Como o Big Brother Brasil se tornou um campo de batalha para políticas de identidade

Em fevereiro, os telespectadores do “Big Brother Brasil” viram o primeiro beijo gay acontecendo em um reality show em mais de duas décadas no ar na América do Sul.

Mas algumas horas depois de ter aparecido como bissexual ao beijar outro homem negro ao vivo na TV, o competidor Lucas Pintido deixou o programa. “Eu tentei ser eu mesmo em todos os sentidos”, disse o ator de 24 anos, que enfrentou a reação de alguns de seus colegas de casa por causa do beijo.

Os outros participantes, alguns deles pessoas de cor conhecidas como LGBTQ, acusaram Penteado de usar a bandeira LGBTQ para avançar o jogo.

Lumina Aloya, uma psicóloga lésbica, disse ao ator: “Você está se apropriando de uma causa coletiva em favor de uma causa que pertence a você, indivíduo … Você está assumindo uma luta histórica, coletiva, em favor de uma demanda egoísta”. Dois outros colegas de quarto bissexuais criticaram Bentido, dizendo que “há muitas maneiras de sair”.

Após o beijo, a cantora Carol Konka, que criticou a bissexualidade de Penteado como uma farsa e foi repetidamente acusada de abuso psicológico contra ele, foi “expulsa” do show com 99,17% dos votos, o maior já para um participante do show. Uma semana depois, Aleluia também foi exterminada.

O polêmico episódio veio em um momento em que o “Big Brother Brasil”, que está em sua 21ª temporada, ganhou reconhecimento nacional por ser reajustado para incluir conversas sobre raça e gênero. Depois que ficou claro em 2020 que os participantes discutindo feminismo e racismo se traduzem em altas pontuações, a temporada final foi estrategicamente planejada para incluir um grupo de competidoras com diversidade étnica e de gênero. Nove dos 20 participantes são conhecidos como descendentes de afro-brasileiros, e muitos dos companheiros de casa são membros da comunidade LGBTQ.

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O esforço dos showmakers para colocar o mais famoso pão e circo brasileiro em palco de uma discussão delicada, mas importante, foi bem-sucedido.

Além de se tornar uma sensação nas mídias sociais, o Big Brother Brasil também levou a TV Globo, a maior rede de transmissão aberta do Brasil, às melhores classificações de sua audiência em uma década. No dia da ‘expulsão’ de Konka, a Globo ficou com 63% de audiência. Ao todo, 40 milhões de pessoas – quase um quinto da população de 211 milhões do Brasil – assistem ao reality show todos os dias, o que representa 5,5 milhões de telespectadores a mais que no ano passado, segundo a Globo. diverso.

“A Globo fez um ótimo trabalho mantendo a marca renovada e encontrando novas maneiras de interagir com o público”, diz Laurens Drillich, presidente da Endemol Shine Latino, que produz e licencia a franquia “Big Brother” no Brasil. Ele observou que o COVID-19 acrescentou uma nova camada ao modelo de negócios de sucesso, atraindo os espectadores das gravações para o que se tornou um “evento de TV”.

Mas enquanto o programa destaca questões importantes, “Big Brother Brasil” também se tornou um espelho que mostra “a guerra de identidades no Brasil”, diz Wilson Gomez, professor de teoria da comunicação da Universidade Federal da Bahia.

Gomez compara a política recente do programa ao “Identity Poker”, em que certas interseções entre raça e gênero – por exemplo, um homem negro bissexual também – podem fazer alguns competidores avançarem.

Inspirado no miserável romance “1984” de George Orwell, que retratava um estado de vigilância governado por um irmão mais velho, a franquia se expandiu para mais de 50 países desde o lançamento de sua primeira edição em 1999 na Holanda. Mas a versão brasileira cresceu e se tornou uma das modificações de maior sucesso no mundo.

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Esta não é a primeira vez que o programa é vinculado a discussões políticas. A vencedora da temporada de 2005, a jornalista Jean Willis, deixou de ser a primeira participante assumidamente gay do programa a se tornar a primeira representante dos direitos LGBT no Congresso.

Mas contra o pano de fundo da ascensão da extrema direita no Brasil, Gomez diz, “Big Brother Brasil” reflete cada vez mais as “sociedades fragmentadas” emergentes no país.

Em uma visão realista em que nenhum movimento passa sob o radar, as aparências iniciais podem enganar. Poucos dias após o lançamento do programa “Big Brother Brasil”, descobriu-se que uma participante branca havia feito cursos de feminismo antes de ingressar no programa. Mais tarde, alguns de seus companheiros de casa acusaram o mesmo colega de “libertinagem”.

Outra participante, uma das favoritas para ganhar o prêmio de $ 270.000, sofreu um retrocesso online depois que ela disse a seus colegas de trabalho que “ama” o presidente de extrema direita do Brasil, Jair Bolsonaro. Na mesma ocasião, ela disse que “não falaria sobre isso na televisão nacional” para evitar ser excluída do programa. Ela acrescentou: “Não vou falar sobre política”.

Uma semana depois, perdi mais de um milhão de seguidores no Instagram.

Christian Moreira, professor de psicologia da Pontifícia Universidade Católica de Petrópolis, afirma que devido ao formato da tela de vigilância quase constante, alguns dos participantes acabaram “não se lembrando da presença das câmeras”.

“Você pode controlar o seu comportamento, mas chega um momento em que você diminui a cautela e faz com que a situação volte ao normal”, diz Moreira. Ficaram dois meses lá, e até têm câmeras nos banheiros. [Participants] Desempenho, mas você não pode fazer isso o tempo todo. “

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Embora o programa tenha ajudado a criar conversas importantes sobre raça, gênero e gênero, entre outros, os especialistas dizem que é improvável que essas discussões desapareçam após o término do programa, em abril.

“É importante estar no programa? Acho que sim”, diz o psicólogo Bruno Branquino, especialista em saúde LGBTQ. “Mas eles não começaram no Big Brother Brasil. Eles estão recebendo muita atenção por causa do show, mas já fazem parte do debate nacional há anos.”

Mesmo assim, os espectadores estão confiantes de que, ao espelhar as conversas culturais mais amplas em torno da política de identidade, o programa está se fortalecendo – assim como essas discussões.

Inevitavelmente, situações e discussões que fazem parte da vida cotidiana acontecem dentro [‘Big Brother’] Uma casa ”, diz Rodrigo Dorado, gerente geral do Big Brother Brasil.“ São pessoas reais que falam de assuntos reais e têm culturas, gostos e experiências diferentes. Tudo isso ajuda a criar um [reality show’s] autenticidade.”

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