Discussões e acusações: Por dentro do inquérito do Senado brasileiro sobre o Coronavirus | Notícias da pandemia de coronavírus

São Paulo, Brasil – Na última sessão da investigação do Senado brasileiro sobre a COVID-19, criada para investigar o manejo da pandemia pelo governo, o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuelo errou ao dizer que o título de senador era militar.

Eu não sou um militar. Coronel é um apelido “, disse o senador Ângelo Coronel – seu sobrenome significa” coronel “em português brasileiro – ao ex-ministro.

O deslize provocou risos abafados de senadores, curiosos e até de Pazuelo, um general do exército, cuja missão de 10 meses como ministro da Saúde terminou em março e viu a maior parte das mortes no Brasil devido ao coronavírus.

Mas foi uma breve trégua em uma comissão que até agora tem sido marcada por brigas barulhentas entre senadores pró-governo e da oposição, por testemunhas acusadas de mentir em seus depoimentos e a revelação de acusações cada vez mais terríveis.

Após quase um mês de audiências, principalmente de ex e atuais funcionários do governo, o governo brasileiro supostamente não conseguiu obter vacinas que salvam vidas, promoveu tratamentos ineficazes para COVID-19, criou um ministério da saúde “paralelo” e demonstrou negligência durante a crise de oxigênio que deixou pacientes com HIV. Corona está com falta de ar.

“O governo, contaminado por questões ideológicas e negação, cometeu erros desde o início e ainda está cometendo erros”, disse à Al Jazeera Elisian Gamma, senadora pelo centrista Partido da Cidadania.

A CPI pode levar ao isolamento ou mesmo à prisão de Bolsonaro – mas esses resultados são improváveis ​​no momento [Adriano Machado/Reuters]

Desafiando Bolsonaro

O presidente brasileiro de extrema direita, Jair Bolsonaro, foi amplamente condenado pela comunidade internacional por lidar com a pandemia, depois de zombar de vacinas e usar máscaras, e atacar autoridades locais que tentavam implementar medidas de bloqueio.

Ele reforçou essas atitudes neste final de semana, primeiro participando de um desfile de motocicletas com milhares de torcedores no Rio de Janeiro, depois se dirigindo a uma grande multidão que lançava fechamentos e distanciamentos sociais.

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Ele não pareceu se incomodar com a investigação do Senado, conhecida pela sigla em português CPI, que começou no final de abril e vai durar 90 dias, depois dos quais pode ser renovada – embora muitos analistas considerem a gabolice um espetáculo em meio a baixas taxas de aprovação.

Na sexta-feira, Renan Caliros, um poderoso senador da oposição e relator da comissão, acusou Pazuelo de mentir pelo menos 14 vezes durante seu depoimento de dois dias na semana passada para proteger Bolsonaro.

“Ficou claro que a função da testemunha na CPI não era esclarecer a população ou cooperar para descobrir a verdade, mas sim aliviar o presidente”, escreveu Caliros em documento divulgado sexta-feira a agências de notícias brasileiras.

O ex-ministro da Saúde do Brasil, Eduardo Pazuelo, testemunhou na investigação do Senado em 20 de maio [Adriano Machado/Reuters]

Pazuelo foi ministro da Saúde durante a crise do suprimento de oxigênio na cidade amazônica de Manaus, mas em janeiro, após a crise, Bolsonaro chamou o trabalho de Pazuelo de “excepcional”.

“O depoimento do ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuelo mostrou a negligência do governo na crise do oxigênio em Manaus”, disse Gama, que criticou a gestão da epidemia pelo governo como “lamentável”.

“Os documentos revelam que o ex-ministro mentiu muitas vezes e que o governo não agiu quando decidiu não interferir no Estado”, disse o senador.

O presidente da comissão, o senador amazonense Omar Aziz, disse no sábado que entraria em contato com Pazuello para interrogá-lo novamente, desta vez sem a proteção do habeas corpus.

