A fome se aproxima dos brasileiros com a aproximação do Natal

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Rio de Janeiro (AFP) – Arroz, feijão preto, óleo, farinha, macarrão e açúcar. Não parece uma festa, mas sem aquela doação de 12kg de ração, Rita Maria de Sousa não teria o que comer no Natal.

No Brasil, a fome está afetando mais famílias e as doações de ONGs são vitais à medida que a temporada de festas se aproxima rapidamente.

Quase um quarto dos brasileiros sofre de insegurança alimentar.

“Não muito, mas vou poder dividir com minha família”, disse de Sousa, 59, de Duque de Caxias, bairro pobre da Zona Norte do Rio de Janeiro.

Viúva há três anos, ela mora sozinha em uma casinha de tijolos no Morro do Garibaldi.

De Sousa anda mancando devido à diabetes e luta para fazer uma dieta adequada.

“Preciso de comida saudável, mas não consigo sobreviver com o que ganho”, disse ela.

Desempregada há seis anos, sua única renda é um subsídio mensal de 100 riais (US $ 17) do governo.

Ela depende quase exclusivamente de doações para comer.

Seu filho faleceu há cinco anos, mas ela tem uma filha de 38 anos, duas netas de 22 e 24 anos, um bisneto e logo outros dois gêmeos iminentes.

Porém, desde a morte do marido, ela passou o Natal sozinha ou com as irmãs que moram no mesmo bairro.

A fome está de volta

De Sousa deu as boas-vindas a Jefferson Ribeiro, cofundador da ONG AMAC, de braços abertos e um suspiro de alívio ao entregar o seu pacote de comida de Natal.

A Amac é uma das parceiras da iniciativa Natal sem Fome, que já distribuiu 1.500 toneladas de alimentos no final do ano, o suficiente para preparar oito milhões de refeições.

Voluntários carregando pacotes de alimentos em um caminhão Daniel Ramalho AFP

Lançada pela ONG Ação da Cidadania em 1994, a campanha foi interrompida em 2007, quando os níveis de fome no Brasil caíram significativamente.

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Na época, o então presidente de esquerda Luís Inácio Lula da Silva (2003-2010) se beneficiou de uma economia favorável que lhe permitiu implementar políticas que ajudaram milhões de brasileiros a sair da pobreza.

Mas o programa Natal sem Fome teve que ser reiniciado depois de uma década.

“Relançamos a operação em 2017 porque percebemos que a fome voltou a aumentar. Desde então (a fome) só aumentou”, disse Rodrigo Afonso, diretor da Ação da Cidadania.

Uma refeição por dia

“Com a pandemia, temos que fazer uma refeição por dia”, disse Maria Elena Huertas Rosales, peruana que mora em Nova Iguaçu, subúrbio vizinho a Duque de Caxias.

A jovem de 50 anos, que se mudou para o Brasil com o marido e o filho em 2009, acrescentou: “Só vejo carne na TV e sempre nos perguntamos: O que vamos comer amanhã?”

Armazém da ONG 'Ação da Cidadania' (Movimento da Cidadania) antes da distribuição de alimentos de Natal
Armazém da ONG ‘Ação da Cidadania’ (Movimento da Cidadania) antes da distribuição de alimentos de Natal Daniel Ramalho AFP

Segundo relatório das Nações Unidas, entre 2018 e 2020, cerca de 50 milhões de brasileiros “tiveram que viver sem comer ou tiveram uma redução significativa em quantidade ou qualidade”.

As coisas pioraram nos últimos meses devido à pandemia do coronavírus e à aceleração da inflação no país de 213 milhões de pessoas.

Os brasileiros ficaram chocados com as imagens que circulam nas redes sociais de pessoas famintas no Rio brigando por ossos em uma lata de lixo.

As coisas já estavam se deteriorando antes da pandemia, segundo Afonso, que culpou uma “queda acentuada” nas políticas de combate à escassez de alimentos.

“Se essas políticas fossem postas em prática, não haveria pessoas famintas disputando os ossos na rua”, disse ele.

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