O novo governo brasileiro ameaçará a crescente indústria de coprodução? | Recursos

Desde que o novo presidente brasileiro Jair Bolsonaro, do Partido Social Liberal de extrema-direita, dissolveu o Ministério da Cultura do país e criou o Ministério da Cidadania, que inclui esportes, comunicações, política social e cultura, muitos na comunidade cinematográfica local temem que o pior possa acontecer. . A indústria ainda se lembra do fechamento repentino da ex-agência estatal de cinema Embrafilme no início dos anos 1990 por capricho de um novo governo reformista que levou ao colapso quase total da produção cinematográfica nacional.

As políticas culturais não são pensadas como prioridade para Bolsonaro e, por enquanto, a linha oficial da Ancine – agência nacional de cinema construída das cinzas da Embrafilme – é que não há com o que se preocupar. A Ancine é o alicerce da indústria cinematográfica nacional e investe aproximadamente US$ 93 milhões anualmente na produção nacional. Está agora sob os auspícios do novo ministério.

“A partir das conversas que tivemos com o governo, há uma consciência da importância de dar continuidade ao nosso trabalho de fortalecimento do setor”, afirma Christian de Castro, presidente da Ancine.

A indústria cinematográfica brasileira valeu US$ 6,8 bilhões em 2017, o último ano para o qual há números disponíveis, segundo Ensen. Emprega cerca de 100.000 pessoas e é maior que a indústria farmacêutica do país.

A Ancine tem trabalhado muito para tornar a indústria brasileira mais focada em nível internacional. Agora planeja investir US$ 11,3 milhões em cinco anos em coprodução internacional, um aumento significativo em relação aos US$ 6,8 milhões investidos em coprodução internacional nos últimos cinco anos. O objetivo é trabalhar com potenciais parceiros nas regiões, independentemente de o Brasil ter um acordo bilateral de coprodução, a fim de mitigar o impacto da desvalorização do real brasileiro em relação ao dólar americano (devido à pior recessão do país em 20 anos) e aumentar a atratividade de parceiros brasileiros em projetos internacionais.

Futuro incerto

Mas o que preocupa muitos do setor é o futuro da própria Ancine. “Bolsonaro já disse que quer reduzir o número de reguladores do governo [there are 11 in total] Diretor Lies Bodanzky, cujos créditos incluem: Assim como nossos pais.

“Quando a Embrafilme fechou, nada mais tomou seu lugar [until Ancine was created in 2001]. Diz Bodanzky, que acabou de filmar Pedro, que é uma coprodução de US$ 2,8 milhões entre Brasil e Portugal, para a qual conta com o apoio da Ancine. É um drama sobre a vida privada de Pedro I do Brasil, o primeiro governante do país.

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A Ancine administra decisivamente o Fundo Setorial do Audiovisual (FSA), o mais importante fundo federal do Brasil. Nos últimos cinco anos, quase todos os filmes nacionais – mainstream e artísticos – foram financiados quase inteiramente pela Financial Services Authority, que por sua vez foi financiada pela contribuição para o desenvolvimento da indústria cinematográfica nacional, um imposto sobre todo o áudio -indústria visual no Brasil, incluindo Isso inclui emissoras, distribuidores e expositores.

“Sem nosso fundo federal dedicado ao financiamento de projetos, não encontraríamos parceiros”, diz o produtor Elian Ferreira, da Muiraquita Filmes. “A primeira pergunta que um produtor internacional sempre me faz é: ‘Quanto dinheiro eu realmente recebi do Brasil? Ferreira é o produtor brasileiro da Helvecio Marins Jr’s teleguiado (Quirincia), uma coprodução com a Alemanha que é exibida no Berlinale Forum. Situado no interior do Brasil, o drama segue o mestre de cerimônias em shows de rodeio.

“A parceria com o Brasil nunca foi tão interessante”, disse Ferreira entusiasmado. “O país tem dinheiro para financiar filmes e marca presença em festivais internacionais.”

Alguns acreditam que foi um erro concentrar quase todo o financiamento do cinema brasileiro em um único mecanismo. “Agora uma decisão do governo pode acabar com tudo”, diz o produtor Leonardo Micchi da Enquadramento Produções.

Desde que a estatal brasileira de petróleo Petrobras deixou de apoiar a cultura brasileira (incluindo mais de 500 filmes) em 2013 devido a perdas de receita e escândalos de corrupção, a Ancine e a FSA se tornaram a única fonte de apoio à indústria cinematográfica.

