Como a Conta Black no Brasil está criando um ecossistema financeiro para consumidores negros

Aproximando-se rapidamente de seu sexto ano de operação, o Banco Digital Brasileiro Konta Black Está acelerando sua jornada para a criação de todo um ecossistema financeiro focado em consumidores negros. Com uma abordagem que mescla estratégias online e físicas, a fintech visa oferecer serviços como crédito e educação financeira ao seu público-alvo.

Fundado em 2017 e sediado em São Paulo antes da estreia do primeiro unicórnio brasileiro — Mobility 99, que foi adquirido pela gigante chinesa Didi em 2018 — e antes do Nubank, maior operadora de banco digital do Brasil, ganhar popularidade real, o .

Embora o maior mercado da América Latina tenha visto uma onda de novos bancos nos últimos anos, estima-se que o país ainda tenha 35 milhões de consumidores não bancarizados, segundo estudo da Americas Market Intelligence e Mastercard. Entre os brasileiros sem conta em banco, quase 70% são negros, segundo dados de um estudo de 2018 do Instituto Locomotiva, encomendado pela rede de empreendedorismo negro Feira Preta.

Aproveitando esse enorme grupo de indivíduos excluídos do sistema de serviços financeiros, a Conta Black construiu uma base de 30.000 consumidores, sediados nas periferias das principais cidades do Brasil. A meta é aumentar esse número para 100.000 em 18 meses. Atualmente, está avaliado em cerca de R$ 30 milhões (US$ 5,6 milhões), e a empresa pretende levantar R$ 6 milhões (~US$ 1,1 milhão) antes do final do ano para impulsionar seu plano de crescimento.

“Quando comparamos nossas metas com a trajetória de outros novos bancos que atingiram 1 milhão de consumidores em seis meses, nossas metas são bastante conservadoras. Achamos que podemos chegar a esse ponto muito rapidamente, mas também sabemos que chegar a esse ponto exige um muito esforço”, disse o cofundador e CEO A empresa, Sergio Ull, está investindo, tanto em marketing quanto em tecnologia, para atender às crescentes expectativas dos consumidores.

proposta avançada

A Conta Black começou com um cartão de crédito pré-pago para a população negra brasileira – uma parcela da população que movimenta cerca de 1,7 trilhão de reais (US$ 319 bilhões) anualmente em bens e serviços, segundo pesquisa do Instituto Locomotiva. Naquele momento, não havia tecnologia incorporada ao produto: segundo All, o principal objetivo inicialmente era quebrar o paradigma ao fornecer acesso a serviços financeiros para indivíduos negros, em vez de focar na transformação digital imediatamente.

“Desenvolvemos o MVP em um momento em que o mercado começava a passar de cheques de viagem para cartões. Achei que isso poderia ajudar muito a comunidade afrodescendente de empreendedores no Brasil e, desde os anos 1970, era um sonho popular que nós tínhamos nosso próprio banco. Então nossos ancestrais abriram o caminho para nós. Caminho, eu continuei trabalhando”, todos disseram.

A oferta da empresa então evoluiu para uma conta digital apoiada pelo Banco BV e lançou o aplicativo Conta Black em 2019, um ano em que a democracia dos serviços financeiros estava avançando a toda velocidade no Brasil com seu cenário de fintech em rápido crescimento. A Conta Black estava pronta para investir recursos da rodada de investimento privado para a aquisição de clientes, então a pandemia de Covid-19 do ano seguinte forçou a repensar o modelo de negócios. A conta bancária tornou-se então um meio para um fim, dando aos consumidores acesso a uma série de serviços, como seguros, além de pagamentos, taxas e outras funções voltadas para empreendedores.

“Reposicionamos nosso produto para atender às necessidades de nossa base de clientes: quando nossos clientes são consumidores suburbanos negros, eles precisam de produtos e serviços financeiros específicos para suas realidades. Também ficou claro para nós que a pandemia afetou os profissionais e os homens dos negócios negros é mais grave.”

