Exclusivo, banco central do Brasil estabelece limites para regras mais rígidas de fintech, dizem fontes

Pessoas caminham em frente ao prédio da sede do Banco Central em Brasília, Brasil, 25 de agosto de 2021. REUTERS / Amanda Perubelli

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BRASÍLIA / SÃO PAULO (Reuters) – O Banco Central do Brasil impôs limites a regulamentações mais rígidas para o florescente setor de tecnologia financeira, retirando uma minuta que deveria ser votada no mês passado pelo principal órgão de política financeira do governo. Quatro fontes familiarizadas com o assunto disseram à Reuters.

Em 18 de novembro, o Banco Central propôs que a regulamentação fosse discutida em reunião extraordinária do Conselho Monetário Nacional (CMN), mas as novas regras – que buscam igualar o campo de jogo entre empresas de fintech e bancos tradicionais – nunca foram votadas, fontes dizem.

O banco central não quis comentar.

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Não está claro por que o banco central optou por adiar a aprovação das mudanças regulatórias, mas isso deixou um setor multibilionário em profunda ansiedade.

As alterações propostas aumentarão os requisitos de capital mínimo para instituições de pagamento de acordo com seu tamanho, volume de transações e ativos ponderados pelo risco.

O setor é um tanto previsível desde as consultas públicas sobre o tema abertas no final de 2020.

Duas fontes, que falaram sob condição de anonimato, disseram que o atraso não indica necessariamente que as regras seriam relaxadas.

Uma terceira fonte disse que a administração do banco central responsável pelos ajustes regulatórios decidiu realizar uma revisão para garantir que as novas normas não sobrecarregariam indevidamente o setor.

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Já se passou quase uma década desde que o Banco Central do Brasil mudou a estrutura regulatória das instituições de pagamento, colocando-as sob sua supervisão e abrindo caminho para uma indústria nascente de startups financeiras usando tecnologia para agilizar pagamentos, transferências e empréstimos.

As várias regulamentações foram elaboradas para introduzir mais concorrência em um setor bancário envelhecido dominado por um punhado de instituições tradicionais e para quebrar a dinâmica das taxas de empréstimo historicamente altas do Brasil.

Agora, em parte como resultado dessas mudanças, a indústria de fintech no Brasil está crescendo. O emissor do cartão de crédito Nubank (NU.N) acaba de ser listado na Bolsa de Valores de Nova York com uma avaliação que o torna a instituição financeira mais valiosa da América Latina.

Sua estreia ocorreu no mês passado, antes de quaisquer mudanças serem feitas, mas Nubank divulgou em seu prospecto de IPO que sob as novas regras – conforme estabelecido na consultoria pública do banco central – ele estará sujeito a uma exigência de capital regulamentar mínimo de 60%, que é de R $ 2,1 bilhões ($ 367,55 milhões).

O impressionante IPO de Nubank segue a ascensão de outros participantes no Brasil, como PagSeguro (PAGS.N), Stone (STNE.O) e PicPay, que conquistaram milhões de clientes, levantaram fundos de capital de risco e listaram suas operações ou planejam fazer assim.

Os bancos convencionais cometem cada vez mais erros e exortam os reguladores a alinhar as regras das fintechs de grande sucesso com as suas.

Mas uma complicação de um movimento regulatório como o pretendido pelo banco central é que as empresas de fintech – que somam mais de mil no Brasil – seguiram caminhos muito diferentes.

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Usar o tamanho da base de clientes ou critérios de tamanho financeiro apenas para criar novos requisitos pode criar mais problemas do que soluções, dependendo do setor.

“Se a dose for errada, o banco central pode criar barreiras à entrada e até inutilizar os negócios”, disse Fabiano Camperlingo, presidente da SumUp, especializada em soluções de pagamento para pequenas e microempresas.

(dólar = 5,7135 riais)

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(Reportagem adicional de Marcela Ayres e Aloysio Alves) Edição de Stephen Eisenhammer e Andrea Ricci

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