“Não temos outras portas para bater”, diz Mickey, cujos créditos incluem a cooperação entre Brasil, França e Colômbia. Los SilenciosFoi exibido na Semana dos Diretores em Cannes em 2018.

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Contaremos inteiramente com pequenas quantias de fundos internacionais [such as Berlin’s World Cinema Fund]que muitas vezes só nos permite fazer algum tipo de filme de guerrilha, diz a produtora Tatiana Light do Projeto Bubbles, conhecida por amar Foi exibido no Sundance International Film Festival Rotterdam no ano passado.

A diretora-executiva Ana Leticia Vialho disse que a transição para o novo governo não deve afetar o funcionamento do programa de exportação do Cinema do Brasil.

Criado em 2006 para fortalecer a presença dos filmes brasileiros no mercado internacional, o programa é apoiado pela iniciativa privada por meio da Aliança da Indústria Audiovisual do Estado de São Paulo. O parceiro governamental da organização é a Apex-Brasil, Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos.

“Esperamos renovar com a Apex este ano”, diz Villaho, que está entusiasmado com a exibição de 11 longas-metragens brasileiros na Berlinale.

Ela observa que foram 22 coproduções internacionais com o Brasil em 2017. Isso se compara a apenas seis em 2007. “Nestes últimos 13 anos, demonstramos a importância do nosso trabalho e vimos o cinema brasileiro entrar em mercados como Polônia, Grécia e Hungria na Europa e na Ásia.” Este é o resultado de um trabalho de longo prazo. Até o desenvolvimento de coproduções internacionais com o Brasil é reflexo de como nossa imagem cinematográfica está ganhando mais peso no exterior.”

Destaque para os produtores brasileiros

Eliane Ferreira – Muiraquita Filmes

Entre os projetos de seu variado elenco, Elian Ferreira está trabalhando com o diretor Karim Ainouz – mais conhecido como Madame SataE prateleira de prata E Praia do Futuro – desenvolver auroraEsperamos, como coprodução com a Noruega, que seja filmado em 2020-21. Os créditos de Ferreira incluem o documentário de Ricardo Kleil cinema marroquinoque ganhou um Golden Dove na competição Next Masters em Leipzig no ano passado, e Helvecio Marins Jr. teleguiadoque está sendo exibido como parte do Fórum Berlinale.

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Leonardo Mickey – Enquadramento Produções

Leonardo Mickey produziu recentemente Maya da Rain febreÉ uma co-produção com a França e a Alemanha e está agora em pós-produção. Outros créditos incluem Beatrice Sener Los Silenciosque foi exibido na Semana dos Diretores em Cannes no ano passado, e o drama Marina Miliand abafadoque foi exibido no Tiger Competition em Rotterdam em 2018.

Tatiana Light – Projeto Bolhas

Como fundadora do Projeto Bubbles, Tatiana Leite produziu a obra de Gustavo Pizzi amarque fez sua estreia mundial em Sundance no ano passado. Leyte também produziu Camila José Donoso Nouna – Se eles me inundarem, eu os queimareiuma coprodução entre Chile, Brasil, França e Coreia do Sul que foi exibida na competição Tiger em Rotterdam no mês passado, e coproduzida por Maria Alché família imersa Com parceiros da Argentina, Alemanha e Noruega. Foi exibido em Locarno e San Sebastian no ano passado.

Luana Malagaku – Annavilhana

2019 foi um ano muito ocupado para Iwana Melgako. Ela está em Berlim com Santiago Luza história curta Do planeta verde, que é uma coprodução com parceiros da Argentina, Alemanha, Brasil e Espanha, e é exibida no Panorama. Málagaco participou recentemente em Rotterdam com Clarissa Campolina e Louise Peretti Enquanto Estamos Aqui. O filme é uma história de amor entre uma libanesa e um brasileiro, ambientado em Nova York e exibido na série “Bright Future”. Ao lado de Melgaço está Sergio Borges Coioteque vem depois.

Thiago Macedo Correa – Filmes de Plástico

Thiago Macedo Correia esteve em Roterdão com Gabriel Martins e Maurelio Martins no coração do mundoselecionado para o Concurso Panther, e André Novais Oliveira Tempurada, que foram examinados no espírito mais experimental no olho. Correia deve produzir o próximo filme de Oliveira, E meus olhos estão sorrindoapresentado no CineMart em Roterdã.

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