Desmatamento recorde na Amazônia brasileira bate recorde no primeiro semestre de 2022

Uma vista aérea mostra um terreno desmatado da floresta amazônica no estado de Rondônia, Brasil, em 28 de setembro de 2021. REUTERS/ADRiano Machado/FILE PHOTO

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São Paulo (Reuters) – O desmatamento na floresta amazônica brasileira atingiu um nível recorde nos primeiros seis meses do ano, mostraram dados preliminares do governo nesta sexta-feira, destruindo uma área cinco vezes maior que a cidade de Nova York.

De janeiro a junho, 3.988 quilômetros quadrados (1.540 milhas quadradas) na área foram desmatados, segundo a Agência Nacional de Pesquisas Espaciais Inpe.

Este é um aumento de 10,6% em relação aos mesmos meses do ano passado e o nível mais alto para esse período desde que a agência começou a compilar a atual série de dados do DETER-B em meados de 2015.

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A destruição aumentou 5,5% em junho para 1.120 quilômetros quadrados, também um recorde para aquele mês do ano.

A Amazônia, a maior floresta tropical do mundo, contém enormes quantidades de carbono, que é liberado à medida que as árvores são destruídas, aquecendo a atmosfera e causando mudanças climáticas.

O desmatamento está rastejando cada vez mais fundo na floresta. Nos primeiros seis meses do ano, o estado do Amazonas, no coração da floresta tropical, registrou mais devastação do que qualquer outro estado pela primeira vez.

O aumento do desmatamento neste ano também está alimentando níveis excepcionalmente altos de incêndios, que provavelmente se intensificarão nos próximos meses, disse Manuela Machado, pesquisadora de incêndios florestais e desmatamento da Universidade de Oxford.

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O Brasil registrou o maior número de incêndios na Amazônia em junho em 15 anos, embora esses incêndios sejam uma pequena parte do que geralmente é visto em seu pico em agosto e setembro, segundo dados do Inpe.

Geralmente, depois que os madeireiros extraem a madeira valiosa, fazendeiros e grileiros incendeiam a terra para terminar de limpá-la para cultivo.

“Se temos um grande número de desmatamentos, é inevitável que também tenhamos um grande número de queimadas”, disse Machado.

“Esta é uma notícia muito ruim.”

Ativistas e especialistas no Brasil culpam o presidente de direita Jair Bolsonaro por reverter medidas de proteção ambiental e incentivar madeireiros, pecuaristas e especuladores de terra a limpar terras públicas com fins lucrativos.

O gabinete de Bolsonaro e o Ministério do Meio Ambiente não responderam a pedidos de comentários sobre números ou políticas de desmatamento.

Ambientalistas contam com o ex-presidente de esquerda Luiz Inácio Lula da Silva, que supervisionou um declínio acentuado no desmatamento durante sua presidência de 2003 a 2010, e venceu uma eleição em outubro para transformar a política ambiental do Brasil.

Uma pesquisa de opinião publicada nesta semana mostrou que Bolsonaro perdeu a corrida presidencial para Lula por 19 pontos percentuais no segundo turno esperado. Consulte Mais informação

Mesmo que Bolsonaro perca, dizem cientistas e ativistas, este ano provavelmente veremos altos níveis de desmatamento e incêndios, já que madeireiros e grileiros buscam tirar proveito da fraca fiscalização antes de uma possível mudança no governo.

À medida que o clima fica mais quente e seco na Amazônia, o desmatamento e as queimadas não dão sinais de parar.

“É muito difícil ser otimista sobre os próximos meses na Amazônia”, disse Romulo Batista, ativista florestal do Greenpeace Brasil.

Reportagem de Jake Spring. Edição por Jonathan Otis

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