Empresas brasileiras contam com governo para mudar o clima

Empresas poderosas estão pedindo ao presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, que abandone a resistência de longa data do país em questões-chave nas negociações climáticas das Nações Unidas neste ano.

Glasgow, Escócia – Empresas poderosas estão pedindo ao presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, que abandone a resistência de longa data do país em questões-chave nas negociações climáticas das Nações Unidas neste ano, argumentando que o Brasil não pode perder a oportunidade de usar sua vasta riqueza natural. na luta contra o aquecimento global.

O Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável, que afirma representar as empresas por trás de quase metade da economia do país latino-americano, pediu ao governo que reprima o desmatamento ilegal e suavize sua postura dura nos mercados de carbono.

Esses esforços, que refletem demandas semelhantes de investidores internacionais e legisladores dos EUA, parecem estar dando frutos.

“Temos sinais positivos do governo”, disse Marina Grossi, chefe do grupo empresarial conhecido pela sigla em português CEBDS, que inclui as gigantes da mineração Anglo American e Vale, e as petrolíferas Petrobras e Shell.

Grossi disse que o setor privado do Brasil acredita que o país pode alcançar sua meta de atingir emissões líquidas zero até 2050 – a data mais recentemente introduzida a partir de 2060 – protegendo a maciça Amazônia, que suga carbono.

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“É uma grande oportunidade”, disse ela à Associated Press em uma entrevista na terça-feira. “Nosso grande elefante na sala é o desmatamento ilegal.”

O governo brasileiro tem prestado pouca atenção a demandas semelhantes de grupos ambientais. Mas Grossi disse que as grandes empresas podem estar em melhor posição para ganhar o governo de direita de Bolsonaro, que enfrenta eleições no próximo ano.

“O setor privado estava dizendo que é bom para os negócios, não para a ideologia”, disse ela.

Além de poder aumentar seus esforços para reduzir as emissões salvando a Amazônia, o Brasil pode se beneficiar muito se os países que participam das negociações climáticas das Nações Unidas deste ano chegarem a um acordo sobre a questão dos mercados de carbono. Conhecido como “Artigo 6”, os esforços para resolver o problema iludiram os negociadores por anos, mas as autoridades estão otimistas de que um avanço poderia ser possível em Glasgow.

O Brasil provavelmente terá que conceder suas demandas para manter os créditos de carbono questionáveis ​​que coletou sob um acordo anterior. Mas um acordo que estabeleça regras rígidas para os mercados de carbono pode tornar o Brasil um importante destino futuro para países e empresas que desejam compensar seu excesso de emissões.

Há sinais de que o governo brasileiro abandonará suas reivindicações de antigos créditos de carbono. Um ministro e um assessor do Ministério do Meio Ambiente envolvidos nas negociações em Glasgow disseram à AP que a decisão de fazê-lo já havia sido tomada. Eles disseram que o Brasil provavelmente buscará aproveitar a reversão para colher os benefícios. Ambos falaram sob condição de anonimato porque as conversas são privadas e contínuas.

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Falando em um painel de discussão, o Ministro do Meio Ambiente do Brasil, Joaquim Light, destacou a necessidade de os países em desenvolvimento receberem mais de US $ 100 bilhões em apoio financeiro prometido pelos países ricos para ajudar a alcançar uma transição verde global.

“Um estudo saiu há dias de um banco dizendo que US $ 5 trilhões anuais, públicos e privados,” disse Light, acrescentando que o Brasil precisa de políticas claras e incentivos para estimular o desenvolvimento verde.

Mas alguns investidores continuam céticos se o atual governo brasileiro mudará sua abordagem ao desmatamento, mudança climática e direitos indígenas.

Kieran Aziz, chefe de investimentos responsáveis ​​do maior fundo de pensão da Noruega, KLP, disse que há sinais de que “cortinas de fumaça estão sendo abertas em vez de medidas reais para combater o desmatamento, rastrear cadeias de abastecimento e promover uma agricultura sustentável que protege os direitos das comunidades locais. “

“Como um investidor global, temos que ser honestos e abertos ao fato de que o chefe de Estado está bloqueando o investimento estrangeiro em seu caminho para a destruição de suas florestas”, disse ele. “O que quer que o Ministro do Meio Ambiente Leyte diga, é Bolsonaro quem toma as decisões.”

——— Alvares relatado de Brasília. ———

Acompanhe a cobertura das negociações climáticas da AP em http://apnews.com/hub/climate

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