A Conta Black também visa proporcionar educação financeira à sua base de clientes como forma de quebrar barreiras causadas pelos problemas estruturais que assolam a população negra do Brasil. “Geralmente, os moradores negros não têm um relacionamento financeiro de longo prazo ou planejam dinheiro porque não sabem quanto tempo podem ficar para ver os resultados”, disse Ribeiro, citando dados da Escola Latino-Americana de Comunicação Social. (Flacso) Ciência que um jovem negro brasileiro é morto a cada 23 minutos no Brasil.

Entre as iniciativas na área de educação financeira, a empresa já percorreu o Brasil com oficinas de educação financeira e está montando centros de assessoria em universidades e favelas em parceria com organizações sem fins lucrativos, batizadas de Black Spaces. De acordo com o COO, a maioria das organizações existentes e até mesmo novos players nesse espaço ignoraram a necessidade de fornecer educação financeira e ofertas de negócios explicitamente direcionadas aos consumidores negros.

“Nosso trabalho tem sido desenvolver produtos e serviços financeiros a partir de uma perspectiva negra, com parcerias com empresas que queiram cocriar essas ofertas. Sabemos que há escassez de negros em cargos decisórios nas organizações, mas também sabemos há boas intenções de mudar a realidade”, observou Ribeiro. Atual. Por isso, estamos procurando aliados.”

Além do desenvolvimento de produtos digitais, construir uma presença física entre sua base de clientes é fundamental para a Conta Black. Além de Ribeiro, All recentemente passou algumas semanas nos EUA conhecendo potenciais investidores em um programa facilitado pelo empresário Paulo Amazon, CEO da Global Amazon, uma escola de inglês sediada nos EUA focada em estudantes brasileiros. O objetivo era buscar parcerias e capital.

Segundo All, a ideia é que os Black Spaces se tornem locais que focam na educação e na experiência do cliente. “Observando como seria uma Apple Store em Nova York, concluí que o caminho é construir espaços agradáveis ​​onde as pessoas possam se relacionar com o produto, talvez pagar suas contas e participar de um workshop de educação financeira. Offline e online a submissão fortalece os vínculos com o cliente e contribui significativamente para alcançarmos nossos objetivos gerais.

Segundo Ribeiro, a proximidade entre a Conta Black e seus clientes é um dos pontos críticos de uma proposta de venda diferenciada. “Existem muitos bancos digitais por aí que têm uma arquitetura de tecnologia muito melhor que a nossa. Mas somos uma marca que a maioria de nossos clientes gostou: quando começamos, as pessoas pagavam pelo nosso cartão”, observou o COO, acrescentando que, apesar do fato que o perfil etário do cliente Fintech é diferente, mas há um número significativo de clientes mais velhos.

“[Our older customers] Eles foram os heróis dos primeiros movimentos de ativismo negro no Brasil e veem na Konta Black que seus sonhos se realizam e correspondem ao nosso objetivo.”

Oportunidades Internacionais

Além do banco não bancarizado, proporcionando educação financeira e posicionando-se como um hub de serviços financeiros, a empresa também está de olho no espaço de concessão de crédito. Segundo dados do Banco Internacional de Desenvolvimento, consumidores negros são privados de crédito quatro vezes mais do que consumidores brancos com o mesmo perfil econômico. Além disso, Ribeiro observou que 70% dos adultos economicamente ativos no Brasil estão endividados, sendo a maioria negros.

A questão do racismo nos serviços financeiros é algo que todos já vivenciaram pessoalmente. Como CEO de uma agência de publicidade em São Paulo, o CEO estava procurando comprar vários computadores Apple como parte de uma atualização de tecnologia em toda a empresa em 2008. Segundo o CEO, o pedido de empréstimo foi rejeitado, embora ele estivesse financeiramente saudável. pontuação de crédito.

Essa experiência é uma das situações que semearam as sementes do que mais tarde se tornaria Kunta Black. Alguns anos depois, todos conheceram sua esposa Ribeiro, especialista em turismo que renunciou ao cargo de gerente de uma das principais companhias aéreas brasileiras, e que ingressou como cofundadora. Antes de lançar a fintech, o casal fundou a AfroBusiness, organização que trabalha para trazer empreendedores negros para a cadeia de suprimentos de grandes organizações como Carrefour, Google e Meta. Além da assessoria corporativa, a organização sem fins lucrativos também oferece educação para empreendedores, muitos dos quais se interessaram pelos produtos Conta Black.

