A Human Rights Watch disse que o Bolsonaro do Brasil sabotou os esforços para combater o COVID-19

BRASILIA (Reuters) – O presidente de direita do Brasil, Jair Bolsonaro, tentou sabotar os esforços para desacelerar a disseminação da Covid-19 em seu país e buscou políticas que prejudicam os direitos dos brasileiros, disse a Human Rights Watch na quarta-feira.

No capítulo sobre o Brasil de seu relatório global anual, o grupo de direitos humanos disse que a Suprema Corte, o Congresso e outras instituições intensificaram os esforços para proteger os brasileiros e bloquearam algumas das políticas mais prejudiciais do Bolsonaro.

O CEO do grupo espera que Washington se junte à União Europeia para pressionar o governo Bolsonaro a proteger a Amazônia do desmatamento sob a próxima administração do presidente eleito dos EUA, Joe Biden.

Bolsonaro queria retirar a autoridade dos estados para restringir o movimento de pessoas, já que buscava conter a segunda disseminação mais mortal do vírus Corona no mundo depois dos Estados Unidos, mas a Suprema Corte decidiu contra isso.

A Suprema Corte também interveio para evitar que seu governo retenha dados COVID-19 do público. Também aboliu o veto presidencial à legislação que exige o uso de máscaras na prisão. Em julho, o governo ordenou a formulação de um plano para proteger os povos indígenas vulneráveis ​​da pandemia, enquanto o Congresso aprovou um projeto de lei que o obrigaria a fornecer cuidados de saúde emergenciais às comunidades indígenas.

Bolsonaro minimizou consistentemente a gravidade da COVID-19, chamando-a de “uma pequena gripe” e criticando os bloqueios e medidas de distanciamento social. A Human Rights Watch disse que espalhou desinformação sobre o vírus.

O gabinete do presidente não respondeu imediatamente a um pedido de comentário. Bolsonaro argumentou que os bloqueios estão prejudicando a economia brasileira e deixando muitas pessoas desempregadas.

A Human Rights Watch disse que Bolsonaro também minou os direitos das mulheres, criticou repórteres e grupos da sociedade civil e estigmatizou e perseguiu a mídia brasileira independente.

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O Supremo Tribunal Federal e outras instituições ajudaram a proteger os brasileiros e a prevenir muitas, senão todas, as políticas anti-direitos do Bolsonaro. “Eles precisam permanecer vigilantes”, disse Anna Livia Arida, diretora associada da Human Rights Watch no Brasil.

A fraca aplicação da lei ambiental também permitiu que o uso ilegal de fogos para limpar terras aumentasse novamente na Amazônia. O desmatamento atingiu seu maior nível em 12 anos em 2020, quando sete vezes a área de Londres foi desmatada, de acordo com o Government Space Research Institute (INPE).

“Bolsonaro é um daqueles autocratas amigáveis ​​que (o presidente Donald) Trump manteve juntos”, disse Kenneth Roth, diretor executivo da Human Rights Watch.

“Até que o desmatamento seja revertido, testemunharemos uma pressão intensa sobre o Bolsonaro, sem nenhum amigo na Casa Branca”, disse ele.

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