miguel Dias. -Canel.

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Um encontro com o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, teve de ser cancelado porque Maduro acabou não participando da cúpula.

Outros compromissos na Argentina

Na segunda-feira, Lula teve seu primeiro dia de reuniões na Argentina. Ele se reuniu com o presidente Fernández e depois com empresários argentinos.

Lula disse que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social do Brasil voltará a emprestar dinheiro para projetos em países vizinhos, incluindo o financiamento de oleodutos e gasodutos nos campos de Vaca Muerta, no norte da Patagônia.

Os dois líderes teriam discutido o financiamento de um projeto de gasoduto que enviará gás de Vaca Muerta para o Brasil.

“A Argentina é, em toda a América Latina, o principal parceiro comercial do Brasil. É o terceiro maior parceiro comercial do Brasil, atrás apenas da China e dos Estados Unidos. Devemos apreciar isso”, disse Lula, que também criticou Bolsonaro por afastá-lo da Argentina diferenças políticas e ideológicas com Fernandez.

O presidente brasileiro também pediu desculpas ao povo argentino pela “grosseria” demonstrada por Bolsonaro contra o presidente Fernandez. Em outubro de 2020, por exemplo, Bolsonaro chamou o presidente Fernandez de “esquerdista” de forma pejorativa em português.

“Peço desculpas por toda a impertinência do último presidente do Brasil. Hoje é a retomada de uma relação que jamais deveria ter sido rompida. Minha primeira viagem internacional é para dizer ao meu amigo Alberto Fernandez que vamos reconstruir essa relação pacífica e frutífera. ”

Lula e Fernandez assinaram um compromisso com a democracia. Foto cedida por Ricardo Stockert

moeda comum?

A ideia de criar uma moeda comum para Brasil e Argentina para transações comerciais tornou-se um dos principais temas da visita de Lula a Buenos Aires. O ministro da Economia, Fernando Haddad, que viajou com Lula, explicou que a ideia não é trocar o real, a moeda brasileira ou o peso argentino.

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Uma moeda comum só vai facilitar as transações comerciais sem ter que recorrer ao dólar americano, então vai ser bem diferente do euro, por exemplo. A moeda comum ainda está em estudo e não há detalhes ou expectativas de lançamento do projeto.

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“Decidimos avançar nas discussões sobre uma moeda sul-americana comum, que possa ser usada tanto para fluxos financeiros quanto comerciais, reduzindo custos operacionais e nossa vulnerabilidade externa”, disseram Lula e Fernandez em carta conjunta.

Após deixar a Argentina, Lula seguirá para o Uruguai, onde se encontrará com o presidente Luis Alberto Lacalle Pou e com o ex-presidente do Uruguai, José “Pepe” Mujica.

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