Airbus diz que condições de mercado estão afastando companhias aéreas internacionais do Brasil

Escrito por Rodrigo Vega Gaer

RIO DE JANEIRO (Reuters) – Condições complexas de mercado impediram companhias aéreas estrangeiras de lançar operações domésticas no Brasil, disse à Reuters o presidente da fabricante brasileira de aeronaves Airbus.

Em 2018, as regras que limitavam o tamanho da participação que um investidor estrangeiro poderia possuir numa companhia aérea foram eliminadas, numa tentativa de abrir a concorrência entre companhias aéreas na maior economia da América Latina.

No entanto, a participação de mercado no Brasil é dominada por apenas três empresas: Azul, Gol e LATAM, esta última resultado de uma fusão em 2010 entre a companhia aérea local TAM com a empresa chilena LAN.

A relutância das companhias aéreas internacionais em entrar no Brasil se deve principalmente à incerteza judicial, disse o CEO da Airbus, Gilberto Peralta, em entrevista na semana passada, citando o grande número de ações judiciais movidas por clientes brasileiros contra as companhias aéreas, bem como os altos preços dos combustíveis.

“As barreiras de capital desapareceram e qualquer estrangeiro pode vir e abrir uma empresa no Brasil, mas não faz isso… É um grande problema”, disse ele.

As fortes proteções ao consumidor do Brasil tornam mais fácil para os viajantes processarem as companhias aéreas por uma série de questões, incluindo voos atrasados ​​ou cancelados.

No final do ano passado, o grupo de lobby da Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA) instou a estatal petrolífera Petrobras a reduzir os custos dos combustíveis, descrevendo os preços do querosene no país sul-americano como “excessivamente elevados”.

Os preços do combustível de aviação no Brasil já caíram 8,8% até agora em 2024, informou a Petrobras no início deste mês.

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A capacidade de produção global da Airbus varia atualmente entre 60 e 65 aeronaves por mês, enquanto a empresa pretende aumentar esse número para 75 aeronaves por mês até o final de 2025 ou início de 2026.

A maioria dos pedidos de aeronaves Airbus vem de clientes na Ásia, nos Estados Unidos e na Europa. No Brasil, os pedidos da Azul e da LATAM somam mais de 100 aeronaves nos próximos anos.

Respondendo a uma pergunta sobre os efeitos da crise de qualidade que a fabricante de aeronaves Boeing enfrenta, que tem levado a atrasos nas entregas de aeronaves, Peralta disse que espera estabilizar a empresa concorrente.

“Tenho certeza que vão consertar… Isso não é bom para o mercado, porque gera insegurança e ansiedade nos usuários”, disse.

($ 1 = 5,4236 riais)

(Reportagem de Rodrigo Vega Gaer; Redação de Luana Maria Benedetto; Edição de Margarita Choy)

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