A alta do preço do dólar e a queda da taxa de desemprego — Mercopress

Brasil: Dólar sobe, desemprego cai

Sábado, 29 de junho de 2024 – 09:28 UTC


Último dia útil do semestre é marcado por forte demanda por dólares de multinacionais que enviam seus lucros para o exterior

A economia do maior país da América do Sul está a dar uma guinada frágil, como indicam os números de sexta-feira. A taxa de câmbio entre o real local (R$) e o dólar norte-americano (US$) aumentou 15,15% nos últimos seis meses, fechando em 1 USD = 5,58 R$ enquanto a bolsa de valores caiu 0,32% versus 1,49% mensal. Ele ganha. Pelo lado positivo, a taxa de desemprego no trimestre encerrado em maio foi de 7,1%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), uma melhoria significativa em relação aos 7,8% em fevereiro e aos 8,3% na comparação anual.

O IBGE observou ainda que o número de desocupados – pessoas com 14 anos ou mais que não têm trabalho e estão em busca de trabalho – era de 7,8 milhões, 751 mil a menos que em fevereiro de 2024 e 1,2 milhão a menos que no trimestre encerrado em maio de 2023.

A moeda norte-americana atingiu os níveis mais elevados desde 10 de janeiro de 2022, quando fechou em 5,67 reais, após subir 6,47% apenas em junho e 15,15% no primeiro semestre de 2024.

O mercado de ações teve um dia de ajuste. Após dois dias consecutivos de alta, o índice Ibovespa B3 fechou aos 123.911 pontos, com queda de 0,32%. Apesar da queda verificada hoje, o índice subiu 1,49% no mês. Em 2024, a bolsa cairá 7,65%.

Esses números foram impulsionados por fatores internos e externos. Nos Estados Unidos, o anúncio de um abrandamento da inflação ao consumidor em Maio animou o mercado no início do dia, mas os preços dos títulos do Tesouro dos EUA voltaram a subir depois de o índice de confiança do consumidor ter caído menos do que o esperado. As altas taxas de juros nas economias avançadas estão pressionando o dólar em países emergentes como o Brasil.

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Mas os principais fatores que afetaram o mercado financeiro na sexta-feira foram externos. Tradicionalmente, o último dia útil do semestre é caracterizado por forte demanda por dólares por parte de empresas multinacionais que enviam seus lucros para o exterior.

Além disso, os investidores foram negativos em relação a uma entrevista concedida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em que considerou ridícula a alíquota anual do imposto de renda fixada pelo Selik Bank de 10,5%. O déficit do setor público primário, que atingiu R$ 63,9 bilhões em maio, também teve impacto negativo. O resultado negativo foi impulsionado pela expectativa de recebimento do décimo terceiro pagamento da Previdência Social.

Em relação ao desemprego, a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua constatou que os resultados atuais foram os mais baixos desde o trimestre encerrado em janeiro de 2015, quando a taxa era de 6,9%. A taxa mais baixa já registrada foi de 6,6% no final de 2014.

A PNAD mede todas as formas de ocupação, seja trabalho contratual ou não, trabalho temporário ou trabalho autônomo.

O número de pessoas ocupadas atingiu 101,3 milhões, recorde em uma série de dados históricos divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Esse número é 1,1 milhão a mais que no trimestre encerrado em fevereiro e 2,9 milhões a mais que no mesmo período de 2023.

“O crescimento contínuo da população activa tem sido impulsionado pela expansão do número de empregados, tanto no sector formal como no informal. Isto mostra que as diversas actividades económicas têm registado uma tendência ascendente no número de pessoas nelas empregadas”, explicou Adriana Berengui , coordenador de pesquisas domiciliares do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.

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Ela acrescentou que o número recorde de 38,3 milhões de pessoas com carteira assinada “não acontece da noite para o dia, é resultado da expansão trimestral”. O número de trabalhadores sem carteira assinada foi o maior de todos os tempos: 13,7 milhões.

A administração pública, a defesa, a segurança social, a educação, os cuidados de saúde e os serviços sociais foram responsáveis ​​pela maior parte da criação de emprego (4,4%, ou 776.000 novos empregos), enquanto os transportes, o armazenamento e os serviços postais caíram 2,5% ou menos 146.000 trabalhadores. Não houve diferenças significativas nos outros grupos.

O rendimento médio dos trabalhadores no trimestre encerrado em maio foi de R$ 3.181 (US$ 578), com ajuste anual para cima de 5,6%, sendo o maior valor já registrado para o trimestre encerrado em maio.

“Em 2020, houve rendimentos elevados, mas com perda de população activa”, observou Beringoy, referindo-se aos tempos de confinamento devido à Covid-19 que levaram a muitos cortes de empregos.

A pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística revelou também que o Brasil atingiu o recorde histórico no número de trabalhadores que contribuem para a seguridade social: 65,3%. O nível mais alto registrado foi de 66% no início de 2016.

(Fonte: Agência Brasil)

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