“Ao mesmo tempo em que nossos caminhos se cruzaram, eles também se cruzaram com os caminhos de outros empreendedores negros. Então Sergio e eu pensamos que isso poderia ser um negócio real e desde então hackeamos o sistema, começando por fornecer uma porta de entrada em um sistema financeiro para empreendedores que não conseguiam mais vezes do que abrir uma conta bancária”, disse Ribeiro.

Ribeiro observou que sua fintech acumulou muitos insights sobre esse público ao longo dos anos. Por exemplo, embora os indivíduos representem 60% da base de clientes da Conta Black (as empresas respondem pelo restante), o COO disse que os padrões de uso da conta revelam que a maioria desses consumidores são de fato empreendedores casuais.

Quando se trata das inevitáveis ​​comparações entre a Conta Black e outras fintechs que conseguiram construir uma base de clientes muito maior e muito mais rápido, o CEO argumentou que a empresa está focada em crescer de forma sustentável. “Além disso, não podemos ignorar o fato de que os investimentos em startups lideradas por negros são muito menores”, acrescentou. De acordo com um estudo da aceleradora brasileira Black Rocks Startups e Bain & Company no ano passado, apenas 32% dos fundadores negros receberam investimentos para sustentar seus negócios, em comparação com 41% dos fundadores não negros.

Segundo All, enquanto o acesso ao capital é a alavanca que uma empresa precisa para crescer mais rápido nas frentes de tecnologia, marketing e educação, a visão da Conta Black é que seu negócio também atende à demanda de alguns dos financiadores de investimentos que marcam trata de questões ambientais, sociais e de governança (ESG) ESG).

“Além de uma apresentação de negócios focada em princípios ESG, também estamos envolvidos em discussões com o Banco Central e a Associação Brasileira de Fintechs sobre o que pode ser melhorado e como podemos nos tornar uma empresa mais atrativa. até onde podemos ir com o capital adicional’, observou o empresário.

Durante suas viagens aos Estados Unidos, os empresários conversaram com diversos potenciais parceiros sobre a possibilidade de lançá-lo no Brasil por meio da Conta Black. “Nós notamos [financial services players in the US] Eles estão procurando ignorar as mesmas ofertas antigas. A oportunidade para nosso público-alvo também ficou clara para eles porque mais da metade da população brasileira é negra. Ole disse que há muita abertura por parte dos jogadores nos Estados Unidos, e o ecossistema lá é mais inclusivo, com negros em cargos muito altos, e isso faz uma grande diferença.”

Quando se trata do volume de investimento que a Conta Black busca aumentar, os fundadores – que fazem parte dos empreendedores apoiados pelo Black Founders Fund do Google no Brasil – disseram que podem estar procurando mais, mas estão cientes das condições de mercado atualmente instáveis, que tendem a ser mais difíceis para os fundadores negros. De acordo com dados da Crunchbase, o financiamento para startups negras americanas caiu de US$ 1,2 bilhão no primeiro trimestre de 2022 para US$ 324 milhões no segundo trimestre. “Optamos por reduzir o tamanho da rodada como um movimento estratégico, tendo em vista os desafios atuais relacionados à disponibilidade de capital. Também detemos 100% da empresa, o que nos permite crescer de forma mais sustentável e ter a oportunidade de realizar mais rodadas em o futuro”, observou Ribeiro.

Comentando as realizações esperadas para os próximos 12 meses, todos esperam que a Conta Black tenha “movido alguns vagões e subido no trem da indústria de fintech no Brasil”, fortalecendo significativamente sua base de clientes. “Quero falar de uma empresa diferente e ainda mais proativa quando se trata de mudar os fatos e, em particular, mais educação”, disse o CEO. “Muitas vezes me perguntam se tenho um plano B para o Conta Black. Minha resposta é sempre a mesma: meu plano B é fazer dar certo.”

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