O Supremo Tribunal Federal concedeu essa proteção a Pazoillo ao não se incriminar devido a uma acusação separada dos demandantes em conexão com a crise de Manaus. “Pazuelo defendeu Bolsonaro como se estivesse defendendo seu filho”, disse Aziz.

Compre uma vacina

Para Nauê Bernardo, advogado e cientista político da capital Brasília, um dos momentos mais prejudiciais da investigação até o momento foi a denúncia de que o governo não atendeu à oportunidade de compra das vacinas da Pfizer quando oferecida.

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“Houve uma narrativa do governo de priorizar a economia às medidas de distanciamento social”, disse. “Mas as vacinas são a única forma eficaz de acelerar a recuperação econômica e salvar vidas.”

Com documentos do Índice de Preços ao Consumidor, o jornal Folha de S Paulo informou que o governo ignorou 10 e-mails da Pfizer referentes à compra de vacinas no período de um mês em agosto e setembro de 2020.

Também nesta semana, Bernardo disse que provavelmente será extremamente volátil na CPI, testemunhando à ministra da Saúde, Mayra Pinheiro, apelidada de “Capitã Cloroquina”, que promoveu o medicamento não comprovado em Manaus como tratamento poucos dias antes do colapso do sistema de saúde.

O presidente brasileiro Jair Bolsonaro, ao centro, juntou-se a milhares de seus apoiadores em uma corrida de motocicleta pelo Rio de Janeiro no domingo. [Pilar Olivares/Reuters]

Outras testemunhas em potencial incluem Carlos, filho de Bolsonaro, membro do conselho municipal do Rio de Janeiro, que, o ex-ministro da Saúde Luis Henrique Mandetta, disse ter participado de reuniões ministeriais importantes, apesar de não fazer parte do governo.

Enquanto isso, senadores pró-governo, incluindo o filho mais velho de Bolsonaro, Flavio, reclamaram da perseguição e preconceito da comissão e defenderam Pazuelo.

“Na minha avaliação, as respostas do ex-ministro à sua gestão no Ministério da Saúde lançam luz sobre os fatos e enterram as acusações infundadas feitas até agora sobre o enfrentamento da epidemia”, disse Marcos Ruggiero, senador pró-governo.

A aprovação de Bolsonaro caduca

A CPI pode levar ao isolamento ou mesmo à prisão de Bolsonaro.

Esses resultados são improváveis ​​no momento, mas não podem ser completamente descartados devido à natureza volátil da política de coalizão no Brasil, disse Carlos Melo, professor de ciência política da Inspire São Paulo School of Business.

Ele disse à Al Jazeera: “Bolsonaro está atualmente protegido pelo presidente do Congresso, que pode tomar medidas de impeachment, e ele é seu aliado, assim como o procurador-geral”. “Mas isso é frágil.”

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Mello disse que as medidas de isolamento anteriores sempre ocorreram após períodos de grandes protestos de rua pedindo o impeachment do presidente, que são difíceis de organizar devido à pandemia.

As últimas pesquisas de opinião indicam que quase metade dos brasileiros apóia o impeachment de Bolsonaro, enquanto pouco menos da metade se opõe a ele.

Enquanto isso, especialistas médicos temem que uma terceira onda de COVID-19 esteja a caminho, as implantações de vacinas ainda são lentas e um novo tipo de coronavírus que foi detectado pela primeira vez na Índia foi descoberto recentemente no estado do Maranhão, nordeste do Brasil.

A economia continua a ser duramente atingida, com o aumento da fome, o que pode prejudicar seriamente as chances de Bolsonaro ser eleito no próximo ano.

De acordo com o Datafolha, uma empresa de pesquisas, o índice de aprovação do Bolsonaro caiu para 24%, com 45% dos brasileiros dizendo que seu governo é “ruim” ou “ruim”.

Analistas dizem que o ressurgimento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na cena política brasileira também é uma grande preocupação para Bolsonaro, com pesquisas de opinião mostrando que Lula o derrotará de forma convincente se as eleições forem realizadas hoje.

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